quarta-feira, 2 de julho de 2014

Sophia de Mello Breyner

Um dia em que a poesia toma as notícias é um bom dia para um país. É bom sentir Portugal numa onda de consenso em torno de um nome das letras que, por direito próprio e incontestado, toma o caminho da imortalidade institucional. Marx dizia que a filosofia explicava o mundo, mas que era tempo de o transformar. Ouvi ontem Sophia de Mello Breyner, numa velha entrevista, dizer uma coisa similiar, relativizando a importância da sua poesia e apelando ao dever da intervenção cívica. Leiam Sophia de Mello Breyner! Faz bem.

9 comentários:

Isabel Mouzinho disse...

Concordo consigo! Ler Sophia de Mello Breyner é fundamental...

Maria-Fernanda Pinto disse...

Grande escritora, grande senhora e sobretudo ainda não incomodada pela porcaria do A.O..

Anónimo disse...

Sofia , "Tareco" e Miguel, boas e decisivas intervenções políticas, cívicas e literárias.

Guilherme.

Anónimo disse...

Pena estar tão mal acompanhada no Panteão: um jacobino, sem dúvida um grande escritor, que foi cúmplice na intentona do assassinato de D. Carlos e um general cujo curriculum vitae tem muito que se lhe diga, independentemente da coragem que demonstrou ao enfrentar Salazar em 1958.
José Maria Amador

Isabel Seixas disse...

Hum se faz bem...

Apesar das Ruínas

Apesar das ruínas e da morte,
Onde sempre acabou cada ilusão,
A força dos meus sonhos é tão forte,
Que de tudo renasce a exaltação
E nunca as minhas mãos ficam vazias.

Sophia de Mello Breyner Andresen, in 'Antologia Poética'
Tema(s): Sonho

Anónimo disse...

E a utopia de Sophia de 67 continua bem longe, fazendo parecer os actuais actores (assim, porque pouco entendo de AO) o ministro da propaganda de Saddam.
Valham a nós comuns, as grandes Mulheres e os grandes Homens que, com frequência de espantar neste País, sobressaem do joio, pela grandeza própria.
antónio pa

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

Um dos meus preferidos

Quando

Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
Continuará o jardim, o céu e o mar,
E como hoje igualmente hão-de bailar
As quatro estações à minha porta.

Outros em Abril passarão no pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei.

Será o mesmo brilho, a mesma festa,
Será o mesmo jardim à minha porta,
E os cabelos doirados da floresta,
Como se eu não estivesse morta.

Sophia de Mello Breyner Andresen, in 'Dia do Mar'

Anónimo disse...

Será que os grunhos que andaram com piadolas quando a Presidente da AR, há tempos, falou de "custos", perceberam, finalmente, que a "panteonização" não é meramente mudar ossos de sítio?

Carlos Fonseca disse...

Duvido muito que, se pudesse dar a sua opinião, Sophia de Mello Breyner aceitasse que os seus restos mortais ficassem depositados no Panteão.