quarta-feira, 18 de junho de 2014

Boas notícias

Portugal acaba de ser eleito para a vice-presidência da Assembleia Geral da ONU. Trata-se de um cargo que confere alguma visibilidade à ação do representante permanente português na ONU, durante o período de um ano e, muito em especial, no último quadrimestre de 2014. 

Uma leitura menos elaborada tende a ver estas e outras eleições no quadro multilateral como uma espécie de coreografia diplomática, cujos "lucros" não são evidentes. E não são. Mas existem. Ser relevante e visível em áreas que lidam com interesses de outros Estados abre oportunidades de interlocução e, muitas vezes, de negociação de interesses cruzados. E coloca o nome de Portugal em evidência, o que está longe de ser despiciendo.

Portugal é um país que, à partida, não projeta um poder próprio forte, no quadro internacional. A crise financeira induziu mesmo uma debilidade acrescida à nossa imagem. Mas Portugal tem tradicionalmente um perfil, nomeadamente no quadro das Nações Unidas, que está bastante acima da força objetiva do país. Temos um histórico marcado por um grande sentido de responsabilidade, de coerência e, em especial, de um Estado que sabe cumprir os seus compromissos. Importa-nos assim alimentar esse nosso perfil, diversificar a nossa presença em diversas instâncias, mostrar aos nossos parceiros que temos uma contribuição a prestar em vários e complexos dossiês. E que essa contribuição é de qualidade. Não tenho a menor dúvida de que, uma vez mais, o faremos, sempre de forma prestigiante.

Na ONU somos hoje representados por aquele que é, sem sombra de dúvida, o mais experiente e qualificado diplomata português no âmbito multilateral, o embaixador Álvaro Mendonça e Moura. Em Nova Iorque, ele completa um percurso ímpar que já o havia levado a atuar em nome de Portugal junto das instâncias da ONU em Viena e em Genebra, para além de ter chefiado a importante representação nacional junto da União Europeia.

Um abraço de parabéns, Álvaro!

13 comentários:

Alcipe disse...

Associo-me às palavras, à admiração e à amizade partilhadas e ao abraço

Luis Filipe (Alcipe)

Anónimo disse...

Mas, se a coisa correr mal, nada de dramas. É apenas diplomacia.

Anónimo disse...

Junto-me ao abraço!
a)Rilvas

patricio branco disse...

uma boa noticia para a nossa diplomacia sem duvida, que se reflicta em proveito dos orgãos de politica externa, mne, carreira diplomatica, rede de embaixadas, consulados, que se fortaleça toda essa rede em vez da debilitar e reduzir a uma expressão minima.
pais com pouquissimo peso internacional, politico e económico, mas nem por isso deve estar ausente de lugares como esse onde os bons profissionais que existem podem fazer bom trabalho.
tambem será excelente para jovens diplomatas poderem fazer um estagio nesse periodo e local, junta se o util ao oportuno, que reforcem a missão neste ano.
e por aí vamos...

Anónimo disse...

Excelente notícia. Certamente que o Embaixador Álvaro Mendonça e Moura irá desempenhar as suas funções com o brilhantismo habitual.

Era útil contudo que reforçassem o pessoal na Missão e terminassem algumas colocalizações de serviços desenquadrados da ONU.

Defreitas disse...

Não sei , Senhor Embaixador, se não se trata dum "cadeau" envenenado para o diplomata português! Assumir essa função quando o presidente Obama "estuda" todas as opções para uma intervenção no Iraque, dois anos após a retirada do grosso das tropas americanas, é algo de preocupante!
Preocupante, porque a situação pode transformar-se numa guerra generalizada no Médio Oriente, e mesmo mundial.

A Arábia Saudita começa a interrogar-se sobre o que se trama entre o Irão e os EUA. E quando os Americanos dizem que "só" discutem - de novo - com os Iranianos e que não se trata de "relações diplomáticas", sabemos bem que mentem... como de costume. Porque é claro que os Shiitas do Irão não deixarão os Sunitas voltar ao poder a Bagdad. Mas os interesses americanos primam - o petróleo, claro ( foi bem por isso que destruíram este pais com o resultado que conhecemos !) .

A não ser que Obama faça como Bush e não ligue nenhuma à ONU.

Porque os velhos demónios estão de novo na alçada dos Americanos no Iraque. As forças da EIIL (' Estado Islâmico no Iraque e no Levante) estão a 50 km. de Bagdad! O Primeiro Ministro iraquiano já pede ajuda, de novo, aos Americanos.

