sábado, 21 de junho de 2014

Xavier Musca

Ninguém pareceu notar um nome francês ontem anunciado para a administração do Banco Espírito Santo: Xavier Musca.

E, no entanto, ele é um nome bem conhecido em França, onde desempenhou um lugar de relevo como secretário-geral da Presidência da República, ao tempo de Nicolas Sarkozy. Como eu, vários diplomatas portugueses privaram com Musca, aquando de encontros mantidos no Eliseu. Recordo diversas discussões sobre as finanças portuguesas e europeias, temáticas que o "sherpa" de Sarkozy para as reuniões do G8 seguia e dominava com uma grande competência.

Após a derrota de Sarkozy, Musca foi para diretor-geral do Crédit Agricole. E tudo indica que seja em representação do parceiro francês do BES que Xavier Musca vai surgir na nova administração.

13 comentários:

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Caro Francisco

Aqui há Muska, salvo o devido respeito. O clã Espírito Santo parece que se vai tornando na pomba célebre. O busílis da questão é que ninguém sabe onde ficam o Pai e o Filho...

Abç

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Caro Francisco, uma correcção. Não é aqui há Muska, mas sim há Musca. Obrigado.

Anónimo disse...

É verdade. Assim como il y a quelque chose derrière la nomination de Selal comme RP auprès de L'UE à Bruxelles. É que Lamy pode estar na calha.

Defreitas disse...

Musca, como o nome indica , nasceu em Vico, na Córsega, como a primeira esposa de Sarkozy. Daí a grande amizade dos dois homens, que se tratavam por tu. Era o mensageiro que transmitia as decisões de Merckel a Sarkozy para que este as assine!

Sarkozy deu a ilusão durante muito tempo que conhecia alguma coisa em economia. Na realidade eram homens como Musca, vindos das antecâmaras do ministério das finanças de Bercy que davam um aspecto sério ao governo de Sarkozy, ao serviço da Alemanha.

Os estudos deste alto funcionário são dum outro nível que os do Sarkozy: Liceu Louis-le-Grand, Sciences-Po, ENA, inspecção das finanças.

Fez parte da equipa de Jean Claude Trichet, que levou o Crédit Lyonnais à falência! E, pormenor que tem o seu sabor de sal, Musca substituiu Claude Guéant, como secretário geral do Eliseu, que, como se sabe , espera a decisão da justiça para ir eventualmente para a prisão por delitos financeiros graves(abuso de bens sociais). Claude Guéant, que foi Ministro do Interior de Sarkozy!!!

Musca, apesar do poder pessoal que detinha junto de Sarkozy, não pôde impedir a implementação da política que levou à queda do crescimento económico , sem que isso tivesse reduzido os défices públicos. Bem ao contrário.

Homens de grande gabarito intelectual, certo, mas ao serviço de quem? Musca faz parte desse grupo de altos funcionários ao serviço do poder político, mas sobretudo do poder financeiro internacional, cega pelos seus tropismos neoliberais e atlantistas, ocupado a dilapidar os recursos e o património dos povos em benefício dos Mercados, das suas estruturas chave (OMC, NYSE, Euronext, MES ,CIRDI, BCE,etc) e dos países , como os EUA e outros,agindo mais agressivamente para impor o neoliberalismo através do mundo.

Musca defendeu com unhas e dentes a transferência de triliões de euros ao sector bancário global pelos governos neoliberais durante a crise das subprimes , do que resultou uma crise mundial do endividamento , que legitimou uma nova migração massiva de fundos públicos para o sector privado através do que se chama a "austeridade"".

Assim, se podemos admirar a competência de homens como Musca, creio que seria bom de verificar ao serviço de quem esta competência se encontra.

São homens que contribuíram à destabilização económica e financeira global , e permitem à hiperclasse de tirar benefícios destes desastres. Nada mais.

(PS) Interessante, o discurso de Toulon, de Sarkozy, escrito por Musca. O homem aparece tal como é.

patricio branco disse...

definitivamente, politica e finança são as 2 faces da mesma moeda, ou politicos e financeiros, umas vezes cara outras coroa, mas sempre foi assim e até não é mau em si,será inevitavel, depende é dos actores e da sua permeabilidade, qualidade, seriedade, competencia, etc
curioso nome, musca, de origem italiana? catalã? corsega?
bom trabalho para a nova direcção, há que restabelecer o prestigio da casa, manter o banco um banco exemplar e util, etc etc

Defreitas disse...

Senhor Patrício Branco : Como escrevi no meu comentário, Musca é de origem córsega.
Estou de acordo que estes homens têm necessariamente duas faces : política e financeira. Uma ao serviço da outra e vice-versa. O problema é que nos homens políticos actuais, a promiscuidade entre os políticos e a finança leva à corrupção e ao descrédito da classe política inteira e ao descrédito do Estado. Os cidadãos perdem automaticamente a bússola e não sabem como viver em democracia.

