segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Elvas, a UNESCO e eu

Com o tempo, aprendi que a arte da diplomacia é, muitas vezes, o saber aproveitar bem as oportunidades. Ontem, depois de pernoitar no edifício que foi a Pousada de Elvas - que agora já não pertence à rede das pousadas, de que foi a primeira no país, em 1942, mas que hoje, melhor do que algumas outras que mantêm esse vínculo, conserva intactos alguns dos melhores predicados da Pousada original -, lembrei-me de uma história que me liga a esta lindíssima cidade.

Foi em 2012. Elvas era candidata a "património mundial" da UNESCO. Eu era, contra a minha vontade, desde janeiro desse ano, embaixador português junto da organização, em acumulação com as tarefas de embaixador em França. Perante o meu ministro de então, Paulo Portas, eu havia tido oportunidade de explicar ao governo que era perfeitamente insensato para Portugal deixar de ter um embaixador exclusivamente dedicado à UNESCO, como sempre acontecera desde a nossa entrada na organização.

Essa circunstância era tanto mais estranha quanto Portugal acabara de garantir, com grande júbilo patriótico e fortes títulos, que o Fado fosse considerado "património imaterial" da UNESCO. Acrescia que a ministra que tinha a seu cargo a Agricultura, Assunção Cristas, me chamara, de Paris a Lisboa, para me encarregar de tentar reverter o parecer negativo que a UNESCO dera à construção da barragem na Foz do Tua, que a organização entendia incompatível com o estatuto de "património mundial" do "Alto Douro vinhateiro". Portugal desinvestia ostensivamente na UNESCO e, ao mesmo tempo, era-me pedido que tentasse contrariar, no seio da organização, uma decisão que potencialmente afetava o interesse português.

Contrariado, segui uma regra que sempre me orientou em cerca de quatro décadas de diplomacia: disse com frontalidade o que pensava mas, no final, não tendo sido aceite aquilo que eu preconizava, segui (e passei a defender) a orientação de quem tinha legitimidade política para me dar instruções. Nem mais, nem menos. É assim que, a meu ver, os diplomatas devem proceder.

Recordo-me de ter começado as minhas funções na UNESCO por uma visita à diretora-geral da organização, a búlgara Irina Bukova, que hoje parece ser a principal rival de António Guterres na luta pelo lugar de secretário-geral das Nações Unidas. 

Sou amigo pessoal de Irina há mais de 20 anos, desde o tempo em que ambos éramos responsáveis pelos assuntos europeus nos nossos respetivos governos. Estive em Sófia a seu convite, ela veio a Lisboa em idênticas condições. Durante cinco anos integrámos, a convite de Georgios Papandreou, um "think tank" que reunia na Grécia. Depois disso, fomo-nos encontrando em Nova Iorque, em Viena e, várias vezes, em Paris. Hoje, a despeito da nossa amizade pessoal e mesmo familiar, estamos em campos "opostos": eu defendo com afinco a eleição de António Guterres como secretário-geral da ONU, ela quer ocupar esse mesmo lugar...

Quando apresentei as minhas "cartas credenciais" a Irina Bukova, ela foi muito clara e frontal. Disse do gosto que tinha em receber-me na organização mas pedia-me que transmitisse ao governo do meu país a pena que sentia pelo facto de Portugal deixar de ter um embaixador dedicado, em exclusividade, à UNESCO. Disse-me que um país com as nossas "ambições e responsabilidades", com uma expressão cultural à escala global como entendia ser a nossa, principal promotor de uma língua de dimensão universal, com uma história com que tínhamos conquistado o imaginário mundial, não podia ter apenas um embaixador em "part-time" como eu iria ser. Lembrou-me que o Brasil e Angola por lá tinham embaixadores exclusivos. Disse-me também saber do problema que tínhamos com a "questão do Douro" e que imaginava a dificuldade que eu ia ter em tratá-lo, em especial sem tempo para poder "trabalhar" a organização e os seus diplomatas, dadas as responsabilidades cumulativas que tinha na embaixada em Paris.

Não lhe disse que concordava a 100% com ela porque uma das outras regras de ouro que qualquer diplomata deve seguir é nunca expor, perante um estrangeiro, qualquer divergência que eventualmente tenha com o seu governo, por muito que discorde deste (e, no meu caso, dizer que "discordava" do governo de então era um imenso eufemismo). Tomei boa nota e expliquei-lhe que os constrangimentos orçamentais que atravessávamos, nesse tempo de "troika", obrigavam, na perspetiva do governo que eu representava, a uma forte contenção de custos. No entanto, mesmo nesse constrangimento, garantia-lhe que procuraríamos levar a cabo de forma determinada a nossa agenda de interesses junto da UNESCO. E contava com ela para nos ajudar.

