quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Ao acordar

Numa prática que segue modelos de outros países, o site "Observador" (o "360°", assinado por David Dinis)  e, desde há dias, o de o "Expresso" (o "Expresso Curto", assinado alternadamente por Pedro Santos Guerreiro e Ricardo Costa) oferecem-nos, logo pela manhã dos dias úteis, duas "cartas" assinadas pelos respetivos diretores, contendo uma revista do dia anterior e propostas para o dia corrente, tudo isso com utilíssimos links para outras publicações, nomeadamente internacionais. 

Quem quiser estar a par do quotidiano, tendo a certeza de não perder o essencial, tem agora estes excelentes instrumentos informativos ao seu dispor, nos quais basta inscrever-se. Dirão alguns que, num caso ou noutro, as escolhas são contestáveis. Teriam sempre que o ser, como é típico de qualquet escolha. Mas um caso há em que isso parece deliberado. É o que acontece com o "Macroscópio", uma newsletter que o "Observador" oferece ao final da tarde, assinada por José Manuel Fernandes, com uma seleção de links que claramente privilegia as opções ideológicas do seu autor, excluindo vária outra informação, o que é pena. 

Uma nota, neste domínio da leitura informática, para o surgimento, em Espanha, de um novo site, o El Español. Em Madrid já funcionava o magnífico El Confidencial, que é um produto de grande qualidade, em especial na área económica. Cada vez mais, a boa informação começa a centrar-se na internet.

Já que falamos de informação, desta vez não informática (ou "numérique", como teimam em dizer os franceses), uma nota para a edição de hoje do "Charlie Hebdo": esgotou logo às primeiras horas da manhã. Nenhuma das tabacarias por onde passei, aqui por Paris, tem um único exemplar. É claramente um "número de culto", apenas para coleções. Daqui a semanas, tudo voltará ao que era, como é da lei da vida.

8 comentários:

Anónimo disse...

Pois o Macroscópio é precisamente o que não exclui as informações que interessam à pessoas, como eu, que não são de esquerda e que entre publicar opiniões politicamente certas (que como se sabe em Portugal, São apenas as da esquerda) e publicar as dos nossos prefere as nossas e NÃO PEDE DESCULPA POR ISSO. É muito bom que em Portugal haja pluralismo de ideias! O que só é hoje garantido porque existe o Observador e a outra tralha toda não desapareceu e continua a poder ser consultada
João Vieira

Manuel do Edmundo-Filho disse...

É caso para se dizer que o Zé Manuel Fernandes não brinca em serviço... (da direita, claro).

Estranho pluralismo este (do sr. Joao Vieira)que às ideias diferentes das suas lhes chama "tralha" e que, quer-me parecer,nada se importaria (ou até agradeceria)se desaparecessem do mapa.

Je suis Charlie.

DF disse...

"Estranho pluralismo este (do sr. Joao Vieira)que às ideias diferentes das suas lhes chama "tralha" e que, quer-me parecer,nada se importaria (ou até agradeceria)se desaparecessem do mapa."

Pôr palavras na boca dos outros, tsk tsk, que raio de argumentação.

O que é certo é que o Observador veio agitar as águas dos media nacionais, muito habituados aos senadores e ao produto de tantos anos de doutrinação nas faculdades. Eles sabem tudo, eles é que têm o direito de saber tudo, agora temos o produto final nesta caco de país.

Ainda bem que estamos a mudar.

Manuel do Edmundo-Filho disse...

Já agora, elucide-me: que interpretação dá o sr. DF à frase "o que só é hoje garantido porque existe o Observador e a e continua a poder ser consultada"?

Anónimo disse...

A interpretação só pode ser a que escrevi: é bom que haja o Observador e que continue a tralha toda para ser consultada. Manuel Edmundo treslê, claro.
João Vieira

Adelino Ferreira disse...

Tralha, foi aquela pseudo entrevista que o Observador fez à "companheira" (militante do PS?) do presidiário Mário Machado.Aquilo sim, até tem um nome bastante mais feio.


Manuel do Edmundo-Filho disse...

"e que continue a tralha toda para ser consultada."

Sr. JV,
A sua frase inicial não é a supra, é esta: "e a outra tralha toda não desapareceu". Aqui parece haver uma lamento por "a tralha" não ter desaparecido. Na frase retocada, já transparece um desejo que a "tralha" continue.

Em qualquer dos casos chama de "tralha" aos jornais com diferentes opções editoriais da do "Observador", o que não revela lá grande pluralismo.

Nada tenho contra o Observador, que leio quase todos os dias,em especial os colunistas (Rui Ramos e Helena Matos)de quem frequentemente discordo,mas a quem reconheço qualidade e profundiade nas análises que fazem,partindo, claro (só poderia ser assim), dos seu pontos de vista. Pontos de vista que são bem-vindos ao debate político.

Sou dos que pensam que o abraço do PPD ao neo-liberalismo é politicamente saudável e dever-se-iam manter abraçados.

A manter-se, teríamos, um sistema (bi-partidário) onde, finalmente, poderíamos optar entre a social-democracia e o liberalismo. Haveria, assim, verdadeira alternativa, o que não acontecia até aqui. E esta dicotomia devia aprofundar-se e solidificar-se na sociedade portuguesa. Era suadável que assim fosse. É o meu ponto de vista (no seu entender, tralha...).

Anónimo disse...

Parecerá a Edmundo -filho que hhá um lamento: tresleu não há esse lamento. Gosto muito de ler a tralha toda. Sempre gostei de conhecer as opiniões dos outros por mais palermas que me possam parecer. A esquerda em geral não é palerma, nem lhe faltará cabeça mas, na minha opinião é pouco lógica é muito emotiva, fazendo uso da distinção posta em moda por Manuell Damásio. Acham sempre que o que desejam é possível (note que não usei a palavra inglesa para descrever os sonhos irrealizáveis e, sobretudo, arruinadores da esquerda em geral.
João Vieira