quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Encontro no Chiado


Andava pelo Chiado, num "salto" a Lisboa, vindo de um qualquer posto onde estava colocado. Ao telemóvel, chamou-me António Pinto da França, embaixador aposentado há já alguns anos. Disse-me ter sabido que eu estava em Portugal e desafiava-me para um jantar num dos dias mais próximos. Falava em voz baixa, seguramente num espaço com outras pessoas. Eu subia a rua Garrett, com o som ambiente a não ajudar nada a uma conversa que era quase de surdos. Sem a agenda à mão, disse, de memória, que me parecia que tinha combinações já feitas para jantar no resto dos dias de Lisboa. E fiz a proposta de tomarmos um café, talvez ao final daquela tarde. A difícil charla continuava e, para ouvir um pouco melhor, recolhi-me na ombreira da Livraria Sá da Costa, olhando a rua. De repente, vindo de dentro, entretido a falar ao telefone, um vulto abalroa-me. Olhei para a pessoa, disposto a protestar. Era António Pinto da França, a falar ao telefone... comigo. Fomos abafar as nossas gargalhadas num chá na Bénard.

Hoje, cerca de uma centena de amigos de António Pinto da França reuniu-se, muito perto dali, no Círculo Eça de Queiroz, para falar dele, agora que passam poucos dias sobre a data em que teria feito 80 anos, e pouco mais de um ano sobre a sua morte. Teresa Gouveia, Fernando Neves, Pedro Canavarro e Jaime Gama detiveram-se nas suas memórias sobre o amigo e o diplomata. Num video enviado da Hungria, András Gulyas, antigo embaixador do seu país em Lisboa, deixou uma memória muito sentida daquele que foi seu grande amigo. Durante duas horas, o António esteve ali connosco, num evocação amiga, que todos apreciámos e de que a Sofia muito gostou.

Tambem eu gostei muito desta feliz oportunidade de voltar a encontrar o António, pelo Chiado, ao final desta bela tarde de outono.

5 comentários:

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Caríssimo Chico

Não sabia; se soubesse ia. Era amigo do Pinto da França desde os tempos da tropa. Fiquei cheio de pena.

Mudando de assunto: o JJ deu uma grande barraca em Alvalade. O nosso clube foi atropelado pele Lokomotiv. Também fiquei cheio de pena pela hecatombe mais ainda fique pior com o Jesus

Abç do Leãozão

Anónimo disse...

O comentário das 22:30 é o que se chama "misturar alhos com bugalhos"...
Não há outros posts para escrever sobre futebol?

Anónimo disse...

Lindo texto, lembra-me o GRANDE Eça.

Ana Vasconcelos disse...

Bela memória. E bela foto a lembrar-nós de um fim de tarde no Chiado.

Anónimo disse...

Descer a Rua do Alecrim no fim da tarde de verão, ouvindo Montras com Mariza, https://www.youtube.com/watch?v=2UAjrYJH4yo chega-se ao êxtase, dessa amada Lisboa.