sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Sampaio sobre a Grécia e Portugal

 
“Portugal, desde que entrou para a União Europeia esteve sempre na formação dos consensos necessários. Vivi isso como Presidente da República com os primeiros-ministros que tive, com os negociadores, procurando precisamente que estivéssemos sempre a trabalhar para encontrar um denominador comum, em torno de princípios de solidariedade, participantes num projecto que é comum. Nos tempos que vamos vivendo, acho que os países que têm sofrido mais, não devem pôr-se uns contra os outros. Devem, pelo contrário, encontrar as alianças possíveis, num esforço efectivo de encontrar uma solução que possa servir a União Europeia. Não faz sentido os países estarem uns contra os outros. Não faz sentido… Só quero dizer isto assim, que toda a gente percebe. Não quero dizer mais do que isto. O que é preciso é que possamos continuar na União Europeia, independentemente das dificuldades que possamos encontrar, a procurar as melhores soluções para a nossa caminhada comum.”
 
("Público" 20.2.15)

5 comentários:

Anónimo disse...

Sampaio é inteligente, é sensato, vê longe, é político. Cavaco é de visão curta, sofre de miopia.Passos é bom para discutir no pátio com a vizinhança, mas esquece que tem tantos problemas como ela: fala grosso. Não é político quem quer, nem quem tenha andado de Citroën ou nas juventudes partidárias. Ser político é ver mais, e mais longe!

Joaquim de Freitas disse...

O antigo Presidente da Republica, Senhor Jorge Sampaio, tem o discurso que aprecio. Mas devo acrescentar que tenho vergonha daqueles responsáveis do executivo actual de Portugal , da posição que assumem em relação a um povo que perdeu 25% do PIB após uma purga de seis anos de recessão, imposta pela UE e o FMI, em troca de 300 mil milhões de empréstimos (175% do PIB), 25% de desemprego, e uma promessa de mais austeridade durante dezenas de anos. Quem pode suportar uma tal punição?
Não se pode comparar a Grécia com Portugal, (com os seus 15% de desemprego e os 125% do PIB, ) excepto a miséria!

Se o Grexit (saída do euro) ameaça, e inquieta os credores, estes deviam pedir contas aos dirigentes de Bruxelas e à Goldman Sachs, que aceitaram as contas traficadas da Grécia preparadas com a ajuda do banco, para entrar na UE.

Mas, Senhor Embaixador, não creio que se possa falar de diplomacia quando se analisa o comportamento da Alemanha. Desde o início da crise do euro, a Alemanha só conhece a linguagem do passado : o diktat , termo que ela inventou e praticou desde sempre na Europa, da Anschluss com a Áustria, à militarização do Rhur e à invasão da Checoslováquia.

Impõe uma austeridade generalizada, com o acordo dos sociais democratas, baseada unicamente no credo da redução dos custos, da baixa dos salários e do abandono da politica social . Ao mesmo tempo que os capitalistas nunca ganharam tanto dinheiro que durante a crise.

A grande mentira alemã consiste a fazer crer que a austeridade, ( o "programa" , como diz a pobre ministro das finanças portuguesa, que parece não conhecer outra palavra em termos de economia ), funcionou na Alemanha graças às reformas efectuadas. esquecendo que esta receita funcionou precisamente porque outros países financiavam ao mesmo tempo o seu crescimento a crédito, e podiam comprar produtos alemães. Incluindo a própria Grécia, que desde os aeroportos, caminhos de ferro, e materiais militares, submarinos, etc., recebeu sempre os empréstimos que queria da Alemanha .

A Alemanha é o país da Europa que mais beneficiou da moeda única .

Que dizer da venda dos submarinos U-214 (ThyssenKrupp Marine Systems) da qual o Wall Street Journal escrevia que foi um dos factores explicando a dívida nacional estratosférica da Grécia. Sem falar da corrupção do ministro da defesa Akis Tsochadzopoulos condenado a vinte anos de prisão por ter metido no bolso 8 milhões de euros pagos pela sociedade alemã Ferostaal. Por submarinos que não navegam !

A Grécia deve 40 000 milhões à França! Mas o desastre poderia ter sido pior se os projectos de venda de 6 novas fragatas e 15 helicópteros se tivesse realizado, o que teria custado mais 6 000 milhões!

Em 2013, o orçamento da defesa grego era de 2,5 do PIB. O mais elevado da Europa. Belas encomendas à Alemanha : 1455 tanks, 593 canhões, 241 aviões de combate, 20 helicópteros, 41 navios de guerra 226 mísseis.

A Grécia foi um dos mercados mais sumarentos do capitalismo alemão e francês. Ninguém se preocupava do pagamento. Os bancos emprestavam. Pois bem, agora que assumam a irresponsabilidade de vender armas a um pais sem meios, que se armava por causa da ameaça Turca, que , cúmulo da ironia é um "parceiro" da NATO. Risível !

Anónimo disse...

Sampaio, de quem não gosto, mostra nestas palavras ser um verdadeiro estadista e estar muitos furos acima do actual titular de Belém que comprou uma inútil polémica colocando Portugal ao nível de uma qualquer Macedónia ou Sildávia.

Anónimo disse...

Politeia tem razão sobre o que Sampaio diz e pretende. Leiam esse Blogue.

Anónimo disse...

Do Sampaio não se conhece uma ideia... apenas conversa (fiada)!