segunda-feira, 19 de maio de 2014

A direita

Não sei se tem ainda a ver com efeitos do 25 de abril, mas, contrariamente à esquerda, que se afirma abertamente, a direita portuguesa esconde-se quase sempre por detrás de alguns heterónimos - como  "conservador", "liberal" (este, quase sempre a medo, porque "neo-liberal" surge com carga negativa) ou, no máximo das ousadias, sob o conceito de "centro-direita" (durante muito tempo ser "do centro" era a mesma coisa). Muitos comentadores desse setor (Marcelo Rebelo de Sousa dizia ontem na TVI que 2/3 dos comentadores são ligados ao PSD) ou procuram neutralizar-se ou usam um curioso eufemismo - "não são de esquerda".

Porque as sociedades só ganham em ser transparentes, gostaria de ver a direita portuguesa assumir-se como tal. Temos hoje, por exemplo, talvez o governo mais à direita da nossa História democrática, mas não vejo nenhum dos seus membros dizer isso mesmo, sem sofismas - "somos de direita". Pelo contrário, quando alguém afirma que se trata de um governo de direita sente-se que ficam ofendidos, como se isso fosse um insulto, como se tivessem vergonha de não ser de esquerda.

Alguns dirão: mas se nos afirmamos como "de direita", a esquerda atira-nos isso à cara, chama-nos "fascistas", liga-nos ao tempo da ditadura. Sabem por que é que isso acontece? Porque muita direita se sente na permanente obrigação de relativizar a gravidade dos tempos salazomarcelistas, porque deixa cair, a espaços, alguns elogios ínvios a parte desse passado, porque não soube criar um "firewall" entre um pensamento contemporâneo de direita e as brumas sinistras da ditadura. Vê-se isso muito nos blogues ditos "liberais". Muitas das pessoas de direita em Portugal não fizeram ainda o "exorcismo" do que se passou antes do 25 de abril. Quando o fizerem, quando conseguirem assumir uma denúncia aberta desse passado, a esquerda mais agressiva deixará de ter espaço para os atacar por isso, fazendo-o apenas no terreno das ideias atuais. Enquanto a direita democrática continuar envolvida num conúbio com a direita cavernícola, com o caceteirismo miguelista, isso não será possível.

Por isso, no dia em que nasce o jornal informático "Observador", marcado por uma linha claramente de direita, aliás muito consentânea com os apoios financeiros de que dispõem e com os objetivos de sociedade que pretende, sinto pena em não ver isso mesmo assumido com clareza pelos seus responsáveis. Mas não: o máximo que surgiu, nos textos que acompanharam o lançamento do seu "site", foi a nota de ser de orientação "liberal". Ora bolas!

Já é tempo da direita portuguesa, a direita democrática que não tem realmente "esqueletos no armário" do tempo do Estado Novo, afirmar com orgulho o que é, defender as suas ideias e os seus projetos, ir à luta, sem disfarces. Embora, nem por um momento, alguma direita nisso acredite, foi também para isso que se fez o 25 de abril.

Em tempo: porque o "esbatimento" entre esquerda e direita faz parte do debate, aqui deixo o clássico pensamento do filósofo francês Alain: "Lorsqu'on me demande si la coupure entre partis de droite et partis de gauche, hommes de droite et hommes de gauche, a encore un sens, la première idée qui me vient est que l'homme qui pose cette question n'est certainement pas un homme de gauche".

37 comentários:

Anónimo disse...

Fico feliz em observar que as novas gerações, em Portugal e não só, não perdem tempo com esses debates ultrapassados pelo tempo para catalogar políticas como sendo de direita ou de esquerda. Hoje em dia, é uma divisão que não faz sentido é algo que cheira a mofo. Existem propostas boas e propostas más, é possível tratar da economia sem deixar de dar prioridade a políticas sociais. O que é hoje ser de direita ou ser de esquerda? O PS é esquerda? Com certeza que está longe disso, pelo menos o último Governo que tivemos com esse partido no poder. O atual Governo será mesmo o mais à direita que tivemos em democracia? Sinceramente não vejo assim, vejo-o como um Governo de emergência que teve que dar prioridade a uma série de medidas que se impunham (interna e externamente) como urgentes. Pessoalmente não perco tempo a esmiuçar políticas e governos para os classificar á esquerda, centro ou direita. Parece-me pura perda de tempo….

