quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

A esquerda e as greves

Às vezes, há a ideia que ser de esquerda é estar, como regra, ao lado daqueles que fazem greves. Assim, não sei o que há-de fazer alguém que se considera de esquerda e que se opõe:
 
- às greves do pessoal da TAP, que afetam dia após dia, o valor da companhia e parecem ter como objetivo desvalorizá-la para a "passar a patacos" na privatização;
 
- às greves de enfermeiros por altura do surto da "legionella";
 
- às greves dos maquinistas da CP, que já se fazem substituir por atrizes brasileiras na condução a alta velocidade;
 
- às greves dos professores comandados pelo inefável Mário Nogueira, cujos estudantes a quem deu a última aula devem estar já à beira da reforma.

21 comentários:

Anónimo disse...

Mas sendo de esquerda ou de direita porque se há-de opor às greves quando:

- No caso da TAP é a própria empresa que não cumpre o que foi acordado com os sindicatos;

- No caso dos enfermeiros, é uma classe muito mal paga, com horários absurdos, e à semelhança dos outros FP, sem qualquer progressão na carreira;

- Quanto aos maquinistas da CP, querem as suas condições de trabalho melhoradas. São responsáveis pelo transporte de centenas de pessoas.

- Relativamente aos professores, mais greves devem fazer, as condições de ensino, escolas, progressão na carreira,...são deploráveis.

Os casos que foca são tudo funcionários públicos ou funcionários de EPE. Mas pagos e mal remunerados quando comparados com as suas administrações. Veja-se os ordenados na TAP....

Anónimo disse...

Senhor Embaixador, não posso concordar consigo.

Publicou em baixo que irá regressar às necessidades como Presidente da AG das ASDP devido "A difícil situação que atravessa a "condição diplomática". Se a "condição diplomática" atravessa uma situação que o preocupa, imagine todos os outros funcionários públicos que não têm por detrás todo o peso e a influência que representa o MNE, já que um país, por mais pequeno que seja, não pode viver sem politica externa. Sabe também, seguramente, que os diplomatas são os funcionários públicos mais bem pagos.
Eu compreendo-o. Mas temos saber colocar-nos nos lugares dos outros para fazer uma boa análise. Um exercicio de empatia é necessário.
Olhe para os profissionais da inteligência. Vivem no escuro e nem uma associaçãozita têm. Abraço

Anónimo disse...

Meu caro,
as greves não são de esquerda ou de direita. Aliás, historicamente a direita europeia sempre preferiu greves feitas por sindicatos fortes pois pretendem o Estado mínimo mas conservador e com autoridade qb e para isso têm que existir os tais sindicatos representativos.
Eu talvez seja de esquerda pesando toda a minha carga ideológica mas quando:

-a TAP faz greve eu culpo a TAP empresa. E quem representa a TAP empresa é a sua administração;
-nos enfermeiros culpo o outsourcing que anda a alimentar negócios paralelos aos Estado pertencentes a pessoas de esquerda e de direita;
-à CP aplica-se o que disse para a TAP; se a greve me prejudica é a CP empresa que me deve ressarcir(quero lá saber do que se passa internamente, eu pago o bilhete quero o serviço nem que seja a admnistração ou a estrutura hierárquica quase toda ela politizada pelos partidos do centro, que me resolva o problema);
-sobre os professores, é uma greve mais do que justa. Aquela prova nunca deveria existir, é uma aberração e um atentado ao ensino superior em Portugal. A existir deveria ser antes de iniciar a formação no acesso a cursos de Mestrado ou, quanto muito, no acesso ao mestrado profissionalizante. Em plena carreira é uma cretinice.

JL

Anónimo disse...

Ao comentário do anónimo das 13.09
O que é que tem a ver o "cú com as calças"...quando fala na comparação dos ordenados do "pessoal" com os das administrações?...

Anónimo disse...

Ou explicar que é patriota mas defende a anexação de Olivença pela Espanha, sei lá...

Luís Lavoura disse...

O surto de legionella foi uma coisa muito local, apenas em Vila Franca de Xira. Não justifica de forma nenhuma o cancelamento da greve dos enfermeiros. Quando muito, pode justificar serviços mínimos acrescidos na área desse concelho.

Acresce que esse surto foi muitíssimo empolado pela camunicação social e não correspondeu a qualquer perigo substancial para a população. Os enfermeiros não têm nada que deixar de fazer greve lá porque os mídia decidem fazer um sururu com 3 ou 4 mortos (muito idosos e já anteriormente doentes) a mais.

Joaquim de Freitas disse...

