quinta-feira, 3 de abril de 2014

Novo governo francês

Não vou aqui entrar numa análise personalizada do novo executivo francês, chefiado por Manuel Valls, há pouco anunciado. Seria desinteressante para a maioria dos leitores deste blogue. Mas sempre direi que, tal como o anterior, ele representa uma calibrada representação das várias tendências e "baronatos", num modelo de "apaisement" que vai muito com o sentimento de François Hollande. Afinal de contas, não devemos esquecer que, na ordem constitucional francesa, é o presidente da República quem preside aos Conselhos de ministros, pelo que o governo é "o dele".

Valls não vai ter tarefa fácil, com os Ecologistas fora do executivo, ainda mais livres para o criticarem como vem sendo habitual, com a ala esquerda reforçada ou confirmada em algumas posições importantes (Economia, Educação, Justiça). Os "hollandais" de raíz garantem ou reforçam terrenos decisivos (Finanças, Defesa, Agricultura, Interior, Trabalho), com Ségolène Royale a obter uma pasta importante mas complexa (Ambiente e Energia) e duas suas antigas colaboradoras a preservarem áreas socialmente relevantes (Igualdade e Cultura). Resta alguma continuidade e a fusão de pastas, bem como certas promoções. 

"Much ado about nothing", apetece-me dizer, citando Shakespeare, ao verificar a composição deste novo governo. Por razões óbvias, não ouso traduzir o título da obra anglosaxónica por "a montanha pariu um rato"...

18 comentários:

Isabel Seixas disse...

Oh, prova de bobsleigh na segunda descida,condenada por tão mau olhado,
o capitão motard às voltas na rotunda,
visita a pescada que lhe canta o fado...

Tenha ele jeito a dirigir o tobogã
sem precisar da direita a travar com afã...

Anónimo disse...

Vexa não menciona que Moscovici será futuro Comissário europeu.

Defreitas disse...

Os Ecologistas deram um tiro no pé ... E o que será mais grave para eles é que Ségolène Royal vai tentar de provar que é possível fazer "Ecologia" ...sem os Ecologistas. De qualquer maneira, se os Ecologistas, com Madame Duflot à cabeça ,de novo deputada, fizerem obstrução na Assembleia Nacional e chumbarem o governo, não terão mais os lugares da Assembleia para as próximas legislativas, porque os Ecologistas sem os Socialistas não chegam lá ...

Alain Demoustier disse...

vejo no catalão um futuro Napoleão, e os franceses vão adorar
L'histoire ne fait que se répéter...

Anónimo disse...

A escolhe de Valls poderá ter sido uma boa escolha mas os efeitos de descontentamento afetaram mais a esquerda. O descontentamento da direita já o conheciamos e continua...
José Barros

Helena Sacadura Cabral disse...

Neste caso, o meu amigo Alain Demoustier parece ter toda a razão.
Vals tem algo napoleónico e logo que puder, tentará ocupar o lugar de Hollande.
Não creio que esta "re-modelação" vá resolver os graves problemas que o país enfrenta.

Defreitas disse...

Ao Senhor Alain Demoustier :

A Sarkozy chamavam-lhe Bonaparte! Acabou no Cap Nègre, após o Waterloo de Maio 2012. E a sua Grande Armée ainda não recuperou do desastre. Napoleão acabou em Santa Helena, desterrado pela "coligaçao" da Europa.

Pode ser de novo a "coligação" da Europa que mande Manuel "valsar" algures, noutro Waterloo do PS em 2017...ou antes !Porque a margem de manobra é estreita : Investir dinheiro na politica social (poder de compra e reduzir os impostos), oferecer um "cadeau" de 50 mil milhoes aos patroes, economisar no orçamento do Estado, e relançar o crescimento ! Trabalhos de Hércules.

Nos tempos perturbados que são os nossos e nos tempos futuros, o "pêndulo" vai agitar-se da esquerda à direita e vice versa.

São disse...

Há algo que não entendo: como pode um socialista ser de Direita?

Eu sei que se quer significar pertencer à ala mais à direita
de um partido de Esquerda, mas desde Blair e da sua terceira via que este tipo de designações me inquietam...

Boa tarde.

patricio branco disse...

seja o que for, não deixa de ser politicamente correcto mudar e remodelar um governo quando se perdem ou se sofre um desastre eleitoral, mesmo que não legislativo.
atitude ou principio que por aqui não há.
há uma etica e tradição democratico-eleitoral em frança, ainda.

patricio branco disse...

os napoleões nascem nas corsegas, fazem escala em elbas e terminam em santas helenas depois de terem andado nas franças.

Anónimo disse...

Uns entram outros saem:

"Edite Estrela com pena de deixar Bruxelas" .......in "Sol"

Alexandre

Anónimo disse...

A melhor escolha, para mim:

"O presidente Hollande vai empossar como ministra do "ambiente, desenvolvimento sustentável e energia" a antiga "companheira" e mãe dos seus quatro filhos.
Não se avalia aqui a eventual competência para o cargo desta ex-candidata à presidência. Mas não havia mais ninguém para escolher?"

Alexandre

Defreitas disse...

Oh, Senhor Alexandre : O que é que o incomoda ? O facto de ser uma mulher? Ou de ter sido a esposa do Presidente?

A "mulher" já foi Ministro do Ambiente e tem alguns anos de experiência nesta função, num governo precedente, e para mais tem uma boa base popular, melhor que a do seu ex-marido.

