sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Conversas no Pereira (4)

- Caramba! Que tom crítico perante a campanha do PS! Só no dia de hoje, vi um artigo assinado por ti num jornal e um texto no blogue. Já há dias te tinhas "atirado" contra o Edson Athayde.

- Acho que o tom da mensagem do PS está errado. E é mesmo um tanto esquizofrénico: tanto põe nuvenzinhas com ar de harmonia e paz celestial como, de seguida, caras de gente carrancuda a lembrar desgraças. O que as pessoas querem é conhecer as soluções concretas que o PS vai pôr no terreno para resolver os problemas que hoje têm. Em mensagens simples e curtas, facilmente percetíveis. Só isso!

- Mas não achas que, ao criticar abertamente a campanha, podes estar a "fazer o jogo" do adversário? 

- Estaria a fazer esse "jogo" se fingisse que achava a campanha eficaz, quando acho que ela não o é. Creio mesmo que é contraproducente! Na minha opinião, quem, involuntariamente, acaba por "fazer o jogo" do adversário e prejudicar o trabalho de António Costa é quem lhe prepara aquelas coisas.

11 comentários:

Anónimo disse...

Esqui Z ofrénico.

Convencida! disse...

Prepara? Ah, ah, ah!
Vai ser assim durante a governação? Quando o bicho pegar, a culpa vi ser de quem ??? Ou isto é um aviso??? Promete ...

Anónimo disse...

Sr. Embaixador,

Não diria melhor.

Paulo Salaberth disse...

Democraticamente falando.

Bartolomeu disse...

Demagogia, trapalhice, torpe improviso, maldicÊncia e... anacronismos, entre outros, têm sido os ingredientes recorrentemente (mal) utilizados pelos partidos e pelos políticos, em campanhas eleitorais.
Aquilo que para mim continua a ser incompreensível, é a enorme capacidade para esquecer que este Lusitano eleitorado demonstra possuir.
A menos que... uma força estranha e secreta, renove a cada eleição a frota dos que votaram mas, atribuindo-lhe o mesmo número de eleitor.
Sei lá... neste pais acontecem coisas tão estranhas... era mais uma... Os russos não mandavam os presos políticos para a Sibéria? Quem me garante que não existe por aí uma organização secrete que arrebanhe os eleitores a seguir às eleições, os transporte para o castelo dos mouros em Sintra, os enfie nas inúmeras galerias subterrâneas que por lá existem e os recolham à saída já com o "reset" à memória, concluido?! Qual teoria da conspiração? Se calhar estou a dizer alguma asneira, querem ver.

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

Senhor Embaixador

Há muito tempo que não via tanta falta de profissionalismo. Este cartaz agora dos "desempregados há 5 anos" é um autêntico tiro no pé.

Por mim podem continuar, até agradeço,nesse registo, pois a hipótese de termos uma (agradável) surpresa como tiveram os Ingleses, é cada vez mais uma possibilidade.

Um abraço

josé ricardo disse...

Com todo o respeito (à Paulo Portas), estou propenso a crer que este tipo de olhar obsessivo e "altamente especializado" para os cartazes são cada vez menos importantes. Vivemos num tempo de mudança nestas coisas. Um exemplo elucidativo, aludido no comentário anterior: as sondagens. As surpresas (grandes surpresas) serão muito prováveis, ao ponto de deixarem de o ser.

um abraço,

josé ricardo

Manuel do Edmundo-Filho disse...

Inteiramente de acordo com a 2ª voz do diálogo. Tanto esforço gasto na elaboração do programa para, agora, em dois deslizes imperdoáveis de um profissional de campanhas(suponho que muito bem pago), conseguir passar para o último plano o que deveria ser a cara da campanha: o programa, "em mensagens simples e curtas, facilmente percetíveis"!

É por estes tiros nos pés (incluindo o do próprio António Costa no seu já célebre discurso na celebração do novo ano chinês)que o PS não descola da coligação nas sondagens. Será que teremos de levar com esta coligação mais quatro anos!? Por favor...

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

Mais uns tiros no pé :

“A história não é minha. Aquela afirmação é falsa”. É assim que Maria João resume a utilização da sua fotografia colada à frase “Estou desempregada desde 2012, para o governo não existo” num dos polémicos cartazes do PS, em declarações ao Observador. Maria João diz que não estava desempregada e que não disse o que está no outdoor. Mais: acrescenta que quando tirou a fotografia, que viria a aparecer espalhada pelo país nos cartazes do partido, prestava até serviços à Junta de Freguesia de Arroios (socialista) e foi lá que o fotógrafo a apanhou. Mais ainda: diz não ter dado autorização para que a sua cara aparecesse nos cartazes, quer que o partido os retire das ruas e admite processar o PS por uso indevido de imagens. Mas a história com os polémicos cartazes não acaba aqui. Há mais dois casos na mesma junta.

Ao Observador, o PS respondeu dizendo que: “Tratam-se de representações. Apesar de não faltarem exemplos de tantos e tantos casos semelhantes aos denunciados no cartaz, não iríamos expor assim as próprias pessoas e o seu sofrimento. Portanto, embora os cartazes sejam todos relativos a casos reais, as pessoas são figurantes escolhidos e que aceitaram figurar nos cartazes”.





Essa não é a versão de Maria João. Ela conta a sua história dividindo-a em duas partes: a primeira sobre a forma e a segunda sobre o conteúdo.

