quinta-feira, 15 de outubro de 2015

MRPP em crise


Agora que os idos de 1975 voltaram à baila (e eu próprio dei hoje a minha contribuição para isso num artigo no DN), eis que o PCTP-MRPP, essa persistente formação, que é um dos mais antigos partidos políticos portugueses (foi criado em 1970, embora então apenas como "movimento"), entrou em grave crise interna. Nos últimos anos, o seu líder tinha sido o histriónico advogado Garcia Pereira, que agora foi afastado de secretário-geral, bem como outros membros do Comité Central (ainda se chamará Comité Lenine, como era nos tempos em que era dirigido por Arnaldo Matos, apresentado como o "grande educador da classe operária?). Esta parece ter sido a maior crise do partido, desde os tempos em que a sua "linha vermelha" (o conceito tem hoje outras leituras no léxico político-jornalístico) se confrontou com uma derrotada "linha negra".

O MRPP, pelo colorido físico e político das suas intervenções e expressões públicas, foi uma das grande "vedetas" desses tempos do "verão quente", com uma política de alianças nunca muito bem explicada. Ao longo dos anos, nunca obteve representação parlamentar, ao contrário da UDP, mas conseguiu manter, em permanência, a sua identidade e a chama política acesas. Emergia nas campanhas legislativas e presidenciais, com uma linguagem tremendista que, neste último sufrágio, para além de pugnar pelo regresso ao escudo e pelo abandono do euro, chegou a apelar, creio que apenas figurativamente, à "morte aos traidores" - frase que levantou uma polémica do seio do partido, a qual, quem sabe?, pode também ter estado na origem desta crise.

Será isto o estertor do MRPP? Logo veremos. Aconteça o que acontecer, o partido ficará para sempre na história política portuguesa. Não é impunemente que uma formação se pode reivindicar de ter tido entre os seus militantes figuras como os governantes do PS Maria João Rodrigues, Vitor Ramalho e José Lamego, do PSD, como Briosa e Gala, Agostinho Branquinho, Durão Barroso ou Franklim Alves, jornalistas como Diana Andringa, Teresa de Sousa ou António Antunes, historiadores como Fernando Rosas ou António José Telo, diplomatas como Ana Gomes ou António Dias, juristas como João Araújo, Maria José Morgado, Romeu Francês ou José António Pinto Ribeiro, bem como outras relevantes figuras já desaparecidas como Saldanha Sanches, Aventino Teixeira, João Isidro ou Freire Antunes. 

Sem a menor ironia, afirmo que o MRPP faz falta à política portuguesa. 

3 comentários:

jj.amarante disse...

João Pinto e Castro, também já desaparecido

João Pedro Garcia disse...

Garcia Pereira é um notåvel advogado na área laboral e foi meu assistente - excelente - de Direito do Tavalho na Faculdade.

JPGarcia

estevesayres disse...

É um excelente bom sinal. É porque o mrpp esta no caminho certo.. Força PCTP/MRPP! A luta vai ser cada vez mais dura e prolongada mas vamos conseguir os nossos objectivos, nem que seja daqui a muitos e longos anos.. Mas não desiste. A Verdade esta acima de tudo. Viva o PCTP/MRPP!

estevesayres