domingo, 29 de junho de 2014

Isabel Arriaga e Cunha

A jornalista Isabel Arriaga e Cunha deixa agora o "Público", depois de uma longa estada junto das instituições europeias.

Um dia falarei, aqui ou algures, da relação nem sempre fácil entre os políticos (que episodicamente fui, num passado já distante) e os jornalistas, no tratamento das questões europeias. As respetivas agendas nem sempre coincidem, à curiosidade destes últimos opõe-se o interesse de discrição dos primeiros e as visões dos factos são, por vezes, bem opostas. E, não raramente, aquilo que para uns é importante que seja destacado confronta-se com uma diferente ordem de prioridades dos outros.

Nesses tempos europeus, tive com a Isabel Arriaga e Cunha algumas divergências. Hoje posso confessar que, dentre os muitos - e alguns bem competentes - jornalistas portugueses que cruzei pelos corredores bruxelenses, a Isabel foi sempre a figura mais "difícil". Profunda conhecedora dos dossiês, com uma rede invejável de contactos, dispunha sempre de elementos que dificultavam a "venda" das nossa versão dos assuntos e, nas conferências de imprensa, fazia "aquela" pergunta que nós desejaríamos que não fosse feita. É o melhor elogio profissional que lhe posso fazer.

Um dia, à margem de um Conselho europeu, em Dublin, tivemos uma troca dura de argumentos, já nem sei bem porquê. À noite, de Lisboa, do "Público", a Teresa de Sousa, telefonou-me para o hotel: a Isabel ficara sentida com as minhas palavras, com o que eu dissera no calor dessa conversa. Passaram algumas semanas e o Manuel Menezes organizou um almoço de "reconciliação" no Luxemburgo. Ficámos amigos e, com o tempo, creio que a nossa visão dos temas europeus se foi aproximando.

Desde que deixei as lides europeias, passei a confiar nas análises conjugadas da Isabel e da Teresa de Sousa para melhor perceber a evolução dos grandes dossiês bruxelenses. De uma forma séria, rigorosa e sem "agenda" seguidista, elas têm-me ajudado a acompanhar esse mundo fascinante e crescentemente mutante, de que depende e muito continuará a depender o nosso destino como país.

Independentemente da solução que o "Público" possa encontrar para a substituição de Isabel Arriaga e Cunha, tenho a certeza que a sua escrita informada e a sua lucidez analítica me vão fazer muita falta.  

4 comentários:

Anónimo disse...

Para onde vai Isabel Arriaga e Cunha?

Anónimo disse...

Percebi que vai ficar por lá com outras funções não de jornalista.

Anónimo disse...

Tenho a impressão que não é por lá mas por cá. A seguir os próximos episódios...

Anónimo disse...

Faço votos para que Isabel Arriaga e Cunha volte tão breve quanto possível a escrever na comunicação social. A sua informação e opinião fazem muita falta ao país!