domingo, 1 de novembro de 2015

O tempo de entrada


O PDR anunciou que não dará indicação de voto na primeira volta das eleições presidenciais, ao mesmo tempo que o seu líder, Marinho Pinto, desistiu de se apresentar na ocasião. Como sabemos, o PDR não conseguiu eleger um único deputado nas recentes eleições legislativas. O único sucesso por aquelas bandas acabou por ser a eleição do próprio Marinho Pinto para o Parlamento Europeu, há mais de um ano, embora sob a bandeira de um outro partido, que logo abandonou. 

Todos nos recordamos ainda das declarações escandalizadas que fez, logo que chegado a Estrasburgo, protestando contra o "excesso" de benesses dos parlamentares europeus, o que logo foi seguido da afirmação de que não prescindia de nenhuma delas, porque necessitava do dinheiro por motivos familiares. Não foi a sua "finest hour" e, confesso, tive então o pressentimento de que esse era o princípio do seu fim político.

Com sincera pena sobre uma pessoa que conheço há muitos anos, a quem o país ficou a dever, em tempos, algumas declarações desassombradas que abanaram o espaço público, acho legítimo concluir que Marinho Pinto pode estar a desaparecer como figura pública com alguma relevância. 

Sempre considerei Marinho Pinto um democrata e, ao contrário de outros, nunca o vi como um populista com um perigoso discurso anti-partidos. Frequentemente, apreciei a sua coragem, a sua frontalidade e e o seu destemor. Mas fico com a ideia de que, com este ziguezaguear autocentrado em que a sua vida política se converteu, acabou por "perder o tempo de entrada", como se diz de alguns atores que se revelam desajeitados em cena. A peça vai prosseguir sem ele. 

5 comentários:

Isabel Figueira disse...

Eu penso que sim! "perdeu o tempo de entrada".

Jaime Santos disse...

Concordo inteiramente. Nos seus tempos como Bastonário, Marinho e Pinto revelou-se uma das poucas pessoas em Portugal que estavam preocupadas com os direitos de arguidos, acusados e condenados em particular, e com os Direitos Cívicos dos Cidadãos em geral. A sua saída do cargo e a sua 'emigração' para a Política fez com que perdêssemos um excelente Advogado e ganhássemos um Mau Político que rapidamente adquiriu todos os tiques pelos quais as pessoas em geral desprezam (injustamente) a classe política. É uma pena...

opjj disse...

O PEIXE MORRE PELA LÍNGUA.EU CALCULEI QUE ERA FUMO SEM FOGO E NÃO ME ENGANEI. PENSO ATÉ QUE O MESMO ACONTECERÁ A CATARINA. OS VOTOS DE PROTESTO DURAM UM EVENTO.
CUMPS.

Jaime Santos disse...

Essa referência a Catarina Martins é freudiana, meu caro opjj. É que se os votos que o BE foi buscar ao PSD não regressarem à procedência, a Direita nunca mais regressa ao Poder, não é?

patricio branco disse...

na verdade, dá-me alguma pena que ele não fique no parlamento ou não seja aproveitado, nenhum partido o quererá adoptar?