domingo, 27 de setembro de 2015

O grande embuste



Há uma certeza que hoje tenho: a maioria dos profissionais de televisão e dos fotógrafos de imprensa que cobrem as campanhas eleitorais não está a cumprir o seu papel. Mais claramente, está a ser cúmplice de uma imensa e complacente burla. Será por medo?

Posso estar equivocado mas parece-me que esses jornalistas estão, manifestamente, a "fazer o jogo" das diversas candidaturas. De quase todas, talvez com exceção das pequenas formações, raramente poupadas à revelação das suas fragilidades. 

A maioria das fotografias e planos televisivos parecem-me corresponder apenas àquilo que são os interesses dos partidos que concorrem às eleições. As imagens recolhidas correspondem, de forma quase subserviente, àquilo que os gestores das campanhas pretendem. Não se vislumbram clareiras, as imagem são "contidas", são filmadas essencialmente as bandeiras em movimento, em nenhum momento se olha para trás dos cenários de apoiantes, não se revela a relação entre os espaços ocupados pelas campanhas e os espaços vazios à volta. Mais parecem tempos de antena do que verdadeiro jornalismo. É vergonhoso e ninguém protesta. Porquê? Porque todos são beneficiados, perdendo apenas os eleitores, a quem é servido um produto falseado. 

Parece-me haver hoje uma verdadeira cobardia na recolha de imagens, não se revela que, por detrás das "jotas" em agitação, dos militantes arrebanhados para o espetáculo, as coisas são muito diferentes, há sempre muito menos gente do que aquilo que as televisões mostram. Fazer jornalismo é outra coisa: é mostrar a realidade, revelar aquilo que são os factos e não apenas aquilo que as máquinas partidárias pretendem. Estamos perante jornalistas ou face a colaboradores das agências de marketing?

Todos sabemos que os comícios e arruadas não são organizados para usufruto de quem os frequenta. Quem lá vai é porque está já convencido. O objetivo das campanhas é, exclusivamente, aquilo que as televisões vão apresentar, é dar uma imagem de grandeza dos eventos, os quais, muitas vezes, são pífios e medíocres. O que vemos são profissionais de televisões a serem cúmplices complacentes de um grande embuste, que favorece PSD, CDS, PS, PCP e Bloco e prejudica a informação que nos ajudaria às nossas decisões. Querem nomes dos mandantes dos "ajudantes" desse enorme embuste? Chamam-se RTP, SIC e TVI. 

10 comentários:

Anónimo disse...

Eu acho que é verdade o que escreve. Mas a quem pertencem as televisões? A RTP ao governo, a SIC ( e o Expresso ) ao militante número 1 do PSD e a TVI a quem nós sabemos. O Público à grande distribuição, o DN e o CM a quem nós sabemos também. Idem quanto ao i e o Observador.

Se não tiverem quem lhes pague, os jornalistas não podem escrever nem falar, por mais sérios que sejam. Só restam os Pereiras ( Pacheco e Ricardo Araújo ), que são ricos e que servem para o Público, a SIC, a TVI, a Visão e a Sábado acharem que são pluralistas. Ainda bem que eles ainda podem falar e escrever. E assim dá o ar que isto é uma democracia.

JPGarcia

Anónimo disse...

Dado o seu pendor UE devia ler, deixando as "miudezas eleitorais", o artigo:

"Adios Espanha"
por João Almeida Amaral, em 27.09.15, blog "Estado Sentido"

Carlos Fonseca disse...

Cem por cento de acordo.

Quando vejo imagens de arruadas em ruas estreitas (para dar a ilusão de uma enorme massa humana), onde não se vê nem uma pessoa nas janelas, como seria normal face a tanto "entusiasmo", estamos conversados.

Ainda hoje assisti na RTP a uma desigualdade gritante. A. Costa foi entrevistado sozinho, numa rua vazia e, ainda por cima, com um sino a badalar o tempo todo (e disso a RTP não tem culpa).

