terça-feira, 1 de julho de 2014

Sarkozy

Sarkozy detido! Não sou muito dado a surpresas, mas devo dizer que esta é uma notícia inesperada. Ver um presidente da V República sujeito à mesma disciplina pública de qualquer outro cidadão é uma "première" e diz muito de como o mundo mudou. 

Para o bem e para o mal, a sacralização da função presidencial diluiu-se definitivamente num país onde o prestígio da função era, em si mesmo, uma das forças constituintes do imaginário do próprio poder. A V República já não é o que era ou os seus presidentes já não são aquilo que nos habituáramos que fossem? Será que a responsabilização dos políticos já ganhou um estatuto irreversível? 

Não consigo deixar de comparar Sarkozy com Nixon. A mesma energia, uma inegável capacidade de ação e, a confirmarem-se estas imputações, o mesmo desprezo pelos princípios e uma lógica de fins a orientar-lhe a vida.

13 comentários:

Anónimo disse...

Seria impensável no nosso caso. Com as tricas muito mal explicadas relacionadas com o BPN, já teria, pelo menos, sido obrigado a demitir-se. Mas não. Lá continua. E Isaltino foi parar à cadeia porque o partido e ele se separaram e deixou de ter suporte político. Caso contrário, quem sabe, ainda estava na Câmara. Por cá aceitam-se certas explicações de certos políticos e a coisa passa. Coisas deste género e depois ver grandes responsáveis políticos obrigados a demitirem-se, ou irem parar à cadeia, ou enfrentar a Justiça, acontecem em países como os EUA, Israel, França, Alemanha, R.U, etc. Mas nunca por cá. Nem com envolvimentos mal explicados na porcaria daquele lamaçal que é o BPN. PR, PM, Ministro, por cá acabam por conseguir um estatuto de intocável. Lamentável.
Nuno J.

Helena Sacadura Cabral disse...

"Não consigo deixar de comparar Sarkozy com Nixon. A mesma energia, uma inegável capacidade de ação e, vê-se agora, o mesmo desprezo pelos princípios e uma lógica de fins a orientar-lhe a vida".
Embora não nutra por Sarkozy qualquer simpatia, o homem ainda não está julgado. Foi detido para inquérito e averiguações, o que pode suceder a qualquer um sem distinção de cargos.

Anónimo disse...

Não sei se a V República já não é o que era ou se são os seus presidentes que já não são aquilo que foram, o que sei é que a "função" ou "prestígio da função em si mesma" não pode ser causa de exclusão da ilicitude ou da impunidade. Pelo contrário, homens e mulheres que pretendem ocupar a gestão da "res publica" têm de ser/ter obrigatoriamente qualquer coisa mais do que o cidadão dito normal. Se não contrato alguém mediano para desempenhar uma tarefa difícil e complexa, também não devo eleger ninguém a quem falte um conjunto de predicados mínimos para o desempenho da função. Por sua vez, o eleito tem de ter a plena consciência dessa exigência de caracter e de postura e deve aceitar as decorrências disso. Por isso, deve prestar contas daquele desempenho e deve ser censurado, se for caso disso. Abomino quem usa os poderes públicos para tratar da sua vidinha e tenho pena que, no quadro legal nacional, não haja mais demonstrações de inequívoca
capacidade de investigação sobre a vida de quem, exercendo funções publicas, tem desprezo pelos princípios e uma lógica de fins a orientar-lhes a vida.
LN

Anónimo disse...

Os homens e mulheres da justiça em Portugal não sei se têm a mesma verticalidade que os franceses!
Decerto até têm e não haverá é homens da craveira do Sarkozy.
Mas o vocabulário da justiça também não é igual em França e em Portugal!
Em França, a situação do Sarkozy, nesta etapa do processo, não merece o titulo de "detido" mas tão somente o de "mis en examen" o que em si já é carregado de simbolismo...
Mas todos os comentadores acrescentam, como para atenuar, que "une mise en examen" não é uma condenação e que o homem pode estar completamente inocente etc e tal.
Por isso, o Sarkosy não está detido! A justiça está a averiguar o caso. Este caso.
Aqui não se diz "detido"; nem "détenu" nem "retenu", mas "une mise en examen" já é uma coisa do caraças!
José Barros

Francisco Seixas da Costa disse...

Cara Helena: tem toda a razão! Há uma presunção de inocência que sempre deve ser respeitada. Foi una precipitação da minha parte. Vou alterar o post.

Anónimo disse...

E a Bruna?

O sr. embaixador só registou um acontecimento.

Nos tempos que correm há muitos comportamentos que devem vir a lume.

O poder não pode ser só uma bola de encantamentos.

Há muita fome sofrimento e injustiça social.

Silva.

Anónimo disse...

Sarkozy não foi detido. Foi só " mis en examen" com a duração máxima de 24+24 horas. Depois disso se verâ.

Francisco Seixas da Costa disse...

Para acabar com a discussão:

DETENÇÃO – Código do Processo Penal: "A detenção é a captura de qualquer pessoa para ser presente a um juiz, como arguido ou para assegurar a presença do detido em acto processual, que obtém cobertura no artigo 27º, nº 3 da CRP. Trata-se de uma medida breve, constituída pela captura de uma pessoa com finalidades imediatas."

Anónimo disse...

O código de processo penal português ainda não se aplica em França, creio eu. Aliás, Sarkozy foi colocado em "garde à vue" e (ainda?) não "mis en examen". Nem o Senhor Embaixador nem o anónimo das 20.53 têm razão.

Anónimo disse...

Agora sim! Sarkozy acaba de ser" mis en examen" por corrupção activa. Ainda há justiça neste mundo.

Anónimo disse...

Há alguém que deve estar a esfregar as mãos de contente. Alguém a quem Sarkozy havia prometido pendurar por um"gancho de talho" e que sofreu vicissitudes judiciárias várias. Alguém chamado Villepin.

ignatz disse...

em portugal passam à condição de irrevogável inconseguido ou seja agora fazes o que queremos ou deixa de haver presunções & água benta.

Anónimo disse...

Espero que os juízes tenham tido conta peso e medida na sua decisão e não seja mais uma manobra de afirmação do poder judicial.

Acções destas, se não estão devidamente fundamentadas apenas servem para destruir a credibilidade do sistema político e não creio que isso seja útil hoje em dia.