terça-feira, 20 de maio de 2014

Lei de Murphy

Quando alguma coisa pode correr mal, acaba por correr mal. Às vezes, esta "lei de Murphy" funciona.
 
Uma das tragédias da situação económico-financeira portuguesa é que o essencial daquilo que pode influenciá-la é totalmente independente da vontade nacional. Foi assim para a descida dos juros, que permitiu o ambiente desanuviado em que se processou a "saída limpa" da fase "troika" do processo de ajustamento, como, no dia de hoje, o está a ser para o "mau humor" dos mercados, que reverte essa tendência para todos os países da periferia. Por mais bem "comportados" que sejamos.
 
Ao que dizem os especialistas, os tais mercados antecipam uma evolução europeia mais cética a partir de domingo mas, no que é mais importante, já perceberam que o Banco Central Europeu está limitado no seu leque de opções para contrariar as tendências deflacionistas e, muito em especial, que se sente sem legitimidade política para avançar no chamado "quantitative easing" - um neologismo que designa a sua possível ida ao mercado de produtos da banca e de outras instituições financeiras privadas, que iria muito para além da sua tradicional intervenção de atenuação das dívidas públicas.
 
Por tudo isso, e não por qualquer teimosia negativista, é que alguns prudentes observadores eram favoráveis ao "programa cautelar" e condenaram o facto do governo o não ter tentado, deixando aos parceiros europeus o ónus da sua inviabilidade conjuntural.
 
Mas pode ser que isto - a atitude dos mercados - não seja mais do que o surgimento de nuvens passageiras, que trazem uma chuva de verão e algum arrefecimento. Como hoje também está a acontecer com o nosso clima. Pode ser. Seja ou não seja, nada podemos fazer para o evitar. E essa é a nossa sina.

2 comentários:

Portugalredecouvertes disse...


Se me bem me lembro, num dos seus últimos posts, o Sr. Embaixador anunciava que tínhamos tido Fátima, a seguir futebol, e que depois iriámos ter fado?!

patricio branco disse...

e somos muito frageis aos ventos a que estamos expostos, oxalá portanto que voltem os dias de sol sem chuva nem vento e que a refinaria de sines volte a refinar e exportar e que a autoeuropa continue em pleno vapor, etc