terça-feira, 18 de agosto de 2015

A TV mínima

Já me não recordava bem do que era o Portugal dos quatro canais. Este Verão, em férias, tive o imenso privilégio de apenas dispor da RTP 1 e 2, da SIC e da TVI. Acresce o facto de uma tal TDT, que por aqui fornece estes canais, ter frequentes interrupções, com a emissão sonora a tornar-se gaguejante e as imagens a apresentarem regulares variações de abstracionismo furta-cores, qual fundo de caleidoscópio. Como não vejo telenovelas - creio que a última deve ter sido "O Astro", a sério! - nem acompanho regularmente nenhuma série (as que me interessam vejo-as em video, mais tarde), e dado que a televisão em minha casa não está nunca aberta às horas das refeições, o que me inibe de ver noticiários em direto, o meu Verão televisivo limitou-se este ano a uns documentários sobre peixinhos, a dois filmes e a algumas perguntas do "milionário" Malato (*). No essencial, a apreciar a excelente qualidade da RTP2, esse segredo bem guardado do nosso panorama televisivo.

Só nestas férias é que verdadeiramente tive consciência de que praticamente me desabituei de ver televisão em tempo real. Isto é, no resto do ano, habituei-me de tal modo ao sistema do cabo que, quase sempre, faço um "compacto" com zapping retrospetivo: consigo ver os telejornais de hora e meia em cerca de dez minutos, ouço apenas os comentadores políticos que me interessam, "passando à frente" os restantes (tal como a maioria das figuras políticas), recuso a 100% a menor conversa sobre futebol (em minha casa, não se ouvem comentadores, treinadores, dirigentes, jogadores, vendo os jogos sempre sem som, com música a acompanhar) e olho os filmes apenas quando tenho tempo para isso. Tornei-me, de facto, dependente do "puxa-à-frente-e-atrás" das gravações.

Mas, em férias, nem mesmo isso me fez falta. Está a ser muito saudável passar algumas semanas com "mínimos" em matéria de televisão. Há mais tempo para jornais, livros e conversa. Ah! E muita internet, claro.

Adenda em tempo: vi também um excelente concerto de Verão em Schonbrunn, na RTP2, claro.

10 comentários:

Anónimo disse...

Relativamente aos quatro canais, efetivamente apenas se aproveita a RTP 2. Disponho de TV Cabo desde 97, mas efetivamente não dispenso a dois. O resto é palha para jumentos.

Anónimo disse...

Com exceção do Jesus que é imperdível!
Mais ou menos como o Coelho (e até o Jardim) da Madeira noutra área temática...

Anónimo disse...

Excelente atitude no que respeita á TV. Também me recuso a ver TV durante as horas de refeições. Jamais! E pouco ou nada de comentadores, zero daqueles do futebol e apenas alguns filmes, quando calha.
Julguei que era um ET, afinal há mais gente assim. Fico mais confortado!

Anónimo disse...

isso de haver comentadores que misturam a rtp 1 com os restantes canais abertos é de quem não tem condições de argumentação. Obviamente não vê a rtp 1 mas depois põe-se a debitar obviedades por ouvir dizer. não é o desejável, mas fica a anos luz.

Jaime Santos disse...

O Sr. Embaixador tem toda a razão, as saudades que eu tenho dos telejornais alemães que duram 15 minutos e que parecem boletins noticiosos da radio. Nada de casos de policia, nada de comentadores encartados a fazer de conta que fazem analise política quando fazem propaganda, nada de proto-candidatos presidenciais a enveredar pela 'stand-down comedy'. Por estas e por outras e que deixei de ver televisão, tirando uma ou outra serie na RTP2, que e de facto o nosso segredo mais bem guardado. E José Rodrigues dos Santos ainda zomba dos alemães porque as televisões em Portugal transformaram os noticiários em entretenimento barato...

opjj disse...

Tb estou limitado a 4 canais, pois não estou para pagar 2 vezes. Decerto modo é bom, pois deixa-me tempo livre. Além do mais, ou temos fogos, futebol ou telenovelas, massacrantes.
Já aqui o disse: Isto é um país pequeno mas cheio de capelinhas de interesses e a ver se enganam o Zé.Ratos.E enganam mesmo!
Tenho amigos de vários lados de Espanha que têm 27 canais GRATUITOS.
Cumps.

Anónimo disse...

Não acredito que não veja o JJ a debitar as suas teses no melhor da língua pátria, com o seu uso único e incontornável dos vocativoa porcalhotanos acompanhados dos correspondentes bocejos e das passagens da mão pelo cabelo em estilo chuletano. Eu, flaviense/portenho (de Porto, não de Buenos Aires), não perco. Tal como não perco os saltinhos do seu presidente, que mais parece um dos três porquinhos. Prefiro o meu presidente dragão e, a falta dele, vou até Barcelos ou Braga. Há coreografias imperdíveis como a da novel candidata a Belém a quem na minha rua já baptizaram, à Dinis Machado, por MISS LACA... criatividade é cá arriba, em terras da dita cuja candidata de quem não se conhece uma única ideia própria. Assim vai o mundo.

Anónimo disse...

Para o anónimo das 19:32, logo adepto de duas coisinhas, é de chaves é de chaves e dos sicilianos da invicta. Já não se lembra quando os de Chaves levavam em Vila Real ás mãos cheias.

Anónimo disse...

18 de agosto de 2015 às 19:32, eu que até sou benfiquista não posso deixar de vincar o muito preconceito e a muita possidonice atirada a JJ, que o passado deixou sem educação.

Infelizmente, preconceito e possidonice não são únicos nem incontornáveis - são, aliás, tão asquerosos e repugnantes, que me fazem notá-los sempre que os mais escolarizados se servem de algo tão mesquinho e tacanho como a educação.

Engenheiro

Anónimo disse...

Sr. Engenheiro das 22:: 55
Nunca ouviu dizer que doutores e engenheiros há por aí a chutos e pontapés? Se o passado deixou JJ sem educação, já teve tempo de recuperar. Sobretudo a boa educação. E já lhe deviam ter ensinado que o umbigo dele não é o centro do mundo.A questão é outra, sr. Engenheiro