terça-feira, 27 de outubro de 2015

Eduardo Ferro Rodrigues


Há pouco mais de um ano, escrevi por aqui isto:

"Ferro Rodrigues é um dos mais sérios políticos portugueses, um homem de princípios como conheço poucos, uma figura que honra a nossa democracia. Em todos os lugares que ocupou deixou uma rara marca de rigor, de competência e de dedicação à causa pública."

Agora que Eduardo Ferro Rodrigues foi eleito como segunda figura do Estado, não vou inventar nada. Repito apenas o que disse e em que profundamente acredito. Como amigo, mas também como testemunha, há mais de quatro décadas, do seu percurso impoluto de cidadão e de democrata, só posso deseejar-lhe as maiores felicidades. Trata-se de um cargo que, pelas excecionais circunstâncias que o nosso país atravessa, se reveste da maior exigência. Porém, muito poucas pessoas, em Portugal, estariam em condições de o exercer melhor que Eduardo Ferro Rodrigues seguramente o fará. 

Daqui a pouco, Cavaco Silva, estranhamente no meio de uma crise política e sem um governo que tarda (porquê?) em tomar posse, parte em visita a Itália, como se a situação que se vive não justificasse a suspensão desta deslocação. Para se ver como algumas coisas mudaram em Portugal, basta pensar que a chefia do Estado fica interinamente a caber a Ferro Rodrigues. E bem.

13 comentários:

Manuel do Edmundo-Filho disse...

... e não tem receio de usar as palavras certas (e certeiras), como se viu no discurso de tomada de posse.

opjj disse...

Com um pouco de jeito Ferro Rodrigues na falta dr Cavaco nomeia Antyónio Costa. Ao que parece tem mais força do que Cavaco que é o Chefe do Estado.Pelo menos deu isso a entender no seu discurso que não o dignificou.
Isto da subversão de valores tem que se lhe diga.
Cumps.

Helena Sacadura Cabral disse...

Francisco
Confesso que se o discurso do PR me irritou bastante o de FR me caíu bastante mal.

septuagenário disse...

Ferro Rodrigues sucessor de Jorge Coelho que sucedeu João Cravinho, nas Obras Públicas, foram os três maiores abortos em projectos megalómanos estudados em cima do joelho.
Desastres financeiros, estratégicos e tecnológicos.

Pior só mesmo o que se fez na Madeira.

Pagaremos!

Antonio Cristovao disse...

Suspender a viagem? estamos em guerra ou crise de regime? a formação dum governo democratico é uma tragédia que merece que o presidente que não tem mais a dizer sobre o assunto , suspenda tudo? Ou digamos que o que valia a pena para a vida democratica era o fim do desporto de algum "democratas", e muito popular de tiro ao cavaco.

António Azevedo disse...

Admirável o comentário da Exma. Senhora Helena Sacadura Cabral!
Eu nem me tinha apercebido que havia uma combinação entre os chefes dos deputados para o PAR. Haverá tantas… É bom zangarem-se as comadres…
E afinal não tardou o governo (também já estavam lá é certo). Mas não iam nomeá-lo no intervalo do futebol! Pois não?...
antónio pa

Helena Sacadura Cabral disse...

António Azevedo
Embora não tenha atingido todo o alcance do seu comentário, sempre lhe relembro que em Portugal tudo pode acontecer, já que a ninguém se espante que as eleições decorressem durante uns desafios de futebol. Possivelmente no intervalo dos ditos...

João Pedro Garcia disse...

Concordo inteiramente consigo, caro Francisc.

Um abraço

JPGarcia

António Azevedo disse...

É admirável a interpretação sensível dos discursos de V.Exa: um irrita outro cai mal. Como poderia ser dito melhor e mais?
Fui tentado a pensar que os sentimentos expressos também se referiam aos próprios palestrantes. Mas são coisas minhas...
antónio pa

Isabel Figueira disse...

Penso que foi uma nomeação feita muito à pressa. Não será que o António Costa vê nele uma "bengalinha"? Estou de acordo com a Drª Maria Helena.

Carlos Diniz disse...

Caro embaixador

Ser eleito para o segundo cargo da nação alguém que afirmou que, e passo a citar, estou-me a cagar para o segredo de justiça, isto é, "borrifa-se para uma lei, é sintomático da choldra que habita o parlamento.

Francisco Seixas da Costa disse...

Se o comentador Carlos Diniz tivesse sudo miseravelmente caluniado como foi Ferro Rodrigues, o que "respeitaria" para defender a sua honra? Eu julgo que teria dito algo mais impublicável. E depois do modo como o segredo de justiça tem sido tratado ultimamente...

Carlos Diniz disse...

Caro embaixador

Pode crer que acionaria os meios legais ao meu alcance, que levaria até ao fim a minha demanda. Mas creia que para defender a minha honra nunca diria que me "estava a cagar" para qualquer lei. A honra não se defende atropelando a legislação. Que eu não imperava a lei da selva.