Anónimo disse...

Sr. Embaixador,
Gostava apenas de perceber a referência ao governo mais à direita desde o 25 de Abril.
Se por Direita entendemos:
- conservadorismo nos costumes (este governo convive pacificamente com IVGs, casamentos homosexuais, despenalização do consumo de drogas, etc.)
- menos Estado na Economia (impostos atingiram o record histórico este ano)
- nacionalismo/soberanismo ((acho que aqui nem será preciso dar exemplos)

Resta saber em que é que o governo é de direita comparando com os anteriores? Só por comunicar mal e ser notoriamente insensível? (Colocar assim a questão também será de direita?)
Cumprimentos,
Miguel Duarte

domingos disse...

A grande questão é saber se alguma vez, nos tempos modernos, houve uma "direita" em Portugal. Porém, logo a seguir surge a semântica: mas o que é "direita"? Por outro lado, do que por aí ouço, há muita boa alma que, no íntimo, preferia que a direita desaparecesse e ficasse só a esquerda. Claro que o Antonio Gramsci, por exemplo oferece importantes instrumentos de análise desta questão. Mas quem se dá ao trabalho de o ler hoje em dia? Ficamo-nos pelas representações fáceis, estereotipadas e prenhes de emotividade.

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Miguel Duarte: lamento não ter tempo para um debate. Mas julgo que percebeu o que eu quis dizer

Anónimo disse...

Sr. Embaixador,

Será que, num país em que não existe a tradição dos jornais publicitarem o seu "alinhamento" político mas em que quase todas as redações se afirmam e confirmam como “de esquerda” (o que as escolhas editoriais demonstram “above any reasonable doubt”), esta tentativa de "encaixar" o novo jornal como "de direita" é uma maneira de desvalorizar a informação ai transmitida, ou um apelo por uma maior transparência da restante comunicação social? Será que também vamos ver textos seu referindo o cariz “esquerdista” dos restantes jornais, como por exemplo o Público, ou só jornais que o Sr. Embaixador considera serem de “direita” devem anunciar tal facto com uma “estrela no braço” para todos se poderem afastar condignamente?

Cumprimentos

Pedro António

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Caro Francisco

As considerações do Anónimo das 13:20 e do Anónimo Miguel Duarte enquadram-se perfeitamente no seu artigo. Só quem ande distraído ou queira andar distraído pode dizer que a divisão entre esquerda e direita cheira a mofo. Recordo que na salazarenta época se dizia "eu não tenho partido, a minha política é o trabalho"

Quanto ao Governo mais à direita, expressão que suscita dúvidas ao Anónimo Miguel Duarte, corroboro a sua resposta, meu caro Amigo: não ter tempo para polémica e julgar saber que ele percebeu o que o Francisco percebeu é inquestionável.

Não preciso de lhe dizer uma vez mais que subscrevo o seu texto; tenho apenas a tristeza de não ser capaz de o saber escrever... Por isso, limito-me a aplaudir, de pé.

Abç

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Pedro António. Se o Público, para si, é um jornal "esquerdista", está tudo dito. Uma coisa posso garantir-lhe: vou ler diariamente o Observador com toda a atenção e desejo-lhe as maiores felicidades como projeto editorial, não obstante estar muito longe de partilhar as ideias que (pelo que já vi) defende. Quanto à "estrela", só confirma o que eu escrevi: é a direita que se autoexclui da área democrática, ao viver num complexo de guetto

Helena Sacadura Cabral disse...

Mais do que "ser" de esquerda ou de direita, o problema reside em quem nos "vê" como sendo de direita ou de esquerda.
O inferno são os outros como dizia o filósofo...

Francisco Seixas da Costa disse...

Cara Helena: na esquerda, as coisas às vezes são mais simples. Um velho amigo meu, quando se "media" se alguém estava mais à esquerda ou mais à direita, dizia sempre: "para quem é de esquerda, "a esquerda" é sempre o próprio. Os outros ou estão à sua direita ou estão à sua esquerda"

Anónimo disse...