P. Coelho foi entrevistado no local onde protagonizava um comício, com o entusiasmo habitual em casos semelhantes, tendo o operador de câmara o cuidado de mostrar bem as bandeiras agitadas pelos jotinhas (pagos, segundo Pacheco Pereira, que pela sua experiência como dirigente partidário deve saber do que fala). Não contente com isso o "jornalista" não terminou a reportagem no mesmo local, sem nos informar que o mesmo entusiasmo fora uma constante durante todo o dia.

O que o senhor embaixador não disse, mas eu digo, é que muitos destes "jornalistas" talvez esperem o prémio que muitos dos seus colegas tiveram em 2011: distribuição de assessorias em barda(e de outras sinecuras), como pagamento pelos bons serviços prestados.

Mas não tenho ilusões. Talvez de forma mais contida, essa prática estende-se a todos os partidos do chamado arco da governação.

josé ricardo disse...

Concordo em absoluto.

Ao contrário da muita opinião publicada e abundantemente comentada, esta campanha, enquanto campanha eleitoral e, conseguintemente, política, é das mais desinteressantes que já presenciei. Passo os olhos pelos programas dos futebóis e dos seus comentadores e a diferença é praticamente inexistente. Tudo anda à volta de duas ou três expectáveis ideias, tipo querem agora que estamos bem (?!) voltar ao nubloso passado socialista de José Sócrates? Depois há as sondagens, que são, agora, diárias, para animar a comunicação social.
O resultado de tudo isto será, espero, uma grande surpresa na noite das eleições.

um abraço,

José Ricardo

Anónimo disse...

Manipuladores ou manietados?

Já o Alexandre de Marenches explicava (por meias palavras)como era possível manietar os manipuladores.

Pelo meu lado, ponho em dúvida que os jornalosos actuais saibam quem era esse professor de geopolítica.

Anónimo disse...

"Quem lá vai é porque já está convencido", não é bem assim, vão lá para rapar o tacho (sei do que falo). São camionetes dali e dacolá, que trazem os comensais para se atascarem nas bifanas, ouvirem os alvares da propganda de que o país ficará melhor, etc. Os media estão nas mãos da Direita e a malta quer é comezaina e copos e lá vão eles aos comícios.
Mas, bem observado essa observação de como se filma.

Anónimo disse...

a politica e os politicos vao (dentro de determinados limites) até aonde os eleitores os deixam ir.
os politicos sao parte do povo e tem, na sua maioria, os mesmos defeitos e virtudes que este. (veja-se a historia do robalo... nao creio fosse possivel na alemanha, mas quem sabe...)

se com a crise que atravessa portugal e todas as desgraças dos ultimos anos (com o ps a mistura...) a direita ganhasse as eleiçoes isto mostraria, a meu ver, a falta da consciencia civica e politica presente ainda em portugal.

esperemos que assim nao seja

cumprimentos



Anónimo disse...

Inteiramente de acordo com o Sr. Embaixador escreve. Digo, no entanto e, no que tenho visto. Os jornalistas informam e tecem considerações e pretensas graças negativas só na caravana do Costa (PS). Isso é que acho uma vergonha. Na RTP e SIC que é o que tenho visto mais. Da caravana da direita, puto!!Só espero que o desgraçado da maioria do eleitorado, veja isso, reflita e consiga decernir estas atitudes e no dia 4 de Outubro faça o que tem de ser feito com o voto útil, para nos livrarmos deles para sempre.

Anónimo disse...

Mais uma semana a venderem banha da cobra!

Antonio Cristovao disse...

O trabalho dos jornalistas, se querem ter trabalho , não pode ser outro, como a historia mostra a saciedade; basta alguem mostrar o que pensa , e não sendo do agrado do ouvinte , para se atirarem as setas com todo o veneno. (basta ver o post deste blog sobre a Sic e TVi.
Nem interessa analisar o que disseram e rebater o assunto ponto por ponto, basta atiçar os adjectivos, que o resto os leitores subentendem.