sábado, 12 de setembro de 2015

Campanha


Uma das grandes (imensas, mesmo!) surpresas desta pré-campanha tem sido a fragilidade das prestações do primeiro-ministro Passos Coelho. Todos nos lembramos da frescura argumentativa de Passos Coelho nos debates de 2011, face a um interlocutor nada fácil como era José Sócrates. E pensávamos, também à luz da desenvoltura revelada nos debates parlamentares, que o primeiro-ministro e a sua palavra iriam ser uma arma decisiva da maioria cessante no caminho até às eleições. Por isso muitos se admiraram pelo facto de Passos Coelho ter optado por "esconder-se", recusando entrevistas, indo ao mínimo de debates possível. Por mim, confesso, achei que a estratégia era tentar dar-lhe uma espécie de estatuto "de Estado", libertando-o das polémicas, colocando-o "acima" da "politiquice", tentando que Paulo Portas e os escudeiros televisivos do PSD tivessem de fazer esse "dirty work" a que os rituais democráticos obrigam quem está predestinado a exercer as magnas tarefas do poder.

Nós julgávamos isso, mas Passos Coelho, o seu PSD e os seus vendedores de imagem, afinal, sabiam a verdade e sabiam o que faziam. E essa verdade ficou claríssima na tristeza da sua prestação face a António Costa e, de forma ainda mais chocante, na "abada" que ontem levou de Catarina Martins, num espetáculo que só não foi mais deprimente porque foi num canal de cabo e todos sabemos que o "empobrecimento", um dia dito por ele como necessário, a que Passos Coelho e a sua governação conduziu o país não ajuda muito a que a esmagadora maioria do povo português tenha TV paga e, assim, tenha tido oportunidade de observar essa monumental "coça" e dela tenha tirado as conclusões óbvias.

Mas será que, na verdade, Passos Coelho é assim tão "mau" na passagem da mensagem política? Um ator político não perde qualidades e, pelo contrário, havia muito boa gente que pensava que ele "crescera" no lugar, que melhorara e aprimorara o seu estilo. O que se terá passado, então?

Julgo que é muito simples. Passos Coelho primeiro-ministro não é pior do que o Passos Coelho candidado de 2011. O "script" é que é diferente. Nessa altura, era o tempo das promessas e do "bota-abaixo". Agora é o tempo da prestação de contas. E essas não batem certas com o que foi prometido e isso é um "produto" muito difícil de vender. A grande questão está em saber - e sabê-lo-emos no dia 4 de outubro - se os portugueses ainda estão disponíveis para "comprar gato por lebre".


19 comentários:

Anónimo disse...

Concordo com o Dalai Lama : tanto o sistema capitalista como o comunista se tiverem alicerces humanos e se deixassem de alimentar e produzir sistemas corruptos
e constrangedores e malvados , poderiam funcionar para o bem da humanidade.
No caso do debate torna-se bem mais facil fazer o papel da Catarina Martins e precisamos de vozes como a dela que se elevem e desmascarem o status quo mas se ela estivesse no poder como seria? apenas outro tipo de gatunos a roubar, outro tipo de esquemas de elites a mandar e outro tipo de sofrimento social?
Cinico da Avenida

opjj disse...

V.Exª acha mesmo que a Catarina deu mesmo uma abada ao Passolas? Não sei onde encontra tanta inspiração na Catarina. Berrar e dar uns bitaites desconexos com a realidade só para os que têm fé. Ela tb oferece muito, só não sei onde vai buscar a massa sabendo-se que só somos auto-suficientes em 79%.
A mim não me incomoda que hajam mais empresas e em vez de 10 mil milionários. Gostaria mais que houvessem 40 ou 50 mil milionários, pois quem ganharia seria o país.
Não deite tantos foguetes!
Não será no meu tempo, mas o plafonamento dos 2500€ é inevitável e não será para os vindouros tem de ser já.
O Passolas é ingénuo, deveria de dizer que qq pensionista que tem 5000€ de pensão só descontou para ela 10% logo se descontou 30 anos, deu para lhe pagar a pensão 3 anos. Conheço quem está em casa mais anos do que aqueles que descontou. Nenhum sistema se aguenta em qq parte do mundo. Plafonamento há em muitos países.
Cumps

Anónimo disse...

