quinta-feira, 23 de outubro de 2014

A França em Portugal

Foi hoje anunciado que o edifício do Intituto Franco-Português em Lisboa vai ser vendido e que o respetivo trabalho passará a ser feito dentro da embaixada. Também o Consulado-Geral francês no Porto vai desaparecer, passando Paris a ser ali representado por um cônsul honorário.

É com pena que se constata que a França envereda, seguramente por razões financeiras imperativas, por uma política que, de forma manifesta, enfraquece a presença em Portugal da sua língua e da sua cultura. Para aqueles que, como eu, são francófilos esta não é uma boa notícia. Longe disso.

12 comentários:

Anónimo disse...

Caro Francisco,
Também a França se foi esquecendo de que a sua língua era falada por muitos outros povos e bem aceite noutros países, como o nosso. Prevaleceram, nos últimos 50 anos, os interesses económicos e de marketing, de que os anglo-saxónicos tiraram partido. As novas gerações de portugueses, em geral, também já não aprenderam francês no ensino secundário. Esta agora é mais uma machadada na difusão da cultura francesa no nosso País. Pouco a pouco as línguas latinas perdem terreno, talvez com excepção do castelhano, devido à América Latina. Portugal também tem sido tímido na difusão da sua língua, apesar de ser falada em todos os continentes e com um notável número de falantes. É pena que se encare tal tarefa como um simples encargo financeiro...
José Honorato Ferreira

Joaquim de Freitas disse...

Vous avez raison, Monsieur l'Ambassadeur. Um dia de luto para a cultura , tanto para Portugal como para a França. As arbitragens do orçamento de Hollande são catastróficas. Seria melhor economizar o dinheiro dos bombardeamentos no Iraque e na Líbia e preservar o lugar da França no mundo. Mas Hollande é "petit".

Si haut qu'on soit placé, on n'est jamais assis que sur son $$$ (MONTAIGNE).

Portugalredecouvertes disse...


Poderemos pensar que na Europa estamos longe do "un pour tous, tous pour un"!
a internet pode ser uma boa ferramenta para o uso das línguas europeias que estão a perder terreno
boa noite a todos
Angela

Anónimo disse...

Lamentável.Só isso me ocorre.Para a minha geração é mais uma marretada na cabeça.e as equimoses já começam a ser demais!

Catinga disse...

O edifício da Luís Bívar é uma espécie de cápsula do tempo. Quem lá tenha ido nos anos 80 e lá passe agora encontrará pouquíssimas diferenças. Até o mobiliário é o mesmo!

Catinga disse...

Apesar de tudo, os impostos dos cidadãos portugueses continuam a financiar o ensino do francês em Portugal. Impostos esses que não servem para sustentar o ensino do português - sequer! -, aos filhos dos emigrantes em França.

Carlos Falcão disse...

Cartão vermelho!
Um a um, os diques cedem face aos defensores do liberalismo todo-poderoso e batalha da excepção cultural esta a caminho...
C.Falcao

Anónimo disse...

Sem ironia, expliquem-me de que maneira serve a França um Consulado Geral no Porto??? Tenho imensa dificuldade em entender quando algum Embaixador, Consul ou diplomata português também reclama de quando é fechado algum posto na rede. Portugal tem uma rede de embaixadas e consulados hiper-dimensionada para as possibilidade, necessidades e dimensão do país. É preciso ter coragem e encerrarem-se diversos consulados de Portugal no mundo que para nada servem a não ser para despesa e, principalmente, encerrar residências oficiais que pela opulência tornam o país ridículo do lado de quem nos vê de fora. Não é orgulho, pelo menos para mim, quando elogiam as nossas Embaixadas no exterior porque a maioria são elegantes e muito bem localizadas. Para mim isso é sinal de uma tremenda irresponsabilidade e falta de coragem para tomar decisões. Fez muito bem a França.

MS-Mnininha Soncente disse...

Aqui em CV, o Instituto Francês fechou as portas...

rmg disse...


Sou há muitos anos "lecteur" da Médiathèque do IFP, uma espécie de sócio.

Falo e escrevo o francês tão bem como o português há uns 60 anos e ainda só tenho 68.
Tenho milhares de livros franceses e toda a música francesa possível dos anos de ouro.

Posto isto à laia de "disclaimer":

Os meus filhos percebem "umas coisitas poucas" e os meus netos não percebem nada de nada, nem querem.
O francês é uma língua lindíssima mas o que eu me ofereci para lhes pagar são lições de mandarim.

As coisas são o que são (Cunha Rêgo...) e o mundo é outro excepto para os velhos de pensamento (e não necessáriamente de idade).

Apreciei muito o seu post, que analisa o facto do mesmo modo que eu o analiso.

Já não aprecio os comentários dos "indignados" que muito provávelmente nunca entraram no IFP nem sabem lá ír ter.
Se aquele espaço deixou de fazer falta é porque ninguém lá vai: como já se percebeu sei do que falo.
Fossem lá, como eu vou!

De qualquer modo o trabalho não deixará de ser feito pelo que se a preocupação é essa não faz sentido.


RuiMG

PS - Esta política do governo francês começou a ser posta em prática em 2007, portanto terão hesitado antes de chegar a nós...

Anónimo disse...

Prezado Embaixador.
A França sai... e os árabes invadem!
Tenho lido algo a respeito da invasão árabe em Portugal, o embaixador poderia comentar se há alguma verdade nisso?
Do Brasil

Anónimo disse...

caro anonimo das 15h32

o amigo mora no estrangeiro?
e diga me uma coisa, o dinheiro de portugal é mais bem gasto em consulados ou nas rotundas de viseu?
e pode-me dizer o que é dinheiro bem gasto? o das junta de freguesia para ajudar o martinhense a ter a sua equipa de futebol? ou o do estado para evitar as falencias do bcp e do bpn?
pois...

cumprimentos