Do conteúdo. “Eu não estou desempregada desde 2012. Não me podem envolver desta maneira. Aqueles dados, são mentira”, conta ao Observador. Maria João Pinto tem 29 anos e diz que prestava serviço na área da comunicação na Junta de Freguesia de Arroios. No cartaz do PS, a frase que se podia ler associada à sua cara era: “Estou desempregada desde 2012″.

“Estou revoltadíssima”, revela. De 2012 para cá já esteve desempregada e já trabalhou. Mas não estava desde 2012, nem estava quando na quinta-feira passada tirou as fotografias para a campanha do PS. Tinha suspendido o subsídio de desemprego (que recebia apenas desde 2014) para poder abrir atividade e passar recibos à Junta. Mas não quis tirar nova fotografia para ilustrar este artigo justificando não se querer expor mais e por ser “incoerente”. “Se eu quero que retirem, não vou estar a expor-me”. Na sua página do Facebook poucas são as fotos de cara, mas muitos são os comentários de amigos que desde esta quinta-feira a avisaram que tinha o rosto espalhado pelo país. Foi assim que diz que se deu conta do que estava a passar.

Da forma. Essa mesma quinta-feira (dia 30 de julho) foi o último dia em que Maria João esteve na Junta de Freguesia de Arroios. Diz ter sido chamada ao gabinete da presidente da parte da manhã. Conta que Margarida Martins, a presidente da Junta (ex-líder da Abraço, que se candidatou como independente), lhe pediu para tirar “uma foto para a campanha do António Costa” e que foi apanhada de surpresa tanto pelo pedido primeiro, como, logo depois de almoço, pelo aparecimento do fotógrafo. “Foi uma autorização para uma fotografia, mas pensei que haveria o processo a seguir”. Diz que ainda pensou tratar-se de uma fotografia para usar com muitas outras pessoas em cartazes com muitas caras, mas que esperou pelo pedido de autorização. Apesar da autorização verbal para a respetiva foto, Maria diz que não deu autorização para a sua utilização e acrescenta, que muito menos daria autorização se soubesse para o que seria utilizada. “Eu não me exponho e eles expõem-me em outdoors gigantes” e ainda por cima e com “uma frase falsa”. Acresce ainda que a fotografia não foi paga.
http://observador.pt/2015/08/07/esta-historia-nao-e-minha-ps-acusado-de-inventar-historias-dos-cartazes/

Antonio Cristovao disse...

Li que o que o PS precisa é ter ideias(novas) e não um novo publicitário; até concordo, e lembro o que disse o Marcelo: Para ele o melhor é fazer-se de morto, até as eleições.
Mas julgo que não era dar tiros nos pés. era mesmo dizer apenas nim.

Joaquim de Freitas disse...

Leio nos últimos textos do Senhor Embaixador, uma certa preocupação sobre a capacidade do PS a dar a volta às suas incoerências na estratégia para afrontar a coligação. Tem razão: essas incoerências minam o PS. Mas o pior de tudo é a falta de legibilidade no que querem fazer se ganharem as eleições.
E pouco a pouco a sombra de Syrisa, cujo fracasso foi bem explorado pela direita, e as consequências desastrosas do "acordo" imposto pela UE, com o cortejo de misérias nas televisões, que vão da simples impossibilidade de retirar o seu dinheiro para a vida de todos os dias, aos suicídios nas ruas, soa como um aviso aos Portugueses do que os espera se não votarem à direita. E mesmo se não derem a maioria absoluta à direita!

Segundo eles, uma tragédia maior viria assim acrescentar-se a miséria já existente. Voilà o que a Troika quer que seja ressentido pelos Portugueses antes de votarem. E ao ver a confusão táctica do PS nestes últimos tempos, creio que lá dentro também este discurso da Troika teve o seu eco.

Tenho a impressão que a oposição actual recebeu perfeitamente a mensagem que não existe nenhuma política económica alternativa fora daquela que impõe a Troika, isto é, a de Frau Merkel e Schauble. O que quer dizer que o calvário da austeridade deve continuar e mesmo aumentar, qualquer que seja o resultado das eleições. E neste caso, muitos Portugueses vão pensar que, pelo menos, já conhecem o que os que lá estão sabem fazer, e que finalmente os outros não poderão fazer melhor. E se fosse verdade?

As políticas de rigor e de austeridade impostas pela burguesia preparam outras crises mais violentas e menos previsíveis com todas as consequências terríveis para os povos.
Os socialistas já dizem que não são contra o sistema, mas que é o sistema que é contra eles, o que reflicta bem a ambiguidade que consiste a denunciar as consequências do capitalismo ao mesmo tempo que aceitam o sistema que as engendram.

Tudo isto aparece mais como uma reivindicação moral que política. Porque não vejo nada de revolucionário no combate dos socialistas, susceptível de pôr em causa o sofrimento do povo. Na realidade, o socialismo é mais que nunca uma variante da social democracia, que quer gerir uma economia esfarrapada com a mesma politica do passado. Porque lhe é imposta do exterior. Parece-me bem que , faltando-lhe a fibra revolucionária doutros tempos, está condenado a ser um movimento democrata pequeno -burguês aspirando a moralizar e melhorar o capitalismo antes de ser domesticado pela classe dominante.

A história ensina-nos que a burguesia não renuncia jamais aos seus privilégios, que não concede jamais nada por generosidade ou grandeza de alma e que não recua perante nada para salvar os seus interesses. Esta foi a lição de Syrisa e da Grécia.