Como Presidente da região Poitou-Charentes tem uma boa e positiva experiência de gestão administrativa. E tem um sólido "carácter" ! Creio que desempenhará a sua função com rigor e competência. A primeira reacção à discutida lei sobre as eco-taxas, que "incendiou" a Bretanha, decididas pela direita de Sarkozy, que a esquerda foi obrigada de implementar, que ela vem de suspender para mais amplo estudo, prova que é um ministro que entende agir.

Quanto à ex-esposa do Presidente, isso interessa mais os magazines como Paris-Match e Closer . Não vejo razão nenhuma para sancionar uma "mulher politica", porque foi esposa de alguém. Os tempos são outros e a sociedade evolui. A Mulher toma o seu lugar inteiramente e plenamente.

Estamos longe do perfil moral e politico do Ministro do Ambiente que conheci, Maire e Deputado de Grenoble, do partido de Sarkozy, que fez alguns anos de prisão por corrupção.

Defreitas disse...


Ao Senhor Patrício Branco : tem perfeitamente razão: Em condições análogas, em 2008, após a mesma derrota , nas mesmas eleições, François Fillon e o seu governo de Sarkozy, não se demitiu. Ah, que é fácil dar lições aos outros quando se esquece aquelas que se deviam retirar dos mesmos eventos. !

Não conheço bem a politica portuguesa, mas não foi Guterres que se demitiu nas mesmas circunstâncias?

Anónimo disse...

Á atenção do Sr.DFreitas:

"Notícia de L’Express, jornal que não é exactamente um tablóide. E assim, a confirmar-se o rumor, temos um notável engarrafamento na cama latu sensu do PR francês. Por ordem de chegada: uma jornalista que desempenhou temporariamente o papel de vice-presidente, a ex-mulher dos seus 4 filhos agora regressada como ministra, uma actriz que substituiu a vice-presidente e, sabe-se agora, la première maire de Paris qui est la mère d'un fils de François, voilà."

Tenho como direito adquirido desde a infância a igualdade/oportunidades ente entre homens e mulheres .

Alexandre

Defreitas disse...

Caro Senhor Alexandre: Se fossemos fazer a lista de todas as mulheres que passaram na cama dos presidentes da direita e da esquerda , teríamos gasto muito papel !!! Houve mesmo um Presidente que não resistiu à ...emoção, e passou à posteridade, enquanto que a companheira "des ébats" escapava pela porta das traseiras do Eliseu !!!

Quanto à influência das mulheres da presidência, penso por vezes no papel de Nancy Reagan, a astróloga do presidente e marido, que não tomava nenhuma decisão importante sem a consultar!
Quanto a Kennedy ... bom passemos!

O que me importa é de ver como a nova equipa vai afrontar as dificuldades e salva esta magnifica Nação livre, da decadência na qual os governos sucessivos a deixaram em dezenas de anos de governo.

Defreitas disse...

Ainda no quadro do comentário , muito respeitável, do Senhor Alexandre sobre a informação do "Express" segundo a qual Anne Hidalgo , agora Maire de Paris, teria tido um filho dum deputado chamado François Hollande, hoje Presidente da Republica.

Já há muitos anos que se dizia isso em Paris, só que, na época, 2002, não era "rentável" de "sair o "scoop" para o público. Um deputado, bof! Uma adjunta do Maire ? bof!!! Quantos seriam, nessa época, os deputados que davam facadas no matrimónio nesse vasto mundo politico, e não só, porque o dos "negócios" também tem os seus campeões? Hoje sim, vale a pena.

E , Caro Senhor Alexandre, tablóide ou não, o "Express", "Le Point", Mediapark' e mesmo o "Nouvel Obs", portanto de esquerda, (?) e toda a imprensa , em regra geral, vive tempos difíceis . Para vender papel, vai ser preciso "inventar" ou "divulgar" verdades escondidas até hoje.

Um Presidente da Republica e um Maire de Paris são alvos interessantes. Sobretudo se são de esquerda !!! Sem esquecer que Giscard d"Estaing e Pompidou também por lá passaram e tiveram as suas "horas de gloria", das quais se teriam certamente escapado se tivessem podido.

Mas o melhor está para vir. Manuel Valls vai ser "espionado" em todos os cantos, analisado com lentes de forte intensidade, e se puderem apanhá-lo antes das eleições de 2017, então será uma festa! Porque o "animal" mete medo aos conservadores! A direita terá mais possibilidades de derrubar Hollande, se este perder a aposta do restabelecimento da economia até 2017, que Manuel Valls. Os adversários potenciais já estão a fazer os cálculos das probabilidades!

A imprensa, habitualmente, escolhe de antemão os vencedores e os vencidos. E quando ela escolher, apontarão todos os canhões para as vítimas . Na realidade, a imprensa francesa reconverte-se à especialidade anglo-saxónica dos tablóides! Todos procuram o "sccop" que faz subir as vendas!

Anónimo disse...

Sr. DFreitas, obrigado por alguma informação complementar (francesa) que não conhecia.

A natureza humana , na sua essência racional não "possui" a dictomia esquerda direita, a inteligência/racionalidade em muitos casos é orientada pelas emoções imediatas/instintos.

Concordo consigo quanto á subida das vendas dos jornais que infelizmente tiveram de "concorrer" com os media-corn-flakes deste Séc XXI !

"Assim vai o Mundo", titulo de um antigo documentário francês visto na minha adolescência.


Aalexandre