domingo, 26 de outubro de 2014

A diplomacia e a economia

Não sei quantos terão paciência para ler o texto, mas achei não dever deixar de registar aqui o depoimento que fiz, há dias, no Porto, nas V Jornadas Empresariais da Associação Empresarial de Portugal, sobre as relações entre a diplomacia e a economia, em especial na perspetiva do comércio externo.

A chamada "diplomacia económica" surgiu no discurso mediático, há pouco mais de uma década, como uma espécie de "descoberta da pólvora", numa tentativa de alguém de dar ares de estar colocar as Necessidades, pela primeira vez, num registo "business friendly". Ora o tratamento das temáticas económicas fez sempre parte integrante da vida diplomática, no meu caso praticamente desde o primeiro dia em que entrei para o Ministério dos Negócios Estrangeiros. Todos os meus colegas, com maior ou menor intensidade, quase sempre apenas dependente da orientação superior recebida, das solicitações e dos meios disponíveis, fizeram isso durante toda a sua vida profissional. E, claro, continuam a fazê-lo.

Tentei explicar na minha intervenção aquilo que entendo que devemos considerar como as atuais responsabilidades da diplomacia na área económica. Fi-lo naturalmente à luz da minha experiência passada, seja nas coisas europeias, seja nas duas últimas embaixadas onde servi. Não fui "meigo" na análise de algumas das nossas insuficiências e, muito em especial, disse o que pensava sobre o modo irresponsável como, nos dias que correm, está a ser tratada a máquina diplomática portuguesa.

Aqui fica o texto.

4 comentários:

jj.amarante disse...

Faz um bocado parte da natureza da vida que as novas gerações façam "descobertas de novidades" que há muito tempo faziam parte das preocupações dos mais velhos. Pode-se tentar minorar o fenómeno mas não se consegue eliminá-lo ocmpletamente.

Jose Martins disse...

Senhor Embaixador,
Já várias escrevi sobre a "triste" invenção do AICEP.
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Troquei vários e-mails (eu era o representante do ICEP, junto da Embaixada de Portugal em Banguecoque) com o vice-presidente do ICEP, engenheiro Diogo Mendonça Tavares, sobre a extinção do ICEP, um instituto com meio século, de que o AICEP seria um autêntico fiasco. E-mails que não tardarão ser publicados.
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Embaixador Martins da Cruz,nomeado ministro dos Estrangeiros pelo seu amigo, dos copos e das viagens do PM Cavaco Silva,o delfim Durão Barroso, pretendeu dar um doce e uma atribuição, mais, à diplomacia portuguesa, quando esta nunca (não quero atingir o embaixador Seixas da Costa e outros bons diplomatas) esteve vocacionada para divulgar o comércio português no exterior.
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Embaixador Martins nunca foi mais que um “pavão” que armava em leque as penas coloridas. Protegido pelo PM Cavaco Silva e até jeitoso para a missão protocolar das viagens. Conheci-o em Banguecoque em Abril de 1987 quando, jovem pavão, as suas penas a tomarem cor.
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Fico por aqui hoje e mais adiante irei pronunciar-me sobre a matéria.
Seu adimrador

Anónimo disse...

Se formos recolher todos os tratados comerciais efectuados ao longo da nossa história diplomática, encontramos as provas da existência de uma diplomacia económica de longa data. Para haver tratados comerciais tiveram de existir negociações para os realizar.

Joaquim de Freitas disse...

Extremamente interessante este texto, Senhor Embaixador. Imagino as dificuldades da diplomacia dum pais como Portugal , quando se trata de "prospectar" no estrangeiro clientes potenciais para os empresários Portugueses. A minha experiência profissional, no estrangeiro, ao serviço duma firma estrangeira,(hélas !), permitiu-me avaliar quão importante pode ser o apoio duma embaixada, e sobretudo do conselheiro comercial junto da embaixada, nos primeiros passos duma empresa que procura colocar os seus produtos, criar uma rede de distribuição e mesmo, eventualmente, negociar a cessão de licença de fabricação no pais.

Por ter solicitado o apoio desses serviços frequentemente, sobretudo nos países asiáticos, beneficiando dos seus conhecimentos do mercado, e mesmo da língua, o conselheiro comercial é um elo imprescindível para a difusão dos produtos. Mesmo , por vezes, certas informações comerciais sobre a capacidade de pagamento de certos clientes, que a COFACE (Assurance Export) em França disponibiliza , mas que o conselheiro conhece por vezes melhor ainda.

O comércio internacional é cada vez mais móbil. Estamos em fluxos cruzados de investimentos porque as cadeias de produção estão imbricadas à escala do mundo.. A velocidade de resposta é primordial. Por isso, a estrutura dos serviços deve estar à altura.

Mas tenho a impressão, que a boa organização é aquela que se adapta em permanência.
Aquando da formação do ultimo governo de Valls, os serviços económicos passaram sob a direcção do MNE, Laurent Fabius. Mesma preocupação que a que se verificou em Portugal?

Há quem pense que a mobilização dos Embaixadores para a difusão da casa França, incluindo o Turismo, por Fabius, é uma boa coisa. Outros pensam que a diplomacia economica do MNE quando se é também fornecedor de armas ( o 3° no mundo) complica a tarefa dos exportadores e dos diplomatas. Na minha opinião, ver as CCI Internacionais no mesmo serviço que os "marchands de canons" não me parece judicioso. Mas também é verdade que là onde vendem os canhões também vendem os produtos alimentares. A Agro-alimentar sendo uma das principais exportações francesas.