O direito de greve é um bem precioso, garantido pela Constituição. Como em todas as democracias. Um bem precioso que é preciso não depreciar ou desviar .
A relação de força existe desde que se trata de conciliar interesses que podem ser contrários, mesmo se cada um tem interesse em entender-se e a estabelecer uma relação de confiança. A greve pode ser um modo de acção de ultimo recurso quando todas as outras vias de negociação foram esgotadas.
Isto para a teoria. A prática é um pouco diferente.
Contrariamente à bela ideia democrática, não somos todos iguais perante o direito de greve. A capacidade duma greve a pesar sobre o curso das coisas depende mais do poder de dano ou nocividade dos grevistas que da legitimidade acordada à sua causa. Por isso são cuidadosamente escolhidas: a data e as actividades.

Os pilotos da TAP, como os da Air France há pouco tempo ou os da Lufthansa neste momento deveriam ser privados do direito de greve sob o pretexto que a sua profissão e mais ainda os seus salários fazem sonhar toda a gente ? Claro que não.
Somos todos os "nantis" (bem providos ?) de alguém.
E há aqueles que estão em posição de "força" , posição dominante, e há aqueles que se fizeram greve não prejudicam ninguém. Os trabalhadores da fábrica de tabaco da imperial Tobacco, podem fazer greve o tempo que quiserem, não impedirão ninguém de ir trabalhar. Mas os da CP ou da Carris, esses sim, podem perturbar o mundo do trabalho.
Na firma que dirigi tive greves. Sempre no fim do ano, quando as encomendas importantes para a exportação, de milhões de francos ou de euros, deviam ser expedidas e "facturadas"! Isso sim, é danoso e incita à negociação! Mas as greves que me exasperavam mais eram as greves politicas nacionais, ditadas da place do Colonel Fabien, que visavam a política geral do governo, mas não tinham nada a ver com a nossa actividade.
Actualmente, vemos greves e acções dos notários, dos farmacêuticos, e de outras corporações que se batem fora do contexto para preservar monopólios.
A isso chama-se o corporativismo. Muito longe do progresso social.

Anónimo disse...

Concordo inteiramente com JL.
Lourenço

opjj disse...

Manifestei aqui a irresponsabilidade da greve da TAP dizendo que há muito deveria ser privatizada. Um anónimo não gostou e dizia que a ser assim tb deveríamos privatizar, Militares,Bombeiros, Educação, Justiça, etc. Tem opções, Coreia, Cuba, Venezuela,Sudão etc. É de facto uma violência viver em regimes capitalistas que deram e dão as melhores condições de vida aos seus neste mundo.
Os mais contestatários são os que vivem debaixo do chapéu do Estado.
Quem tem 60 anos sabe que a sua qualidade de vida é incomparávelmente melhor do que qd era garoto.Há assistência para tudo!
Oxalá a coisa não fique mais preta!
Cumps.

Joaquim de Freitas disse...

Ao Senhor JL - e ao anonimo das 13:06


De esquerda ou de direita, um utente da CP ou de não importa qual serviço publico, é penalizado pela greve. Por isso mesmo a direita exige "um serviço mínimo" e a esquerda, não ousa contrariar esta exigência. Mesmo sabendo que o governo , embaraçado a cada greve dos serviços públicos, poderia ser tentado de utilizar esta alavanca para limitar o direito de greve senão mesmo de o por em causa.

Mas, bloqueado entre o direito de greve, que é constitucional, e a continuidade do serviço público, que também o é, a garantia de um risca de limitar o exercício do outro.

Sejamos honestos - e nisso tem razão quando aponta as deficiências do patrão Estado - a degradação dos serviços públicos ligada à sua mercantilização e rentabilização ( no caso dos hospitais é catastrófica para a qualidade dos tratamentos), estão na base de muitos conflitos sociais.

O Estado -patrão age astuciosamente : deve "gerir" o descontentamento dos utentes, ( não esquecer que são eleitores também !) , dirigindo os projectores sobre os sindicatos e os grevistas, e sobre as consequências das greves, e, demagogicamente, deixa de lado as causas!

Ah, estes grevistas privilegiados que têm um emprego e a segurança do emprego!

As margens de manobra do Estado e do patronato sendo cada vez mais reduzidas devido à concorrência mundial , incita-os a não ceder às greves . Os empregos são assim cada vez mais precários e veremos que a precarização será um dia institucionalizada. A greve será assim abolida.

HY disse...

Caro opjj, pode explicar-me em que é que HY é mais anónimo do que o seu pseudónimo?

Como parece que não percebeu o meu argumento eu explico-lhe . A discussão não era sobre a greve (falta de memória?) mas sobre a actuação do governo na rtp e o senhor apareceu a explicar que, tal como a TAP, como são empresas que dão prejuízo o melhor era privatizá-las porque nao dão lucro. Foi só nesse contexto que lhe disse, que a questão do lucro é a única que conta então privatize-se tudo o que não dá lucro. Se acha que só em países como a Coreia do Norte a é que há serviços públicos como a RTP , o problema é seu, o Salazar também achava que todos os que se lhe opunham eram comunistas, mas não aldrabe os termos da discussão, por favor. Da próxima vez que vir algum programa da "totalitária" BBC lembre-se dissonado lucro.

