segunda-feira, 26 de maio de 2014

"The day after"

Os resultados? Surpreendido? Só um pouco.
 
Surpreendeu-me a catástrofe AP com 28% (que significaria 21-22%  (!!!) para o PSD e 7% ou menos para o CDS), quando aguardava um resultado sobre os 30-31%. Curiosamente, pelo "body language", acho que, para os próprios, não foi nenhuma surpresa e, como "compensação", se alegraram-se com o resultado obtido pelo PS.
 
Não me surpreendeu a vitória do PS, mas sim a escassez do resultado, que estimava poder rondar os 35-36%. Apesar disso, ter cerca de 4% a mais que toda a direita reunida está longe de poder ser considerado um mau resultado. 
 
Espanto, isso sim!, com a força de Marinho Pinto, que nunca pensei que chegasse sequer aos 4%.
 
Quanto ao resto, nada de novo: o PCP confirmou a subida, o BE ficou onde era esperado e o Livre também. Ah! e aguardava mais abstenção.
 
Voltando ao "fenómeno" Marinho Pinto. Um discurso justicialista, de denúncia, nas margens do "anti-sistema", compensou. Até o relativo "primarismo" da mensagem, numa espécie de registo "Zé Povinho", que as pessoas entendem com facilidade, ajudou. Mas, atenção!, não é (até agora) um discurso populista, anti-partidos. Foi ainda prejudicado por não ter havido debates televisivos. Se souber gerir a sua imagem com inteligência, o que não está garantido pelo seu caráter de "looner" impulsivo, pode tornar-se num caso sério na política portuguesa. Veremos também se o MPT, ao longo dos próximos meses, consegue conviver com a proeminência obsessiva da sua figura e se o caráter meramente instrumental desta eleição (as suas ambições são claramente outras) não atrapalhará uma afirmação futura. Ganhou de quem? Do PS, claro, de quem passa a ser um temível adversário e de algumas franjas desiludidas de apoiantes da maioria, que para ele canalizaram o seu descontentamento. Aproveito para deixar ao Marinho Pinto, velho companheiro de debates de café, no final dos anos 60, lá por Vila Real, um abraço de felicitações.

18 comentários:

opjj disse...

Caríssimo, se Seguro com tantos a bater no governo ,e nada de relevante, é melhor que se cuide.
Cumps.

Anónimo disse...

Nunca gostei da postura de Marinho como bastonário pois era claro que o que queria era voar mais alto e voou de facto. Faltam no PS atiradores à la Coelho, agora que este cedeu ao mundo dos negócios. Com um Portas agora demasiado "institucional" alguém haveria de preencher o vazio. Não estamos de parabéns...

domingos disse...

"Interesting times!", como o Embaixador há tempos recordava. Sem querer minimizar a sua análise, apenas duvido dessa avaliação "de toda direita reunida". Partindo do princípio de que existe uma direita em Portugal, coisa de que muitos duvidam, acredito que boa parte dessa "direita" se reveja mais na abstenção ou no Marinho Pinto, do que na dupla Passos&Portas.

Anónimo disse...

Concordo consigo: o Marinho e Pinto não é propriamente um populista, utilizando, isso sim, um discurso muito simples e direto; o PS foi prejudicado pelo Marinho e Pinto.
Teria sido bom um prejuízo ainda maior. Um PS requentado, mole, não serve a ninguém.
Da CDU, a velha inimiga, o resultado vem provar que um bom combate contra o PS dá saúde e faz crescer.
Ao BE das festas, falta-lhes um líder. Ao Livre, um partido.
A direita acabou por não perder nada, o que é sintomático do espírito dos cidadãos desta Europa, que adora que lhe lancem artificiais bodes expiatórios, para fazer esquecer os verdadeiros responsáveis por esta crise (de pretos a comunistas ou desempregados, tudo serve).
Ainda assim, grande Portugal, que, irredutível, resiste a homofóbicos, xenófobos e afins. Ainda assim, é bom viver neste cantinho.

Albino M. disse...

Quer o tiro onde?
https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=880119675336901&substory_index=0&id=100000166318626

Anónimo disse...

Será que os deputados da emigração foram eleitos pelos funcionários consulares?
antonio pa

Anónimo disse...

Se em França a crise ainda vai no adro e o governo foi severamente castigado, em Portugal estava à espera de um maior castigo deste governo, depois de três anos de crise aqui.

Anónimo disse...

Também se pode chamar ao dia de hoje "the day of the night before"

rmg disse...


Não vejo catástrofe nenhuma na AP (o que lamento) tendo em conta que nunca ninguém votou neles e toda a população os odeia , assim como não vejo vitória nenhuma do PS (o que também lamento) tendo em conta que se toda a gente se quer ver rápidamente livre deste governo, esta era uma excelente oportunidade para indicarem claramente que queriam que o PS fôsse governo a seguir e de preferência o mais depressa possível .

