segunda-feira, 15 de setembro de 2014

José Soares Martins (1932-2014)

Morreu José Soares Martins. Aos 24 anos, como padre, partiu para Moçambique. A comunicação social e a escrita eram, contudo, a sua verdadeira vocação. Começou por trabalhar no "Diário de Moçambique". Em 1962, lançou o semanário "Voz Africana" e, mais tarde, a revista "Economia de Moçambique". Regressou a Portugal em 1968, onde viria a ser responsável na "Voz Portucalense". No Porto, Soares Martins colaborou ativamente no setor cooperativo e editorial, desenvolvendo ainda atividade na luta anti-colonial.
 
Entre 1978 e 1996, foi adido cultural na embaixada portuguesa em Maputo. Foi aí que o encontrei, por duas vezes. Recordo-me de uma longa conversa que tivemos, no hall do Polana. Era grande a minha curiosidade em conhecer pessoalmente "José Capela", o curioso pseudónimo sob o qual desenvolveu um importante trabalho de resgate da memória da luta do povo moçambicano, com singulares contribuições no campo da história da escravatura. Eu tinha várias desses livros. Recordo o homem sereno, modesto, que relativizava a importância do seu exemplo e da sua obra.
 
Às vezes, pergunto-me se as antigas colónias souberam dar o devido reconhecimento à atividade dos portugueses que, desde muito cedo, se colocaram ao lado da luta anti-colonial, correndo elevados riscos, o menor dos quais não era o da incompreensão por parte dos seus compatriotas. Até hoje! Gostava de ter perguntado isto a Soares Martins.

4 comentários:

Anónimo disse...

Tive o gosto, e o privilégio, de o encontrar no Maputo e de jantar em sua casa.Pessoas assim, há poucas. Acresce ainda que à sua obra, como José Capela, nunca foi dada a merecida importância.O governo de Moçambique devia estar-lhe grato. E associo-o sempre a D. Sebastião Soares de Resende, bispo da Beira, de que era, creio, sobrinho. Não sei se alguma vez o governo português o condecorou.Se si, muito bem; se não, muito mal.

Anónimo disse...

Sabem mesmo quem é?????? Já não podemos perguntar à Marcela Torres.

ECD disse...

Uma excelente pessoa, um grande militante anti-colonial, um grande investigador. Todos, nos Estudos Africanos, lhe devemos muito; como muitos e muitos outros, devo-lhe ainda a amizade.

Anónimo disse...

Ao Anónimo das 18:14 : sim ,era sobrinho do Bispo da Beira, D. Sebastião Soares de Resende e foi pela sua mão que chegou a à Beira , creio que no princípio dos anos 50.