Realmente, foi deprimente. Todos já nos habituámos à ideia de que a que Catarina Martins é uma mulher e política muito bem estruturada, preprada e articulada. E inteligente. Quem debate com ela deve, ou deveria, saber disto. Portas foi arrumad e agora foi a vez de Passos. Com Jerónimo foi diferente, pois o BE não o considera adversário, pelo contrário. Resta agora o debate entre Portas e a lider dos Verdes e stou convencido que ele, uma vez mais, sairá a perder. E Depois ainda há, creio, Costa e Catarina. Se se assim for, convém Costa ir preprado, pois o BE tem todo o interesse em roubar ou pescar votos ás franjas do PS. Embora ache que o principal objectivo de Catarina era arrumar, destruir e desmontar Passos Coelho, o que conseguiu na perfeição. Mas como bem diz, Passos e Portas perdem porque não cumpriram e porque destruiram. O País foi levado ao tapete de uma forma nunca vista. Se a coligação voltar a ganhar, Portugal desfaz-se.
Mas o povo não é estúpido vai dar ao governo o mesmo que ele recebeu de Catarina Martins: uma abada!

Anónimo disse...

sou residente no Brasil, e tenho a amarga experiência de ter votado num socialista de esquerda, apenas de aparência, votei no metalúrgico, que nunca trabalhou como metalúrgico, só dizia isso para tapear incautos, como eu, e deu nisso, voto em Portugal, estava propenso na mudança, votando em Antônio Costa, desisti, meu candidato é Passos Coelho, melhor não arriscar. Tenho a experiência do socialista cá no Brasil. Sou a favor do pensamento da Dama de Ferro. "O socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros", foi isso aqui no Brasil. Falência financeira, moral e política.

Anónimo disse...

Pena não termos um debate Passos/Portas. Se o primeiro continuar ã frente do PSD, ainda teremos o segundo a cilindrá-lo à primeira oportunidade, se também permanecer líder do CDS. É improvável mas dava gozo. Só espero que não haja a possibilidade do CDS se aliar ao PS, com Portas e Morais Leitão (que é feito dele?) de novo nas Necessidades e/ou na "diplomacia económica". Vontade não lhes deve faltar - se não arranjarem emprego na privada.

JPGarcia

Anónimo disse...

Sr. Embaixador,

Gosto da análise. O idealismo é necessário, mas o realismo impõe-se sempre.

Tal como a afirmação que disse ontem na apresentação do livro e que lhe poderia valer uma qualquer noticia num jornal.

Anónimo disse...

Passos Coelho atingiu o "grau zero" da política. Para se "safar" dos manifestantes que ficaram escaldados com a aventura do BES, vá de lançar mão de um truque rasteiro, rasteiro: até está disponível para promover uma subscrição pública para angariar fundos que paguem a ida para os tribunais dos "lesados". Menos que isto é impossível…
Manuel J. C. Branco

JS disse...

Não se podia ser mais claro. "... Agora é o tempo da prestação de contas....".

Como será "o tempo da prestação contas" de A. Costa de aqui a 4 anos, provavelmente.

No actual sistema eleitoral em que os Deputados, eles mesmo, não prestam contas senão ao partido, a prestação de contas só ameaça os testas de ferro.

O alheamento do eleitorado é uma das resultante. Não é a pior. Não senhor.
Como sistema político aliceçado num necessário "prestar contas", premiando ou punindo, ... é curto.

Jaime Santos disse...

O anónimo das 16:18 deveria lembrar-se que infelizmente o Capitalismo só continua, mesmo quando acaba de sugar todo o dinheiro dos outros, porque vai simplesmente fazê-lo para outro lado, vide Ricardo Salgado, Oliveira e Costa, etc, etc. Quanto a Passos e Portas, se se sente confortável com o País a ser vendido a empresas estatais chinesas, ou à Fosun, ou à Altice, etc, faça favor. Mas depois não se queixe...