José Amador
Depois de uma primeira República cujo regime vivia em permanente estado de sítio a que se seguiu a revolução militar do 28 de Maio de 1926, saudada por seareiros como António Sérgio e que acabou por descambar num regime autoritário de direita que infelizmente durou 42 anos (1932 a 1974), finalmente parece que este regime em que vivemos consolidou a democracia, depois de dois anos de terror que ia descambando numa guerra civil, graças ao "grande herói" antifascista "grande lutador dos ideais democráticos de seu nome Álvaro Barreirinhas Cunhal". É preciso não esquecer que nesses dois anos muita gente foi presa e muitos outros refugiaram-se em Espanha, França e no Brasil. Tal significa que a arrogância de uma certa esquerda, sobretudo do PCP, impediu que a direita se assumisse como tal e vemos Sá Carneiro e o PPD aprovarem uma constituição socialista radical e um CDS titubeante com receio de ser comparado ao antigo regime. Não esquecer o primeiro comício deste partido realizado no palácio de Cristal no Porto em que por pouco os seus militantes não foram linchados. Nessa altura a situação era muito confusa e víamos o líder do PS, Mário Soares, a apelar à direita, nomeadamente à Igreja para o apoiar na luta contra "uma ditadura de face contrária", ao seja do PCP e do MFA. Tudo isto dava pano para mangas, para se perceber porque razão este governo não esteja particularmente interessado em rever esta Constituição, apesar de ser um governo de direita.
Portugal deve ser o único País da Europa que tem um partido social-democrata de direita, acolitado por uma direita híbrida que oscila entre a defunta democracia cristã e o liberalismo. Penso que nas actuais democracias europeias é cada vez mais difícil definir o que é ser social-democrata, socialista ou liberal. Afinal o que significa a coligação dos partidos democrata cristão e social-democrata na Alemanha? E o senhor Holande em França, coligatório na Itália e na Grécia e por aí fora? Para que servem as ideologias? E o PCP que sendo de esquerda é o mais conservador de todos os partidos, mantendo o seu pendor estalinista ou cunhalista? Isto dava pano para mangas...

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro José Amador: António Sérgio "saudou" o 28 de maio? Quando? Onde?

Anónimo disse...

Caro Sr. Embaixador,

A referência à "estrela" foi apenas um "aparte" ao notar que o Sr. Embaixador considera importante um projeto editorial anunciar o seu alinhamento político que, pelo que li e vi, existe apenas como certeza na sua opinião.

Mas de facto, ao reler o meu comentário, tenho que reconhecer que tal referência foi algo exagerada. O problema de escrever comentários mais rápido do que o devido.

Não querendo exagerar da simpatia que o Sr. Embaixador teve em me responder, gostaria de saber como formou o Sr. Embaixador a opinião de que o novo jornal é de direita.

Cumprimentos

Pedro António.

P.S. Leio diariamente o Público. Considero um jornal com tendências esquerdistas, mas de leitura obrigatória. Assim como o Expresso, de que sou assinante, e em que eu li o Sr. Nicolau Santos, antes do lançamento do Observador, afirmar que este não era um jornal, mas um projeto político.

P.S.2 Até parece que estou a defender o Observador, algo que começou apenas hoje. Mas como não percebo o porquê de se afirmar que determinado jornal, ainda antes de aparecer, é de direita, num pais em que não existe nenhum jornal que se afirme de esquerda ou de direita, fico, como se diz, “com a pulga atrás da orelha”.

P.S.3 Não estou relacionado com o Observador por nenhum laço profissional, familiar ou outro.

opjj disse...

Caro Dr.há quem tenha outra ideologia para resolver os problemas. Basta ter ouvido Jerónimo de Sousa esta semana, quando disse, "Moedas não tem físico para levar uma bofetada" Os média apagaram esta intervenção. Como se o PC resolvesse o que quer q seja. Quando se é o 1º a roubar aos seus deputados, mais fácilmente se rouba o povo.
cumps.

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Pedro António: veja a lista de colunistas, leia as declarações de José Manuel Fernandes e creio que tudo ficará mais claro. Mas é um projeto com gente de muita qualidade. Aliás, se há coisa que muito me agrada, na última década, é o facto da direita ser servida por gente cada vez mais competente. Foi uma lufada de ar fresco! Acho até - aqui entre nós - que a esquerda não tem tido essa sorte...

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro opjj: porque é que tudo tem de ser nesse tom "grave"?

