sábado, 7 de junho de 2014

Conveniências

O meu pai costumava contar que, no tempo da sua juventude em Viana do Castelo, havia um cavalheiro que ficou conhecido por não ter reagido quando um dia a sua mulher foi agredida em público por um homem. A justificação dada, confrontado com a indignação dos amigos da família que o inquiriam sobre a razão pela qual assumira tal passividade, colou-se-lhe à pele para sempre: "não me convinha!"
 
Lembrei-me da expressão ao ter visto já apoiantes das duas possíveis candidaturas à liderança dos socialistas (outras pode vir a haver, já pensaram?), em artigos, declarações e blogues, a recomendar aos respetivos líderes que se abstenham de discutir, desvalorizando-as ab initio ou considerando-as inoportunas, algumas propostas apresentadas pelo seu adversário. A razão não é dita, mas trata-se de mera conveniência política.
 
Termino lembrando que o homem de Viana do Castelo não ficou muito bem no retrato da memória local.

3 comentários:

patricio branco disse...

mas a luta politica, a polemica, as rivalidades, até são uteis, fazer politica é lutar, ficamos a saber qual dos 2 tem mais resistencia e estofo para aguentar, seguro p ex mostra se desorientado, começa a dizer infantilidades, a mostrar se ofendido, etc, como fará então se vier a governar em circunstancias tão dificeis como as nossas, ao encontrar dificuldades de toda a ordem, etc, não creio, depois de assistir a esta luta de galos, pura imagem, que ele tenha estofo para isso.
costa por seu lado que tome atenção à camara de lisboa, que muitos estão a preparar o salto e a sua administração, apesar de ter apoio no voto, não se tem distinguido assim tanto, sim, os que querem a camara estão à espreita, porque não trcam, seguro para a cml, costa para sg do ps?

Anónimo disse...

Exmo Sr. Patricio Branco,

Que bela idéia! É que acabávamos com o sg do ps de vez! Menos um a chatear...

De momento há uma coisa, que, me preocupa imenso:

"A imbecilidade leva sempre vantagem sobre a sabedoria. Essa superioridade evidencia-se sobretudo quando o ignorante ignora por completo o conhecimento do sábio".

Não há como ministrar conhecimento a um tolo que se orgulha da sua própria tolice!

Anónimo disse...

Pois..Costas...aparecem sempre, como o TC! a ler:

"As 50 sombras do TC
por ANDRÉ MACEDO05 junho 2014

O acórdão que chumba os cortes nos salários dos funcionários públicos é uma prosa cheia de esquinas. Lê-se e fica-se tonto. Eis de novo provado que a redação destes documentos acaba por revelar-se demasiado enrolada para que possa ser aceite sem pandemónio. A decisão é clara, o diploma é inconstitucional, mas a argumentação revela a habitual tendência para o pior da literatice jurídica. Em vez de juízes, temos maus romancistas.
O acórdão do TC sobre o despedimento na função pública, com data de setembro do ano passado e que abriu caminho a este último porque aparece como resposta ao mesmo problema - a falta de dinheiro -, consegue ser ainda mais trôpego. Fica aqui parte de um parágrafo em todo o seu barroquismo póstumo: "Nenhum critério densificador do significado gradativo de tal diminuição quantitativa de dotação e da sua relação causal com o início do procedimento de requalificação no concreto e específico órgão ou serviço resulta da previsão legal, o que abre caminho evidente à imotivação (...)." Aqui está um tribunal que não decide esclarecendo, prefere os labirintos semânticos.
Dito isto, também é ponto assente que este Governo merece uma justificada dose de ceticismo. A sobrevivência implica hoje uma infinita capacidade para desconfiar dele. Ao longo destes três anos, Passos Coelho não só exibiu incapacidade política, mostrou também crueldade - a taxa sobre os subsídios de doença e desemprego está para lá de Bagdad. O simples ato de protestar apresenta-se portanto como legítima defesa face a um tanque que avança desgovernado, embora com um objetivo orçamental à vista.
O caso, no entanto, é que despedir funcionários públicos (exceto nas funções de soberania - juízes, militares, polícias) deveria ser possível na exata medida do privado, artigo por artigo, mesmo anulando garantias lunáticas oferecidas por governos anteriores. Justiça não é a perpetuação de privilégios cristalizados, é o contrário. Ora, como não é possível despedir porque o TC não deixa, Passos atirou-se para estes cortes nos salários com a promessa de os formalizar já em 2015 através da nova tabela de remunerações do Estado. Alguém, no privado, está disposto a assinar um contrato deste tipo, em que se institucionaliza o poder de o patrão cortar salários unilateralmente talvez mais do que uma vez?
As 50 sombras argumentativas do TC - não é possível despedir, mas...; não é possível cortar, mas..., etc. - não traduzem apenas uma bagunça de conceitos que vão da economia ao direito, passando até pela gestão de recursos humanos; são também o trespassar de uma fronteira. Cito Le Carré: recorrer a advogados quando tem uma discussão com a sua mulher é um passo irrevogável. Recorrer ao TC para resolver questões de política económica é o fim da política, é o governo dos juízes. Já não sugeriram por acaso o aumento de impostos?"

alexandre