domingo, 15 de novembro de 2015

Viagens aéreas


Cada vez mais, as viagens aéreas estão transformadas num tormento, com as crescentes exigências de segurança. Depois da tragédia de Paris, posso crer que esses controlos devem estar hoje no máximo, com toda a inevitável incomodidade que isso provoca em quem viaja. Cada vez tenho menos paciência para aquela cena de tirar os computadores, para os saquinhos dos líquidos, para os sapatos e os cintos e tudo o resto que tilinta. Mas é inevitável, para quem tem de viajar.

Nos dias que correm, há que ir para os aeroportos com uma imensa antecedência e, no caso das viagens entre Lisboa e Porto, prefiro cada vez mais os comboios, de que não gosto por aí além, à ideia de duas "revistas" desagradáveis. Ainda no que toca a aviões, dou-me por feliz por não ter de fazer, nas próximas semanas, duas deslocações de trabalho que estavam planeadas ao estrangeiro. 

Mas nem sempre foi assim. Recordo-me bem da minha primeira ida aos Estados Unidos, logo no início dos anos 70. O "shuttle" aéreo entre Washington e Nova Iorque funcionava da seguinte forma:

1. Entrávamos no aeroporto e dirigiamo-nos, sem qualquer reserva prévia, à porta de embarque. Aí, num balcão, colocávamos a bagagem para despachar.
2. Recebíamos uma senha numerada, para recuperar a bagagem à chegada.
3. Davam-nos uma outra senha, também numerada, mas de outra cor, para embarcar.
4. Não havia lugares marcados, era "free sitting", com a ordem de chamada para o avião pelo número.
5. Pagava-se o bilhete durante a viagem, como hoje acontece com as compras a bordo.
6. À saída do avião, mostrávamos o talão eram-nos entregues as malas.

Controlo de metais, identificação dos passageiros, revista de bagagens – nada disso existia nesses voos internos.

Agora, vou contar-lhe uma experiência mais recente, cerca de dois anos, num determinado aeroporto. Vou referir os controlos por que passei:

1. Entrada do aeroporto: radiografia de toda a bagagem e controlo de metais nas pessoas que acediam ao hall, mesmo que não fossem viajar.
2. Balcão de "check-in": apresentação do passaporte e da reserva. Recebemos o cartão de embarque.
3. Balcão, ao lado, de "conferência de documentos": apresentação do passaporte e do cartão de embarque. Carimbo no cartão de embarque. Recebemos o boletim de saída, para preencher.
4. Polícia de fronteira: verificação e carimbagem do passaporte, do cartão de embarque e entrega do boletim de saída preenchido.
5. Segurança: radiografia da bagagem de mão, controlo pessoal de metais, controlo separado de líquidos, de computadores e telemóveis.
6. Alfândega: apresentação do passaporte e cartão de embarque. Conferência apenas.
7. Porta de embarque: apresentação do passaporte e cartão de embarque, que nos é devolvido. Registo informático do passageiro.
8. Início da "manga" (a três metros do controlo anterior): conferência do passaporte e cartão de embarque, deste ficando retida a parte mais larga.
9. Final da "manga", junto à porta do avião: um funcionário faz a abertura e verificação manual de toda a bagagem de mão.
10. Também no fim da "manga", junto à porta do avião: outro funcionário procede à revista manual, com detetor de metais, do vestuário.
11. Já dentro do avião: é verificada por um funcionário a conformidade do talão correspondente ao assento com o passaporte.

Uma nota final: este caso passou-se no aeroporto da capital de um país muçulmano.

As viagens aéreas já não são o que eram! Com justificada nostalgia se pode delas dizer: "bons velhos tempos!"

2 comentários:

Helena Sacadura Cabral disse...

Caro Francisco
Sem ser saudosista, que saudade das viagens desse tempo.
Utilizar os aviões transformou-se, hoje, num martírio. Além de se ter a certeza de não ser bem tratado.
Na última saída que fiz, não houve nada que não fosse passado a pente fino...
E sou clarinha. O que seria se fosse morena!

Dalma disse...

Ou muito me engano ou foi na Turquia onde há uns dois anos passei por coisa semelhante!