quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Mandela


Ao final da tarde de ontem, na Fundação Calouste Gulbenkian, homenageámos Nelson Mandela, um ano passado já sobre a sua morte. Foram várias e algo diversas as vozes e as perspetivas de abordagem de uma figura que nos ensinou a todos uma lição muito rara de humanismo.

Coube-me apresentar e ser o interlocutor do embaixador José Cutileiro, depois do interessante retrato que fez do seu encontro com Mandela, ao tempo em que era embaixador português na África do Sul. Cutileiro tem a leitura de que foi limitada no tempo e no espaço a influência efetiva de Nelson Mandela. Na sua perspetiva, Mandela foi um fenómeno sul-africano e a África do Sul foi o alfa e o ómega da sua ação política. A África não terá "crescido" por virtude do exemplo do antigo presidente, não sendo percetível, em particular, uma sua influência concreta no espaço subregional de vizinhança geográfica da África do Sul.

Parabéns à Fernanda Rollo e ao seu Instituto de História Contemporânea por esta iniciativa, acolhida com entusiasmo pela Gulbenkian, na pessoa da sua administradora Isabel Mota.

2 comentários:

Adelino Ferreira disse...

Ninguém é indiferente à luta e sofrimento de Mandela.Foi, talvez, o maior herói africano do seu tempo. O herói que pouco tempo antes da mudança política da África do Sul era acusado pelos EUA de terrorista.Olhando para o presente e parafraseando alguém:Tanto sofrimento para tão pouco.Penso até, que muitas vezes se terá confrontado consigo mesmo.A "Porta" ficou aberta, a luz está tão longe que mal se enxerga.

Joaquim de Freitas disse...

Foram raros , até hoje , os homens que foram capazes de fazer prevalecer a força da política sobre a política da força. Acabar, pacificamente, com o regime mais degradante , verdadeira nódoa vergonhosa para toda a humanidade até ao fim do XX° século, restará para sempre como a grande obra de Nelson Mandela. "Madiba" merece a paz eterna e a nossa admiração.