Joaquim de Freitas disse...

Cher opjj :

Recursos naturais, dinheiro público, patrimónios nacionais, infra-estruturas, aeroportos, portos, auto estradas, correios, são objectivos em ouro para os tecnocratas da Alta Finança internacional. O controlo financeiro e gestionário que exercem sobre a economia privada ocidental - e dentro em breve mundial confere-lhes um poder que lhes permite de se instalar no seio da economia pública, fonte infinita de riquezas.
Os governantes "compreensivos" podem abrir-lhes a porta com uma finalidade idêntica : privatizar as instituições e os serviços públicos.
A privatização a marchas forçadas dos serviços públicos deu como resultado o encarecimento dos produtos ou a eliminação da sociedade.
No caso da TAP a sua privatização corresponde ao desaparecimento puro e simples da companhia nacional. Pelas mesmas razões outras companhias mais importantes desapareceram do mapa.

Anónimo disse...

Passos Coelho teria dito algo semelhante.
Gonçalo Bastos

Anónimo disse...


Oh Sr. Embaixador...

O Sr. está a perder qualidades...
Então aquela do Mário Nogueira ... A sua estatura intelectual e cultural dizem-me que não havia necessidade. É entrar na vulgaridade e assim se vai perdendo o respeito daqueles que lhe atribuíam a referida estatura.

Cumprimentos

João Pedro

Adelino Ferreira disse...

Costumo passar por aqui com regularidade e este post fez-me pensar que me tinha enganado na porta. As greves são feitas por trabalhadores que perdem o seu salário para lutar pelos seus direitos legítimos. Já sobre o Dr Mário Nogueira cabe aos professores que integram a estrutura da Fenprof destituir ou reconduzir. Já diziam o mesmo do doutor Carvalho da Silva da CGTP.Os serviços mínimos que a lei determina sendo observados nem faz sentido discutir as greves. E porquê? Por estão reunidas as condições que a lei determina.

Anónimo disse...

"Por estão reunidas as condições que a lei determina"...

e a lei nao se discute!

e quando um governo democraticamente eleito resolver, mudar a lei, a lei nao sera discutida..

Anónimo disse...

As pessoas fazem greve por que querem melhores condições de trabalho ou porque-lhes alteraram as mesmas. Se as pessoas continuam a trabalhar para o desenvolvimento das empresas porque hão-de de ver os seus rendimentos reduzidos quando por exemplo vêem as administrações a terem cada vez mais e melhores qualidades de vida? Porque se vê as administrações das EPE com salários milionários quando as empresas têm dado prejuízo ano após ano? Boa gestão? Porque há-de um trabalhador qualquer ter que trabalhar 10/12/15 horas por dia e não ver essa dedicação compensada? Onde está a tão proclamada democracia quando em 40 anos já quase que fomos 3 vezes à banca rota e as condições de vida são piores estando todo o mundo endividado?

Anónimo disse...

O senhor embaixador tem uma surpreendente noção do sindicalismo. Surpreendente para um homem de esquerda, digo. Então, um dirigente sindical teria de exercer funções laborais durante o horário normal de trabalho e para além dele (ensinar, fazer e corrigir testes, reuniões, etc), e talvez depois do jantar, depois de deitar os filhos, ir ao sindicato? Sindicalismo como hobby? Acho que nem no princípio do século XX.

JOÃO Santos disse...

Sr. Embaixador:
desta vez a sua reflexão é despropositada e sem sustentação.
Claro que me faz lembrar o rio revolto por causa das margens que o apertam, além da incrível, no seu caso, deriva populista na escolha dos exemplos, todos eles infelizes.
De referir ainda que a Administração da TAP é responsável por dar ensejo a que greves motivadas por questões que nos parecem menores, mas cuja solução me parece "menor" em custos internos do que os prejuizos que provoca, quer à TAP quer ao país.
Também eu, enquanto responsável de empresas, com muitos trabalhadores, na cintura industrial de Lisboa, sofri greves, desconfianças, riscos nos carros, sequestros etc, mas ...os grevistas tinham razão; nós, os responsáveis é que não conseguimos resolver os problemas!
João Barros

Adelino Ferreira disse...

Anónimo das 06,58 porque (assim está bem?) quando houver um governo que altere a lei da greve os trabalhadores ficam obrigados a cumprir a nova lei .

Anónimo disse...

Caro João Barros,

Os grevistas nunca têm razão se riscarrem carros e sequestrarem pessoas....

NSM