Defreitas disse...

Se alguém compreendeu o que o Senhor Embaixador quis explicar, num tema tão complicado como esquerda e direita, numa sociedade dominada pela única força do dinheiro a todos os níveis, largamente dominante da politica e dos políticos, é que ninguém compreendeu o que o Senhor quis dizer. Com as minhas desculpas pela linguagem directa.

O Papa Francisco é um homem da esquerda quando diz que o capitalismo é o cancro da sociedade dos homens. E que sem solidariedade social a sociedade está em perigo de dissolução.
Quando disse "Todos unidos num mesmo projecto para realizar o bem comum benéfico para todos", é a mesma coisa que o que disse o Cristo " Amai-vos uns aos outros" . Ou exactamente o que dizem os marxistas desde há um século, ou os valores cristãos tornados loucos!

Fácil de determinar nos dois ,onde se encontra a direita e a esquerda , quando se diz : justiça social, solidariedade, humanismo, laicismo . Um está ausente.

Sem contrariar Alain , é no olhar das pessoas da direita que percebo que sou de esquerda.

Anónimo disse...

O debate esquerda/direita em Portugal, pela própria indefinição ideológica que provoca a bem gizada análise do autor do blog, parece ter a mesma resposta da velha questão: de que lado é asa da chávena?.

N381111

patricio branco disse...

a dta sempre tem complexos em relação à esqda; a esqda, por seu lado, não sofre desses complexos. porquê?
denunciar o regime castrista ou os bolivarianos pode levantar uma onda de protestos, reacções, é um fascista, reacionário, etc.
por sua vez quando estes regimes, cuba, venezuela, algum outro, quando apelidam paises francamente democraticos de fascista, a reacção mais normal é o silencio, calar, etc
esta atitude vai ao ponto de por vezes não ser de bom tom dizer bem dos eua e sua democracia.
porquê não sei, talvez a confusão que há em muitos sectores e mentes e intelectualidade entre direita e pró-fascismo, como dito na entrada. dizer que são de dta é indentificarem se, em parte, com os antigos regimes de salazar, franco.
talvez a sombra do pecado original, sei lá, mas é de facto assim, uma enorme relutancia em se assumirem de dta (democratica)...

Anónimo disse...

caro embaixador

o seu artigo tem todo um outro tom se no lugar de direita se puser mulher de direita e no lugar de esquerda mulher de esquerda...

perdoe-me a piada facil

cumprimentos

Anónimo disse...

A dicotomia interessa aos maçónicos, laicos e republicanos de relógio pendurado no colete à Séc XIX !

Tudo estas noções me fazem rir, pois quando é para as benesses, os ditos de esquerda (?) são os primeiros a definir as escalas/classes de obediências !

o mundo mudou!

Alexandre

Defreitas disse...

Esquerda ou Direita, mas também Democracia! O Senhor Patricio Branco tocou no ponto delicado, ao escrever : "esta atitude vai ao ponto de por vezes não ser de bom tom dizer bem dos eua e sua democracia".

De facto, pensar nos EUA leva-nos a boas acções em prol da liberdade, mas, desgraçadamente, leva-nos ao Chile de Allende, e a quase todos os países da América Latina, e, evidentemente, a Cuba. Os primeiros foram derrubados porque eram de esquerda, Cuba , cercado, e esfomeado, pela mesma razão, a Venezuela sob pressão também. O Iraque destruído, não por ser de esquerda, mas por causa das AMD ! Quem disse que foi pelo petróleo? Os EUA são um pais democrático, quando a direita recusa um sistema de saúde para 45 milhões de americanos?

Os países ocidentais conheceram uma verdadeira democracia na época da guerra fria. Os partidos políticos tinham verdadeiras divergências ideológicas e programas políticos diferentes. Os jornais tinham diferenças marcadas. Tudo isso influenciava as pessoas. Tudo acabou.

Porque o capitalismo democrático e próspero, o das leis sociais e das garantias de emprego devia muito ao espantalho comunista.
O ataque maciço aos direitos sociais no Ocidente começou com a queda do comunismo no Leste. Hoje, os socialistas , quando chegam ao poder nos países da Europa, geram a economia como ...os da direita, ou quase.