Obama, eleito sobre a promessa da retirada do Iraque e obrigado a repetir o erro de Bush, seria cómico se não fosse dramático.

Obama já está sob pressão nos EUA. O Republicano John Boehner, acusa Obama de "fazer a siesta" , ebnquanto que o Iraque se incendeia !

E Obama replica dizendo que a ajuda em material de guerra é substancial! Mas este material é "vendido" e não oferecido! Pago com petroleo! E o mais triste é que uma parte importante deste material – helicópteros de ataque Apache, tanks M1A1, 300 mísseis Hellfire, drones, armas e munições - já está nas mãos dos ... " jihadistas" !

O Senhor Álvaro Mendonça e Moura arrisca-se a passar maus momentos em Nova Iorque!

Anónimo disse...

Falta alguém aos discípulos de um antigo Embaixador nas NU que fez escola:Álvaro Mendonça e Moura, Santana Carlos, Francisco Seixas da Costa?

Mônica disse...

Boa noite Francisco.
Eu torci por Portugal tá ? Mas não houve jeito.
Fico feliz quando anuncia um feito bom para Portugal.
Que este senhor tenha muito sucesso na ONU.
com carinho Monica
Será que voce viu o meu email?
Eu li e adorei o livro.

Anónimo disse...

Há uma excelente nova geração de grandes diplomatas já com muita experiência multilateral, que são dignos sucessores de Álvaro Mendonça e Moura, e também de António Monteiro (duas vezes na ONU e Ministro) e de Francisco Seixas da Costa (Secretário de Estado dos Assuntos Europeus e Embaixador na ONU). Por exemplo: Manuel Lobo Antunes (Secretário de Estado da Defesa e dos Assuntos Europeus e anterior Reper), Domingos Fezas Vital (3 vezes em Bruxelas, agora Reper), Pedro Nuno Bártolo (3 vezes em Bruxelas - duas na Reper e uma no Conselho - e agora Embaixador na ONU em Genève), João Mira Gomes (3 vezes em Bruxelas - duas na Nato, actualmente Embaixador, e uma na Reper), José Júlio Pereira Gomes (duas vezes em Genéve e Secretário de Estado da Defesa), sem falar de Nuno Brito, que só esteve em Nova Iorque, embora por largos anos, mas que mandou muito nas missões multilaterais, a partir de Lisboa...

EGR disse...

Senhor Embaixador : lamentavel é que uma eleição tão relevante não tenha destaque nos "media"
Eles preferem os crimes e similares.

Isabel Seixas disse...

Estava a pensar que não existem boas noticias incondicionais sem passar pelo barómetro o tempo o dirá...
O sim mas, é uma sombra que emerge dos sítios inóspitos como variável de confusão quase sempre desmancha prazeres neste contexto atendendo à proposta de Reflexão deixada por Defreitas face ao possivel/provavel presente envenenado, mas também aqui o sim mas, se fosse previsivelmente fácil e inequivocamente lucrativo não seria tanto um cargo para profissionais de provas dadas na conceção de curriculum vitae privilegiando o percurso académico e profissional, mas sim evolução curricular meramente de ideologia politica e habilidades/competências persuasivas para ascender aos lugares de poder.

Preocupante de real o comentário de EGR, talvez se o Sr. pudesse ir ao jogo do Mundial e ir cumprimentar o CR7, por arrastamento talvez o jornalista de serviço desse conta e se "compadecesse"...

Anónimo disse...

Caro anónimo das 23h49:
Há uma excelente nova geração de grandes diplomatas, também com experiência multilateral e que não sendo ainda os dignos sucessores de Álvaro Mendonça e Moura e de todos os que cita, lá chegariam, se os deixassem.
Filipe VI acaba de invocar, parafraseando Cervantes, que " Um homem não é mais do que outro; apenas faz mais do que outro". É neste contexto que lhe pergunto como será possível aferir das aptidões, competências e valências daqueles a quem não deixam fazer nada?
Bom dia.

Anónimo disse...

Caro Francisco,
Que boa notícia saber que Álvaro Mendonça e Moura vai ocupar a Vice-presidência da Assmebleia Geral da ONU. Recordo com saudade os nossos contactos, quase diários, nos idos da década de 90 do século XX. Um grande senhor e diplomata, que alia a competência e a sabedoria ao bom senso. De facto, é pena serem pouco conhecidos a qualidade e o brio profissional de muitos dos diplomatas portugueses. Abraço amigo para si e para o Álvaro Mendonça e Moura.
José Honorato Ferreira