segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Da cartola


Com a aproximação de um possível novo governo, o trabalho das pitonisas, mais ou menos mediáticas, começa a "apertar". Ontem foi um comentador televisivo, a partir de amanhã serão os jornais. O modelo é simples: juntam-se alguns nomes de quem ciclicamente se fala, somam-se outros da lavra do opinador e, quando interessa, pintalga-se tudo com algum "gossip", às vezes para tentar promover, outras para procurar "queimar". 

À volta de um café, discutia isto hoje com um amigo. E ambos concluímos que, com tantos debates televisivos, tantos colóquios, conferências e ajuntamentos similares, o "baralho" possível de governantes já é, com certeza, do conhecimento de todo o país. Já "toda a gente" foi ao Prós e Contras, já todos debateram com todos as temáticas mais especiosas, desde os animados "programas da manhã" dos canais de sinal aberto até aos mais recônditos frente-a-frente em obscuros canais de cabo. Haverá, nalguma remota universidade, numa PME de sucesso ou num posto elevado da administração pública, alguma "novidade" que ainda seja possível tirar da cartola... tanto mais que os "coelhos" que nos últimos anos dela saíram entrarão, finalmente, num mais do que merecido pousio?

Noutros tempos, as coisas não eram assim. Conta-se que Salazar ouvia alguns escassos conselheiros próximos quando pretendia fazer alguma substituição no governo. Supico Pinto, Soares da Fonseca, Albino dos Reis ou Mário de Figueiredo avançavam sugestões de "jovens" (com aqueles cabelos empastados e puxados para trás, os jovens da ditadura pareciam sempre mais velhos, já repararam?) esperanças políticas. Salazar não os conhecia, interessava-lhe ter deles uma ideia que fosse para além de alguma produção escrita, mas não queria encontrá-los antes de decidir convidá-los. Por isso, diz-se que, num dia já nos anos 60, perante um novo nome que lhe foi sugerido, disse ao seu conselheiro: "faça-mo 'passar' na televisão"...

Agora, todos já passaram.

7 comentários:

septuagenário disse...

A propósito da invocação de uma figura nacional, na próxima eleição do maior português veremos Costa enfileirar ao lado de Salazar, Cunhal, Pombal, Afonso Henriques...?

É que agora não será mais o PS de Soares, mas o PS de Costa.

Bartolomeu disse...

Mas... não percebi se o caro embaixador ficou descontente com Marques Mendes, pela sua nomeação para futuro-próximo Ministro dos Negócios Estrangeiros?

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Bartolomeu. Não tenho estados de alma sobre boatos falsos

Bartolomeu disse...

Boato será (até ver) falso, não tanto.
Afinal, a predição do pitoniso MM, fundamentou-se, creio, na análise das capacidades disponíveis no ps para prover o cargo.

OdeonMusico disse...

Boatos falsos? Então há boatos verdadeiros?

o Jaime S.

aamgvieira disse...


Se calhar era melhor haver eleições só depois de cada vez que o PS deixa o pais na bancarrota.

Francisco Seixas da Costa disse...

Dos dicionários. Um boato é uma notícia que corre publicamente, de boca-em-boca, sem proveniência conhecida e sem veracidade confirmada. Rumor. Mexerico.

Portanto, OdeonMusico, um boato pode ser verdadeiro. Este não é.