Não existe mais no Ocidente nenhuma força política capaz de defender os humildes. Ou se existe não tem força bastante. A diferença com a direita apaga-se todos os dias um pouco mais. A descrença é grande nas classes populares, que os leva a conceder a confiança à extrema direita! Só compreenderão mais tarde, que foram enganados.

A democracia tende portanto a desaparecer da organização social ocidental. O totalitarismo financeiro submeteu os poderes políticos. O totalitarismo financeiro é frio. Não conhece a piedade nem os sentimentos. As ditaduras politicas, finalmente, são lamentáveis em comparação com a ditadura financeira. Direi mesmo que uma certa resistência era possível no seio das ditaduras mais duras. Mesmo uma Revoluçao! Como Abril 1974. Nenhuma revolta é possivel contra os bancos.

Anónimo disse...

Bom Post! Quanto aos comentários, alguns divertiram-me, embora não me surpreendam. A ver se a tal Direita envergonhada de o ser sai derrotada no Domingo e depois em 2015.

Defreitas disse...

Senhor Alexandre: Os teóricos e os políticos ocidentais mais influentes consideram que entramos numa época post-ideológica. Porque subentendem por "ideologia" o comunismo, o fascismo, o nazismo, etc. Na realidade, a ideologia, a supra ideologia do mundo ocidental, desenvolvido no decurso dos últimos 50 anos, é bem mais forte que o comunismo ou o nacional-socialismo.

O cidadão ocidental é muito mais embrutecido que não o era o soviético médio pela propaganda comunista. No campo ideológico, a ideia importa menos que os mecanismos da sua difusão. E estes são imensos no ocidente.

A ideologia ocidental combina e faz convergir as ideias em função das necessidades. Uma delas é que os valores e o modo de vida ocidentais são superiores a outros. Enquanto que para a maioria dos povos do planeta estes valores são mortais. Criamos necessidades artificiais onde, por vezes, falta ainda o essencial. O mercado é o mestre.

Quando se escutam as elites ocidentais, tudo é generoso, tudo é puro, respeitoso da pessoa humana. Ao fazê-lo, aplicam uma regra clássica da propaganda : esconder a realidade pelo discurso.
Basta abrir a televisão, ir ao cinema, abrir os livros de grande sucesso, escutar a música mais difundida, para reconhecer que o que é propagado na realidade é o culto do sexo, da violência e do dinheiro. O discurso nobre e generoso é destinado a esconder estes três pilares - e há outros - da democracia totalitária.

Mesmo a ideia dos Direitos do Homem é agora submetida a uma pressão constante. A ideia, puramente ideológica, segundo a qual eles, os Direitos , seriam inatos e inalteráveis fazem sorrir em muitos países. Vamos lá falar de direitos Humanos aos Americanos que serviam na prisão de Abu Ghraib, à Bagdad ou aos de Guantanamo ! Faz parte da democracia totalitária.

Anónimo disse...

Excelente!

Helena Sacadura Cabral disse...

Francisco
"na esquerda, as coisas às vezes são mais simples".
É verdade. Na esquerda que eu conheci - e ainda cá estão muitos, felizmente -, todos os outros eram de "direita".
São os azares de ter nascido uma década antes de si!

Anónimo disse...

Na minha aldeia duriense, em tempos de ditadura, o rico homem decidiu "torcer" a nova estrada para a direita demolindo parte da vetusta Igreja, para deixar intacta, à esquerda, a sua nova azenha. Claro que "convenceu" o povo (supostamente o povo é a esquerda) oferecendo um terreno perto da casa do Padre.
Se tivesse atalhado a direito teria tido uma atitude de direita ou de esquerda?
Claro que eu sei qual o grupo onde se acolhe...
antonio pa

Anónimo disse...

O único fenómeno que existe em Portugal é que a geração do vinte e cinco de Abril se não era de esquerda naquele dia foi-o no dia seguinte. Têm o rei na barriga e ainda agora julgam-se os juízes do que está certo ou errado. Esquecem-se de um pormenor: o tempo passa, e a geração que aí está já não tem os mesmos fantasmas na cabeça e pensa sem complexos e, como me parece também natural, não vai ficar presa aos dogmas dos avós deles. É talvez por isso que em relativamente pouco tempo o embaixador reconhece mais de uma vez uma coisa que lhe parece extraordinária: é que há gente muito inteligente noutros campos e ,para mim, que sou suspeitíssimo porque nunca fui de esquerda, embora quase todos os meus amigos de adolescência o fossem porque quem fazia barulho era a esquerda (ler Pinto de Sá), são bem mais interessantes do que a lenga lenga do costume velha de décadas e DERROTADA porque, realmente, não consta que exista alguma espécie de socialismo nalgum canto do mundo. Ou a China, a Rússia, Cuba são socialistas?
João Vieira

Anónimo disse...