Essa agenda tinha, como ponto essencial, a já referida questão de tentar assegurar que o estatuto de "património imaterial" do "Alto Douro Vinhateiro" não viesse a ser tocado pela construção, em curso, da barragem na foz do rio Tua. Um dia contarei, em detalhe, como isso foi conseguido, durante a reunião do Comité do Património Mundial da UNESCO, em São Petersburgo, na Rússia, em junho de 2012, antecedido de diligências que efetuámos em Paris, eu e o Pedro Sousa Abreu, uma-a-uma, junto de cada uma das 21 delegações dos Estados membros desse Comité. E de como, no final, o parecer negativo da UNESCO, que ameaçava parar as obras da barragem (ou iniciar um processo que poderia vir a retirar ao Douro o seu estatuto de "património mundial"), foi derrotado por 21-0, abrindo-se uma solução que, meses depois, afastou o espetro da desqualificação.

Mas vamos a Elvas. A cidade tinha apresentado um processo de classificação como "património mundial", que envolvia a cidade e as suas fantásticas muralhas. No entender da Comissão Nacional da UNESCO, o processo tinha ainda algumas falhas que tornavam muito pouco provável a classificação da cidade com esse estatuto, na mesma reunião em que se ia discutir o Douro. O parecer da UNESCO era muito claro: a questão necessitava de mais algum tempo, havia pontos a corrigir, muito em especial algumas obras deveriam ter lugar antes de Elvas ser "elevada" pela organização 

Mas, para além disso, e porque as nossas "baterias" estavam concentradas neste último caso, Lisboa considerou que, nesse ano de 2012, o caso de Elvas não era prioritário no nosso esforço diplomático.

Coube-me a mim a ingrata tarefa de tentar dissuadir o presidente da Câmara de Elvas, num complexa e tensa conversa telefónica, da sua ideia de enviar a São Petersburgo uma numerosa delegação em apoio às pretensões de Elvas. Não foi fácil "travá-lo"! Tive de ameaçar com a não acreditação da deputação elvense! E pedi ao presidente Rondão Almeida que reduzisse a representação de Elvas a ... uma única pessoa! Essa pessoa devia ter uma qualificação técnica para me ajudar, se acaso entendêssemos que havia alguma hipótese de explorar o assunto. Mas expliquei, bem explicado, que o caso de Elvas não estava nas nossas prioridades nesse ano, embora a experiência que essa pessoa pudesse vir a retirar da observação dos trabalhos do Comité lhe pudesse vir a ser muito útil... provavelmente no ano seguinte. Foi o bom e o bonito, mas tudo se fez como eu pedi.

Chegado a São Petersburgo, passei a totalidade dos primeiros dias a fazer lóbi pelo Douro, quase sem abandonar as instalações da antiga Duma, que ainda mantinha a estrutura de madeira de que eu conhecia bem, das fotografias em que Lenine surge a dirigir a revolta de 1917. E, por fim, com imenso trabalho, lá se conseguiu resolver o problema do Douro, para grande satisfação de toda a delegação portuguesa. 

E Elvas? Pelos corredores, alheado em absoluto da barragem do Tua e das suas intrincadas negociações, andava o representante enviado por Elvas, o professor universitário Domingos Bucho, principal responsável pelo dossiê de candidatura da cidade a "património mundial". Com a restante delegação a comemorar o êxito do Douro, os dois lugares da delegação portuguesa passaram a ser ocupados por mim e por ele. E foi assim que, durante horas e dias, vimos aprovados pelo Comité algumas candidaturas, rejeitadas outras, com Elvas a ir ficando para o fim.

O professor Domingos Bucho não se conformava que Elvas não tivesse uma "chance". A Comissão Nacional da UNESCO, cujos membros estavam em São Petersburgo, recomendava-me que não tentasse contrariar a vontade da organização, que abertamente era desfavorável à classificação da cidade. Mas deu-me mãos livres para atuar como entendesse melhor. Com a passagem do tempo, porém, fui-me convencendo que talvez valesse a pena fazer algumas "démarches" para medir o pulso ao Comité. Eu já os havia "zurzido" até ao limite por virtude do Douro e, nalguns casos, a boa vontade dos meus colegas do Comité tinha sido inexcedível, pelo que voltar a pressioná-los era complicado. Ter um segundo "bem" aprovado na mesma sessão seria quase um "milagre". Porém, a certa altura, decidi que valia a pena correr o risco de uma derrota. E, com Domingos Bucho, preparámos a tática.

Tudo passava por conseguir que me fosse dada a palavra, aquando da apresentação do caso pela UNESCO, contando depois com uma ou duas vozes no Comité que ecoassem as minhas razões. E assim aconteceu. O responsável da UNESCO mostrou o caso de Elvas, explicou que havia "nove razões" pelas quais, infelizmente, a cidade não poderia ganhar o estatuto de "património mundial" nesse ano e preparava-se já para passar adiante e a outro caso quando um dos delegados inquiriu junto da mesa porque que razão não se pedia ao representante de Portugal para comentar o que fora dito. Portugal não era membro do Comité. Só podíamos falar se para tal fôssemos convidados.

