quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

A carreira e a fonética

O cenário era um hotel de uma cidade de um país europeu, onde tinha lugar um evento, em que Portugal participava, com uma delegação presidida por um membro do governo do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

O embaixador português naquele país tinha-se deslocado da capital para integrar o grupo. Estávamos todos no café, já depois de jantar. 

Já não sei bem a propósito de quê, veio à conversa o nome de um diplomata nosso colega, na altura creio que já reformado, de seu nome Serpa Neves. O membro do governo nunca o chegara a conhecer e inquiriu algo sobre ele.

Vi que o embaixador ficou atento ao que se dizia. A certa altura, com um sorriso, deixou cair na conversa:

- Esse homem, se fosse de Viseu, podia ter tido uma carreira internacional fulgurante.

Ficámos todos surpreendidos. Viseu?

- É que, se fosse de Viseu, seria "sherpa"...

"Sherpa" é o nome dado aos colaboradores diretos dos chefes de Estado e governo que prepararm as reuniões internacionais a alto nível, como o G8 ou o G20.

Toda a delegação portuguesa riu com a graça do embaixador. Com uma exceção: o chefe da delegação. Ficou sério e o convívio da noite acabou praticamente por ali. E não era de Viseu, podem crer!

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