Por vezes, alguns homens políticos conseguem conservar a linha do interesse colectivo. O caso actual da venda de certos sectores da firma francesa Alstom é exemplar.

Graças a um ministro da economia realmente de "esquerda", Arnaud Monteburg, da ala mais à esquerda do partido socialista, a venda será feita à General Electric, americana, mas sob condições drásticas que protegem os interesses franceses e sobretudo os dos trabalhadores. Assim, o governo terá o direito de veto sobre decisões que possam afectar estes interesses, graças a uma participação no capital de 20%. Por outro lado, os brevetes e patentes restarão propriedade da firma e não poderão ser explorados pelos americanos sem acordo da empresa.

No momento em que se reúnem em Paris, à volta de François Hollande, os chefes de partidos e de governos sociais democratas europeus, parece evidente que o socialismo procura uma via que concilie o liberalismo económico e o ....socialismo! As hesitações são numerosas há uns meses para cá.

Quando o socialismo não é visível , para a grande maioria dos cidadãos , na prática governativa actual, o risco de populismo é grande, e , também, o de ver meter no mesmo saco os homens de bem e os outros!

Mas o verdadeiro problema será o da tentação da amalgama que alimenta o populismo ou as derivas da democracia?

Anónimo disse...

Dizia o abade de Jazente: como é possível não entender o mistério do Espírito Santo? Vejam o que tenho na mâo: é constituído por cabo,varetas e pano, três coisas distintas e é um só guarda chuva verdadeiro!
Este Espírito Santo não é mais complexo que o Outro.

Anónimo disse...

Com os socialistas a declararem apoio a Juncker algo acaba de mudar no reino da Dinamarca.

Mônica disse...

Francisco
Tenho certeza que este senhor fara a diferença !
com carinho Monica
Gostei de saber sobre Muska

Helena Sacadura Cabral disse...

Caro Francisco
Muito oportuno este post.

Anónimo disse...

A UE arrisca-se agora a tornar-se um clube dirigido por ex-primeiros-ministros desempregados depois de perderem eleições, agora que parece ser certo Juncker na Comissão e Ayrault no Conselho. Percebe-se agora que será o embaixador Selal a chefiar o gabinete desre último.

Defreitas disse...

Espero que Musca viu bem onde põe os pés:

Novo presidente do BES é arguido por abuso de informação privilegiada
O banqueiro dos banqueiros renunciou. Ricardo Salgado saiu da presidência do Banco Espírito Santo, alegadamente após pressões do Banco de Portugal. O novo rosto do BES deverá ser Amílcar Morais Pires, atual diretor financeiro do banco que é simultaneamente arguido num processo de crime de abuso de informação privilegiada.

A saga dos banqueiros do mundo ! E são eles que "guardam" o nosso dinheiro !

Defreitas disse...

Este "post" do Senhor Embaixador sobre o "pára-quedista" Xavier Musca que, dos bastidores de Bruxelas, e da equipa de Sarkozy, passa para o Crédit Agricole, e "aterra" na direcção do BES, em Portugal, onde os arguidos pululam, faz-me pensar no Draghi, no Monti e em todas estas "peças" sobressalentes da finança internacional, todas duma grande flexibilidade e de utilização universal. Como a chave do mesmo nome!

Quem se recorda do nome do coveiro da Grécia, que, ao serviço dum banco americano, a Goldman Sachs, "fabricou" relatórios falsos sobre a situação financeira da Grécia, para facilitar a sua entrada na UE? O que não o impediu de ser nomeado presidente do BCE! E de fazer ganhar milhões de $ à Goldman Sachs !

A Europa financeira resta dominada pelo incesto que a liga aos poderes políticos, e a intervenção de François Hollande a semana passada para salvar a BNP Paribas ,francesa, da pesada multa de 10 mil milhões infligida pelos americanos constitui une confirmação. 'A parte risível de "l'affaire", é que esta multa é a punição por este banco ter infringido o embargo americano sobre vários países, dos quais, o Irão ! Com o qual os americanos vão recomeçar "bientôt" a fazer negócio ! Situação trágica no Iraque "oblige" !

O planeta finança é mundial. Não tem regulador que possa agir a este nível. Nao tem regras comuns.

Alguém, um dia, indicou o caminho a seguir a toda esta armada de "competências" ao serviço do poder universal: a finança.

Cito: " Pois que o comércio ignora as fronteiras nacionais, e que o fabricante insiste para ter o mundo como mercado, a bandeira do seu pais deve acompanhá-lo, e as portas das nações que lhe são fechadas devem ser arrombadas. As concessões obtidas pelos financeiros devem ser protegidas pelos ministros do Estado, mesmo se a soberania das nações reticentes é violada no processo. As colónias devem ser obtidas ou plantadas afim que nenhum canto do mundo não escape ou fique inutilizada." Fim de citação.
Woodrow Wilson, Presidente dos Estados Unidos de 1913 à 1921