A presidente da mesa, a embaixadora russa, anuiu e passou-me a palavra. Convém começar por dizer que a leitura do relatório (negativo) havia sido acompanhada por fotografias da cidade e das suas muralhas, que haviam sido por nós fornecidas, e que tinham uma qualidade impressionante. Quando tomei a palavra, fiz notar isso mesmo, a beleza dos monumentos, a espetacularidade daquele conjunto, que quase todos desconheciam, em absoluto. E logo vi alguns acenos positivos de cabeça, a concordarem comigo. E disse que compreendia as posições da UNESCO, os seus "nove pontos" de preocupação, mas permiti-me fazer observações sobre cada um deles, para o que havia sido bem habilitado tecnicamente pelo professor Domingos Bucho. Tentei "desconstruir" algumas dessas observações, disse que outras estavam datadas e já ultrapassadas, concluindo que restavam apenas três pontos "menores" que Portugal, por intermédio do seu governo, se comprometia a resolver. Os nossos dois "amigos" no Comité, previamente "apalavrados", fizeram coro com o que eu disse e um deles perguntou por que razão o caso de Elvas não ficava "resolvido" logo ali. Se o governo português, como eu afirmara, se comprometia a resolver os pontos pendentes, essa seria a solução mais sensata.

A situação tinha, contudo, foros de ineditismo. Não havia nenhum "draft" de Resolução preparado para ser votado, condição "sine qua non" para poder haver uma decisão do Comité. A presidente russa da sessão queria ser simpática connosco, mas não sabia como resolver a questão. Pedi de novo a palavra e perguntei se não se podia improvisar uma Resolução. Vi a fúria na cara dos representantes da UNESCO, que pressentiram o terreno a fugir-lhe por debaixo dos pés: para eles, Elvas deveria, inexoravelmente, passar para o ano seguinte.

Foi então que vi a "rapporteur" (não sei se se diz "rapporteuse" ou "rapportrice"...), uma costa-riquenha, tomar a palavra e dizer que, uns anos antes, tinha havido um caso similar e tinha-se improvisado um projeto de Resolução. E, para grande surpresa de todos, ela própria entregou à presidente da sessão um projeto de texto.

(Faço aqui um parêntesis para contar que, na véspera, à saída da sessão, eu havia dito àquela jovem: "Parabéns! Tem feito um trabalho notável. Já chefiei comités na ONU e, devo confessar-lhe, nunca vi alguém fazer de "rapporteur" com a qualidade com que você o faz". Disse-lhe isso sem o menor pressentimento de ela nos pudesse vir a ser útil, apenas num elogio profissional muito sincero. Mas não duvido que possa ter criado uma boa vontade que nos iria ser útil).  

A sala estava suspensa, os responsáveis da UNESCO, que haviam perdido a questão de mão, estavam a "rezar" para que algum dos 21 delegados suscitasse uma objeção que pudesse contrariar aquela deriva. Foi então que eu ouvi a poderosa delegada alemã, que, desde Paris, havia sido, a grande distância, quem me criara mais problemas no caso do Douro, "redimir-se" e elogiar o caso de Elvas, pedindo que se passasse de imediato à votação. E, 30 segundos depois, Elvas era "património mundial"!

O resto já se presume. Dei um abraço ao professor Domingos Bucho, vários diplomatas pela sala vieram cumprimentar-nos, não tive uma palavra de simpatia das gentes da máquina da Unesco e a delegação portuguesa foi comemorar. Em Elvas, a cidade entrou em merecida festa, com foguetório pela noite dentro. Menos de um ano depois, por lá fui, com o professor Domingos Bucho, receber a medalha de ouro da cidade, enterrando definitivamente o "machado de guerra" com o presidente Rondão Almeida. 

Hoje, sou um amigo de Elvas. Dormi e jantei por lá, o temporal privou-me de concretizar a intenção que tinha de ir visitar o restaurado Forte da Graça (uma das minhas "promessas" em São Petersburgo, há quase quatro anos...). À saída, numa rotunda, tirei a fotografia que ilustra este texto. Senti que ela tinha alguma coisa a ver comigo.

14 comentários:

Reaça disse...

Será que um dia pode ser publicado quantos embaixadores de certos países, que da residência em Lisboa se mudaram para Madrid, acumulando os dois países ibéricos? Há 40 anos esta parte?

É uma curiosidade de um saudosista, que só pode ser respondida por quem sabe.

Obrigado

OdeonMusico disse...

E como esta o Senhor Embaixador terá muitas mais "histórias" para contar... (ficamos à espera)

o Jaime S.