Quanto à França não me espanta nada , os jovens e os pouco qualificados é que votaram FN porque são eles precisamente que são os prejudicados em termos de emprego quando confrontados com a emigração .

Mas admito que quem se passeie nos Grands Boulevards quando vai a Paris tenha uma visão diferente e é isso que os portugueses que lá vão em turismo costumam fazer .


RuiMG

Anónimo disse...

Deixemo-nos de leituras mais ou menos subjetivadas.

Marinho Pinto e Terra, mais Abstenção, indiciam claramente o que o povo sente e pensa das elites políticas mais recentes.

Silva.

EGR disse...

Senhor Embaixador: há pouco esqueci-me de referir a minha satisfação com prenuncio do fim do BE.

Anónimo disse...

EGR,
também se esqueceu de falar de um outro pronúncio, mais evidente, o do CDS, que deverá ter tido apenas uns 4% de votos, dos 27,5% do total de miséria da Aliança de Extrema-Direita.
Gonçalo Freitas

Anónimo disse...

Estas eleições são o reflexo da insatisfação dos portugueses - quer através da abstenção, quer dos votos brancos e nulos.

Quanto ao fenómeno Marinho e Pinto faz-me lembrar o "Zé" Sá Fernandes que se eclipsou mal se apanhou na CM Lisboa - aqui só vai mudar a cidade... De resto, vamos assistir a mais um instalado e acomodado.

Isabel BP

Isabel Seixas disse...

Entre a desilusão e o descrédito,da incerteza e do medo do escuro, um encolher de ombros e algum espírito de contradição, onde estará o que ri por último, sem memória, indiferente a caminho da solidão...

patricio branco disse...


exemplos de comportamento partidario mais sensato frente aos resultados vêm da espanha,

o pp de rajoy não fez declarações na noite, só faria depois da direcção do partido reunir para analisar os decepcionantes resultados das eleições (apesar de as ter ganho).

o sg do psoe rubalcaba anunciou que se retirava do cargo depois do mau resultado e anunciou primarias em julho para escolha do seu sucessor.

na madeira, ajj recusou se a comentar os resultados das eleições (apesar de ter ganho em 9dos 11 concelhos) invocando a elevada abstenção de 2/3 que considerou preocupante e um voto de censura ao sistema partidario existente

marinho pinto é uma novidade no espectro partidario, uma janela aberta por onde entre ar fresco.

necessitamos de novos partidos, os que possam representar o pensamento de 66 pc de portugueses, partidos eurocepticos sérios, verdes a sério, regionais.

o be está numa lenta agonia, essa esquerda chique de jeans de boa marca congregando intelectuais e profiddionais liberais de boa fala e retorica mas sem implantação verdadeira ou utilidade pratica

mas nada aprenderão o ps, o psd e o cds com os resultados, meterão ainda mais fundo as cabeças na areia ou lodo

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

A Aliança Portugal não foi tão penalizada quanto alguns imaginavam que ia ser.

O Partido Socialista ganhou as eleições mas os seus camaradas estão já a afiar as facas para as espetarem nas costas do Secretário-Geral .

Quão dificil é ser Prior nesta Freguesia

Anónimo disse...

Isto é o delirium tremens.Todos vão perdendo eleitores, mas continuam a cantar vitória. Comparando, comparando, é o que se vê. A direita até parece radiante com tão funestos resultados; o PS deve estar a esconjurar (como as meigas galegas nas queimadas)Marinho e Pinto e o PC, que subiu apesar de descer. Já viram o que era os 7% de Marinho e Pinto para o PS? Assis e seguro até se babavam. Agora falam deste tipo de fenómeno, desvalorizando-o. Deve ser a pitonisa Estrela a inspirá-los. Se não aprenderam, já não vão aprender. A tacharia partidária dá nisto. E ainda a procissão vai no adro. Os grandes já tiveram mais que tempo para provarem o que valem: nada. Quem se lixa, com uns e outros,é o "mexilhão". Já enganaram demasiado o pagode e agora parecem surpreendidos com o que aconteceu. Ai do Marinho, ai da extrema-esquerda, ai do PC, ai da extrema-direita. Direi mais: quem não tem competência não se estabelece e quem quer bolota trepa. A incompetência é o que mais me choca, desde os palrantes de café aos palrantes de hemiciclos. Admiram-se, pois, que o pessoal adore a bola?

Isabel Seixas disse...

O silêncio de ouro

Maioria absoluta... O partido da abstenção...

Como alguém se pode arvorar em vitorioso?!... Oh por favor

Nem cartão vermelho nem necessidade de arbitragem simplesmente só os jogadores (eu incluída) afloraram... e jogaram cada vez mais sós pelo descrédito e pela memória do descrédito e pela desesperança...