Anónimo disse...

Em Portugal o sistema está fulanizado nos partidos, nada de circulos uninominais (não é preciso "conhecer" os candidatos...).

Acertou na "mouche" o Anónimo das 16:18.

" "O socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros", foi isso aqui no Brasil. Falência financeira, moral e política.



Anónimo disse...

O Capitalismo dura até acabar a exploração.

Anónimo disse...

Portas e, sobretudo, Morais Leitão nas Necessidades foram catastróficos. Algo para esquecer (embora Bruno Maçães não fique atrás).
a)Rilvas

EGR disse...

Senhor Embaixador: para além de ser dificil defender a "obra feita" parece--me que os debates demonstram a mediocridade que, no fundo, existe em Passos Coelho; é certo que, em cetos momentos, ele parece dominar os assuntos, cita uns números, joga uns argumentos, mas falta ali alguma coisa talvez a leitura duns livrinhos e outras praticas similares.
Ah e aquela pobreza de vocabulário. é como a história do algodão, ou seja não engana.

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Chico Amigo

Se eu fosse do contra tudo e contra todos tinha-me ido ajoelhar perante o camarada Enver Hoxa, na Albânia; mas como felizmente não o sou e não gosto de me ajoelhar diante de quem quer que seja (incluindo o papa, mesmo que se chame Francisco...) admiro-me com o que escrevem aqui alguns "anónimos" (ou cobardolas?)

Aproveita.se da Liberdade e da Democracia (que realmente adoram) e berram que no tempo da salazarenta figura é que era bué da fixe! E o próprio Botas ou Esteves era um senhor fascinante e excelente e que era o Salvador da Pátria - mesmo que ela não quisesse ser "salva"...

Por favor, tenham maneiras; o "anónimo" das 16.18 (que preso-me ser o mesmo do das 20.47) por certo que está no Brasil por "alguma razão" porque canta de galo e não enxerga nada. Peço-lhe que pare de me encher o saco.

Na verdade os diálogos da campanha eleitoral podem resumir-se em abadas, ao dr. Portas e ao dr. Coelho. Isto não quer dizer que a PaF não ganhe as eleições (lagarto, lagarto, lagarto!!!) Mas como costumo dizer e escrever Fui católico, mas curei-me, faço aqqui uma excepção: valha-nos a Senhora da Agrela que não há santa como ela... O voto é a arma do povo - mas o povo ainda cada vez mais muito esquecido. Se calhar é da crise - que no tempo salazarento não havia... Por isso lá vamos cantando e...

Abç do Leãozão

Anónimo disse...

Anónimo das 16.18 respondendo ao Sr. Henrique ANTUNES FERREIRA. Estás enganado, primeiro, eu não sou o mesmo das 20.47, e ademais, não foi a minha intenção cantar nessa tribuna e muito menos encher o seu saco, simplesmente foi a minha opinião. Falas de SALAZARENTO, mas não suporta a democracia, e nem opinião adversa a sua.
Muitos são orgulhosos por causa daquilo que sabem; face ao que não sabem, são arrogantes pretensiosos e donos da verdade.

Anónimo disse...

A economia portuguesa cresceu 1,5% no segundo trimestre de 2015 face ao período homólogo e registou um crescimento em cadeia de 0,4%, segundo números hoje divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Dr. P. Coelho está no rumo certo, primeiro teve que arranjar tudo o que o do PS estropiou. Portugal caminha agora nos trilhos.

Anónimo disse...

O anónimo das 19:06 só pode ser um comediante.

"Portugal caminha nos trilhos" - caminha???

Passos fez o que fez à custa dos funcionários públicos e pensionistas. Desses só um louco votaria nele outra vez.

Privatizou tudo com o seu liberalismo a toda à prova. Desde 74 tivemos 3 bancarrotas. Se houver uma próxima não há nada para vender.

Anónimo disse...

Achar que com António Costa vai ser diferente, lego engano, na próxima legislatura, estaremos falando as mesmas coisas.

Anónimo disse...

digo ledo