Luis Quartin-Graça disse...

Nenhum. É política portuguesa, até hoje sempre respeitada, nunca aceitar como embaixadores não residentes em Lisboa os embaixadores estrangeiros que estejam colocados em Madrid.

Com os melhores cumprimentos,

Luís Quartin Graça

Gonçalo Pereira disse...

Parabéns pelo texto. Muito útil para compreender os meandros do processo de aprovação/rejeição de candidaturas.
Fiquei sempre com a sensação de que Elvas fora aprovada APESAR do governo português e não graças ao empenho governamental. Pelo seu texto, percebo hoje que estava em simultâneo em cima da mesa a questão grave do Douro e que essa, sim, era a prioridade da diplomacia portuguesa.
Obrigado pelo esclarecimento.
Um abraço.

Anónimo disse...

E o MNE recompensou como devia o Pedro Sousa Abreu pelo trabalho desenvolvido nessa e em outras ocasiões? Na negativa, vai sempre a tempo. A extraordinária Teresa Salado também merece uma menção.

JPGarcia

Anónimo disse...

Ficou então provado que basta um embaixador diligente e atento para as embaixadas de França e Unesco.
Ainda bem.
João Vieira

Anónimo disse...

Tenho a certeza que não terá os mesmos encómios se vier ao Douro dizer que conseguiu aprovar a barragem do Tua (obedecendo exclusivamente a critérios puramente economicistas para a venderem, depois, aos chineses), destruindo uma obra de arte de referência técnica, histórica e turística, a linha do Tua. Clara que nenhum alemão percebe isto e nunca irá entender por que raio foram “ultrapassados”.
Dou-lhe um conselho: Não se debruce no paredão…

Dalma disse...

Sr. Embaixador, o Domingos Bucho foi meu aluno e era um aluno brilhante!

Anónimo disse...

ó embaixador, só agora percebi de onde lhe vem a aversão ao Paulo Portas, pois ele foi seu chefe, agora está tudo explicado para mim.

Anónimo disse...

Não percebo como não lhe pode pesar na consciência ter sido (mais) um cúmplice de um crime que atenta ao património (natural e construído) único, só pelo prazer escuso de ter enganado «com diplomacia» quem teve que enganar, ou como a competência pode ser tão mal direccionada!

Anónimo disse...

Não concordo com a sua postura. Preferia sair de cena e pedir outro Posto, ou regressar à SE. Mas, Paris é Paris (mesmo vivendo hoje momentos politicamente complicados)! Um diplomata também pode ter direito a uma espécie de objector de consciência. Entre defender o que a consciência nos diz par defender e os interesses materialistas do Estado e dos Privados a ele acolitados, para a construção da dita barragem, teria sido preferível aquilo em que acreditava, deixando a S.E encontrar-lhe um substituto para a proposta (lamentável) que acabou por vir a defender, obedecendo ao critério que mencionou e relevou. Quanto ao Sousa Abreu, parece que lá vai – bem – em Ramallah.

Francisco Seixas da Costa disse...

O Anónimo das 22.51 está enganado. Eu não era "objetor de consciência". Não tinha, contrariamente ao anónimo, nenhuma opinião sobre a bondade ou não da construção da barragem. Quanto ao Dr. Pedro Sousa Abreu, é um excelente funcionário e está, como não podia deixar de ser, a fazer um ótimo lugar na Palestina. O anónimo não deve ter percebido que nós, os profissionais da diplomacia, não somos "militantes", somos servidores públicos e, nessa qualidade, atuamos hierarquicamente de acordo com as instruções que recebemos dos governos que a democracia escolhe. Era o que mais faltava se nos "desse na veneta" só fazer aquilo com que concordávamos! A política externa não é feita por nós. Nós apenas a executamos.

ignatz disse...

"... nós, os profissionais da diplomacia, não somos "militantes", somos servidores públicos e, nessa qualidade, atuamos hierarquicamente de acordo com as instruções que recebemos dos governos que a democracia escolhe."

exacto. é assim que se cometem crimes em nome da democracia, uns mandam e os outros obedecem cegamente. de vez em quando lá aparece um com coluna vertebral que arma salsifré ou se demite, mas a história não se faz desses e auschwitz era uma fantasia disney.

Anónimo disse...

O comentador Ignatz tem razão. O diplomatas alemães, sobretudo os Cgefes de Missão (embaixadores) também tiveram a "espinhosa" missão de defender o indefensável. Embora sejam situações diferentes, a leitura que faz o comentador das 22.18 está correcta: no fim de contas, tentou "vender" uma ideia que estava errada, pelos vistos com sucesso, o que o deixa cheio de orgulho! E assim se engana o pagode, no caso, uns tantos incautos da Unesco. A Diplomacia e a Política são muito parecidas na forma como actuam. O importante é saber ludribiar o pagode.