terça-feira, 23 de junho de 2015

O amigo americano

Nos processos negociais, há sempre cenas de bastidores que só com o tempo acabará por tornar mais claras. 

Neste braço-de-ferro entre a Grécia e os restantes membros do euro, o papel do governo americano parece ter sido importante para pressionar os diferentes parceiros a mostrarem mais flexibilidade. Para além das suas preocupações geopolíticas, será interessante vir a conhecer um dia o que é que os EUA carrearam, em termos concretos, para todo este processo.

Adensam-se os sinais de que as movimentações europeias do secretário do Tesouro americano durante as últimas horas, quer junto do presidente do BCE quer em contactos com o PM Tsipras, somando-se às “démarches” mais políticas junto de Angela Merkel, poderão ter sido um fator determinante.

Não deixa de ser irónico que os americanos possam ter contribuído, pelos seus temores estratégicos, para aquele que pode vir a constituir-se como um importante passo positivo no reforço da zona euro.

Em tempo: resta ainda saber em que medida esta movimentação tem como principal justificação a potencial influência da Rússia no processo. Se assim for, e porque os EUA não costumam atuar de forma tão determinada sem um real fundamento, será necessário começar a coletar dados para "desconstruir", de forma mais "fina", o conteúdo exato dos possíveis entendimentos entre Atenas e Moscovo.

4 comentários:

Joaquim de Freitas disse...

O NOVO MUNDO

Completamente de acordo com o Senhor Embaixador. Não os vemos agir, mas compreendemos que são obrigados de agir. Os Americanos estão colocados entre a preocupação de não se deixarem ultrapassar pela Europa, mas têm sobretudo receio que a Europa facilite a conquista deste cabo da Ásia que é a Europa... pelos Russos! E que por trás desta, lá longe ,há a China, o outro concorrente para a hegemonia mundial.

Passam-se muitas coisas neste momento lá para o Leste do Reno! Putine aumenta o seu potencial nuclear para responder à agressão da NATO na Ucrânia e assina um contrato com Tsipras para a construção do oleoduto através da Grécia...etc. Esta assinatura deve ter feito muito mal aos Americanos.

Reúne em São Petersburgo o SPIEF – São Petersburgo Economic Forum – ao qual participam 74 nações, demonstrando assim o impacto mundial da bela cidade e a integração da Rússia no mundo dos negócios.

A importância dos BRICS é reconhecida por um mundo ocidental invejoso e desfasado que não sabe como se felicitar de ter feito da Rússia um "país isolado e condenado por todos" na cena internacional... Dizem eles ! Renzi visita-o e critica as sanções contra a Rússia!

E mesmo o papa Francisco se desloca para encontrar Putine. O discurso do papa , cada dia que passa, é mais anti capitalista e anti ocidental. Por menos que isso, Salazar mandou o Bispo do Porto para o exílio !

Claro que a matilha de jornais e televisões ocidentais russofobas e psicóticas promovem a imagem duma Rússia isolada. Eu diria cercada pela NATO, isso sim. O que justifica a decisão de Putine de aumentar o potencial nuclear. O Ocidente brinca com o fogo!

Na realidade não é a Rússia que está isolada, é a Europa ocidental. Este "pequeno cabo da Ásia" envelhece, empobrece, deixa escapar a sua "chance" de contribuir à grande aventura eurasiática para obedecer ao seu manipulador de cordelinhos americano. Os maiores jazigos de matérias primas do planeta é no leste da Europa que eles se encontram.

Claro que a América fará tudo para que o grande continente "Eurasiático" da Bretanha à Sibéria não se realize, porque será o fim da hegemonia americana que, vê-se bem , perde todos os dias o seu poder de antanho.

A Rússia está a conquistar o mundo com a China, numa comunidade de nações outrora saqueada pelos nossos banqueiros, deixando os novos escravos do Tio Tom periclitar na vetustez, na paranóia e nos assassinatos raciais doutros tempos do KKK.
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A Europa e a Rússia são o futuro do mundo. E não são os nazis da praça Maïdan de Kiev que o impedirão! A China é a continuação até à Ásia.

Hegel dizia que a sabedoria do mundo vem no crepúsculo do mundo, como a coruja.

Anónimo disse...

o reforço da zona euro é o reforço do capitalismo selvagem e isso interessa aos eua.

se nem o mais ténue keynesianismo pode resistir no mundo, é isso que garante a zona euro, que lógica económica alternativa podem temer os EUA?

JS disse...

Descortinar o que obviamente se passa para além da cortina, por alguém que tem olhos de ver, como o ilustre Embaixador, é quase um lugar comum.

Já publicar, em nome, um versão da realidade tão alheia à comummente aceite, tão "politicamente incorrecta", mesmo que num "blog" despretensioso, assiná-la uma razoável, invulgar e meritória coragem.

Seria interessante ter alguém com olhos de ver em Belém. (suspiro!).
Que mais não seja ... para variar. Juro. Não arrisca uma perninha, como candidato?.
Pelo menos, na pior da hipóteses, daria boa cor, qualidade, à insípida campanha que se avizinha.
Nunca se sabe.

Abraham Studebaker disse...

Nalguns desabafos em que.por mínimos,ninguém reparará,explano a ideia de nos USA existir muita gente de qualidade, no meio de muitíssima ralé.A notícia do post acima mostra que a ralé detém o poder na CE, opostamente aos USA. E leva-nos a esperar,que como em 1945,o amor à Liberdade e à Democracia do país de Abraham Lincoln,valha aos desmandos do destrambelho europeu,que ciclicamente ressurge armado em ditador,agora exigindo reparações, que pagou quando derrotado. Que um dia D da inteligência ocorra brevemente nesta comunidade, outra vez dominada pelas conquistadores derrotados de ontem.