terça-feira, 3 de novembro de 2015

PS

Já disse e redisse o que penso sobre a solução de governo que a liderança do PS decidiu fazer com os setores à sua esquerda. Mas há qualquer coisa de estranho neste afã que leva alguns críticos da solução defendida por António Costa a reunirem-se ainda antes da presumível queda do governo da coligação. Não é crível que dessa reunião possa sair um documento programático que venha a condicionar o teor do acordo tripartido que estará em vias de preparação. E também me parece impensável, conhecendo-o, que a iniciativa de Francisco Assis possa visar a mobilização de votos dentro do grupo parlamentar contra essa proposta, num apelo ao desrespeito pelo compromisso de voto assumido para casos como estes. Não seria mais avisado esperar para ver o teor do possível acordo com o PCP e o Bloco? É que será pela comparação serena entre o programa que o PS levou a votos e esse mesmo acordo que qualquer juízo substantivo de valor pode ser feito. Sendo assim, só posso perguntar, citando um clássico que dirá alguma coisa a muitos dos presentes na reunião: qual é a pressa?

10 comentários:

João Pedro Garcia disse...

Tem toda a razão, caro Francisco. Até porque o tempo em que havia Lenines e se acabava com os Kerenskys já não existe, felizmente. Não há que ter medo.

Se Assis e quejandos quiserem aliar-se ao PSD e ao CDS (que tanto mal fizeram a este país) ou deixá-los governar - a única alternativa ao que Costa está a fazer - mais vale dizerem-no claramente. Se o fizerem, serão eles os Kerenskys da direita e o PS estará condenado a desaparecer ou a tornar-se o novo "partido do táxi".

Um abraço

JPGarcia

António Azevedo disse...

Não estarão preocupados com os pedidos que Catarina Martins estará a fazer?
É que tendo sido atriz pode ser levada a pedir excentricidades como muitos fazem para o backstage das suas atuações… tipo: um filhote de cachorro para que ela possa brincar o qual deve ser devolvido ao dono em seguida.
Deve perecer-lhes que não deve ser nada agradável isso vir a lume caso aconteça…
antónio pa

Manuel do Edmundo-Filho disse...

Boa pergunta: qual é a pressa? Talvez aquela mesma que o António José Seguro mostrava ao descer do elevador do Altis em 2011...

septuagenário disse...

A Catarina podia ter aconselhado Costa a visitar Albufeira, nesta crise aquática, queimando assim umas etapas.

Antonio Lourenço disse...

Eu só não entendo é porque estas "ratazanas" dos interesses estão no PS que se desfiliem e vão para o PSD, O Ps tem que ser um Partido de esquerda não uma cópia mal amanhada da direita. Inuteis.

patricio branco disse...

o be só beneficia com um acordo, define-se como um partido socialista mais à esqda, mas um euro-esquerdista, que poderia começar a fazer parte do "arco de governo".
o pc é uma história diferente, não mudará, a sua essência é como é, fiel a uma ideologia, logo só cedências pontuais e temporárias.

aamgvieira disse...

Ainda ficam os walking dead....força camaradas !

Fátima Diogo disse...

Nesta altura dos acontecimentos, tendo com única alternativa este governo do PSD ainda mais medíocre e morto que o anterior ( veja-se a inacreditâvel prestação subdesenvolvida de um tal " ministro" Caimão no Algarve), bem, com uma tal alternativa, todas as movimentações e prestações mediáticas de militantes individuais do PS såo patéticas, canalhas e deploráveis - também é verdade que o PS foi sempre o pior inimigo de si próprio. Pobre António Costa, num partido que nem o merece nem está à sua altura..como se não lhe bastassem por um lado a direita dos interesses com a maioria dos jornalistas na mão e por outro as pressões comunistas e bloquistas...

Francisco Guerra Tavares disse...

Também gostei da sua pergunta: qual é a pressa? Estas posições Assisistas fazem as delícias de tantos comentaristas encartados, cavalgando a tese do poder divino (apelidada, agora, de tradição constitucional em Portugal). Dizem, a maioria no Parlamento é legal e constitucional (e como poderia ser de maneira diferente??) mas seria abusiva politicamente! Recorro ao dicionário: Uso mau, excessivo ou injusto: fazer abuso da própria força;Injustiça, desordem, excesso: cometem-se muitos abusos. Onde está o abuso de uma maioria PS-BE-PCP?
Quanto à posição do eurodeputado Assis, não é novidade para quem tenha acompanhado as suas opiniões (publicadas) desde há meses sobre o que se tem passado na Europa (nomeadamente na Grécia). No caso de Assis admito que não se trate de lavagem cerebral, mas objetivamente situa-se no apoio à coligação PSD-CDS. Ele bem fala de reformismo, mas que agenda reformista tem ele? Que eu saiba a da obediência à Troika e Ca.
Mesmo pessoas ponderadas como Fernando Teixeira dos Santos quando falam de reformas estruturais acabam a falar do mercado de trabalho. Já sabemos o que isso significa: mais baixos salários e pensões, e precarização da relação laboral.
Ainda não se conhece o acordo PS-BE-PCP. A pergunta sobre o almoço dos leitões mantém-se: qual é a pressa?

Antonio Cristovao disse...

A pressa é reduzir ao minimo a tentação das franjas se passarem para a agremiação do lado.