"Jornal informático "Observador" - mmmm.... jornal digital, talvez ... :-)

Lina

Defreitas disse...

O Senhor João Vieira escreve: " é que há gente muito inteligente noutros campos e ,para mim, que sou suspeitíssimo porque nunca fui de esquerda,".


Seria interessante para mim, que não vivo em Portugal desde há meio século, se foi a esquerda ou a direita, ou se foram os dois, que instituíram, votaram, implementaram estas leis ou fizeram estas declarações: :

Comparar a Reforma de um Deputado com a de uma Viúva, como li dum tal Poiares Maduro, que não conheço.

Um Cidadão ter que descontar 35 anos para receber Reforma e aos Deputados bastarem somente 3 ou 6 anos conforme o caso e que aos membros do Governo para cobrar a Pensão Máxima só precisam do Juramento de Posse.

Que os Deputados sejam os únicos Trabalhadores (???) deste País que estão Isentos de 1/3 do seu salário em IRS.

Pôr na Administração milhares de Assessores (leia-se Amigalhaços) com Salários que desejariam os Técnicos Mais Qualificados.

A enorme quantidade de Dinheiro destinado a apoiar os Partidos, aprovados pelos mesmos Políticos que vivem deles.

Que a um Político não se exija a mínima prova de Capacidade para exercer o Cargo (e não falamos em Intelectual ou Cultural).

O custo que representa para os Contribuintes a sua Comida, Carros Oficiais, Motoristas, Viagens (sempre em 1ª Classe), Cartões de Crédito.

Que tenham quase 5 meses de Férias ao Ano (48 dias no Natal, uns 17 na Semana Santa mesmo que muitos se declarem não religiosos, e uns 82 dias no Verão).

Quando cessam um Cargo manterem 80% do Salário durante 18 meses.

Que os ex-Ministros, ex-Secretários de Estado e Altos Cargos da Política quando cessam são os únicos Cidadãos deste País que podem legalmente acumular 2 Salários do Erário Público.

Ter Residência em Sintra e Cobrar Ajudas de Custo pela deslocação à Capital porque dizem viver em outra Cidade.

Quando o Povo vê isto , o que é que pode pensar ?

Anónimo disse...

A fronteira mais francamente traçada que vi entre direita e esquerda foi em maio de 1981 em França. Aqui, a linha de marcação pareceu-me clara. Mais clara, de facto, que no 25 de Abril 7 anos antes em Portugal "onde o 25 de Abril também foi feito para a direita se movimentar à vontade". Estou de acordo.
Em 1981 a direita em França (Recordo-me como se fosse hoje) tinha também muita dificuldade de se dizer de direita porque estava muito habituada a intitular-se "la majorité". Mas depois daquele voto tão marcante a favor do Mitterrand "la majorité" passou para a esquerda e a direita, se não queria assumir-se como direita, precisava de encontrar outra afirmação. Foi muito a custo que se assumiu, petit à petit, como direita.
De facto, o termo "direita" tem uma carga semantica insuportável para o povo oprimido e, os opressores, têm, historicamente, encontrado sempre lugares sentados à direita.
A história tem suficientemente mostrado que o perigo não está tanto no facto de a direita ter "vergonha" de avançar como direita mas mais ainda no facto de muitos camaleões com máscaras de esquerda conduzirem uma politica de direita. E quando assim é, encontramos exemplos, em França, como o exemplo de Laval...
É por isso que as palavras devem ser respeitadas.
José Barros

Anónimo disse...

