sexta-feira, 13 de junho de 2014

Marchistas

O interminável desfile das marchas populares de Lisboa, coisa que nunca consegui ter a menor paciência para ver e ouvir, é, no entanto, o único grande espetáculo, simultaneamente público e gratuito, da capital, com uma constante e assinalável adesão popular. Não sei como as coisas se passam nos dias de hoje, mas tempos houve em que o despique entre os bairros era ferocíssimo. 

Um dia, nos últimos anos da ditadura, a conflitualidade chegou a um ponto tal que a Câmara Municipal, pela mão do vereador Leopoldo Nunes, decidiu suspender por algum tempo o tradicional desfile das marchas e o concurso entre os bairros. O mais curioso foi a justificação dada: o despique estaria a fomentar atividades "subversivas" no seio dos grupos. A paranóia do regime via comunismo por todas as esquinas. Recordo-me como, à época, alguns de nós nos divertíamos a comentar que a PIDE se dedicava a um novo e original combate ao "marchismo"...

10 comentários:

Anónimo disse...

O chamado "marchiismo-leninismo"...

Portugalredecouvertes disse...


é de admirar que ainda se mantenha um espetáculo do povo, onde as pessoas dos bairros treinam as suas coreografias para criar o espetáculo

Catinga disse...

Hoje, parece que vai haver um "redesfile" por uma das marchas que se acha injustiçada. Também nestas coisas, o árbitro é ladrão.

Helena Sacadura Cabral disse...

Nunca fui. Nunca assisti. Mas julgo que o defeito é meu, talvez demasiado elitista para tais festividades. Mea culpa!

Anónimo disse...

O que lhe faz falta, no fundo da sua alma, é o "Estado Novo".

Alexandre

patricio branco disse...

havia um conhecido comentador tauromáquico na radio e tv chamado leopoldo nunes, seria tambem o tal vereador?
marchas e...lá vai lisboa, etc

Anónimo disse...

Leopoldo Nunes lá teria as suas razões... Li alguns livros proibidos pela pide, em que me interroguei porquê a ordem de apreensão. É que, em alguns deles, era difícil encontrar motivos suficientes para o efeito.

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Alexandre: eu adoro revisitar os seus clássicos

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Patrício Branco: era esse mesmo

Anónimo disse...

Gosto de festas, feiras, feirantes, ciganada, ajuntamentos. Andar por lá! A confusão fascina.
Mas há uma coisa com que o 25 de abril não acabou: a burrice!
antonio pa