Bem, este post do senhor embaixador transformou-se deu azo ao habitual anti-PCP do costume. Entre o anacronismo bafiento do "PCP estalinista" até à mentira pegada de feição zitaseabreira de "o PCP até rouba aos seus deputados", nós temos de tudo. Pois bem, a esquerda portuguesa, ou seja o PCP e o BE, são os únicos que não têm responsabilidades com o actual caos em que Portugal está mergulhado. Assumam de uma vez por todas: é a direita que se vai alternando no Poder, entre PS's, PSD's e CDS's que destrói o país.
Mas em direita, no lugar de pôr a mão na consciência prefere atacar o PCP recorrendo ao preconceito ultrapassado e à mentira.

Anónimo disse...

O sr. Defreitas pergunta : quando o povo vê isto o que é que pode pensar?
e a resposta, a minha pelo menos, é: só pode pensar mal e perguntar-se porque é que a natureza humana é tão egoísta e pensa primeiro nela própria e, só depois, nos outros. Esse é que é o problema: não existe um homem novo e bom e portanto temos que nos contentar com a necessidade imperiosa de educar, "contrariando as tendência maldosas" (como disse não sei quem) e eleger "homens bons, razoáveis e educados" e não lunáticos e chicos espertos como muito facilmente acontece.

Passo por alto as considerações sobre a necessidade de certificar a competência ( o meu pai disse-me que o homem mais inteligente e capaz que conheceu não tinha a quarta classe) bem com o escrutínio excessivo sobre o que os outros ganham e como vivem que me parece (dentro do razoável) manifestações da característica portuguesa apontada por, creio, Orlando Ribeiro, como sendo a principal: inveja.

João Vieira
de direita no sentido democrata cristão alemão ou conservador inglês (esta explicação é necessária no nosso país, de intelectuais de esquerda derrotados há mais de trinta anos)

Anónimo disse...

Subscrevo inteiramente o que diz DEFREITAS. É uma vergonha, num país de sacrifícios como este... Quanto a quem é de esquerda e de direita, conheço muita gente que se diz de esquerda e é tida como tal, parecem «heróis», mas que são estruturalmente conservadores e machistas (eles) e desprovidas de personalidade elas, pelo convívio com eles... Para mim, por exemplo a Drª. Helena Sacadura Cabral é uma Mulher e de Esquerda.

Anónimo disse...

Quem são esses "apoios financeiros" de que dispõe este novo jornal?

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Caro Francisco

Pelo-me por uma boa polémica, pois quando ela surge quer dizer que o artigo inicial diz coisas importantes e sujeitas a diversas interpretações. Como é o caso.

Mas não gosto de me ficar em explanações, elocubrações ou dissertações mais ou menos científicas, mais ou menos políticas, mais ou menos abstractas. Prefiro apontar as realidades.

O (des)Governo dos Srs. Coelho & Portas é de direita, ponto.

Se dúvidas houvesse, veja-se o pedido de Rangel ao PS para que este peça desculpa do que foi afirmado por Alegre. Em democracia e em liberdade, pedir desculpas não é boa prática. Mas, é de direita.

A discussão de ideias também comporta afirmações exageradas. Mas, Portas, que é de direita disfarçada de cristão-democrata apela à cruzada anti-Sócrates.

Não penso que calha a pena acrescentar mais. Eu sou de esquerda; sou do PS.

Abç

Anónimo disse...

Ao que chegou este regime (democracia?): A decisão de votar em alguém pode resultar da ponderação da inversa da quantidade das asneiras que ele comete, na perspectiva de cada um, sem pedir desculpa (esquerda “mal criada”) ou pedindo desculpa (direita “educados”) … “Observando” bem continua a ser irracional! Não é?
antonio pa

Anónimo disse...

O sr. José Manuel Fernandes é o mesmo que esperou pela "queda" do Sr. Vicente Jorge Silva para subir?
É o mesmo que, creio, foi da UDP? Ou é um arquitecto com obra publicada? Ou é filho de um pai ambientalista?
Ou é o mesmo que se meteu em embrulhadas com um tal sr. Lima da Presidência da República. Ou é o mesmo que andou pelo Expresso? Ou é o mesmo que dirige uma revista na "Fundação Pingo Doce" e que vivia em Caselas? Conheço-o, está sempre disposto a chagar-se à frente, ainda que pisando quem pisar com o seu ar oriental. Este filme já está demasiado visto. Quem lhe paga para, mais uma vez, se baixar e deixar ver o rabiosque. e outra maneira diria o Eça de Queirós. O pilim soa.