sexta-feira, 14 de março de 2014

Postura

Ao longo dos últimos três anos, os portugueses têm vindo a aprender algumas coisas sobre a personalidade do dr. Pedro Passos Coelho.

A sua recente decisão pessoal de fazer regressar Miguel Relvas à ribalta política, a claro contra-ciclo do sentimento maioritário do país, bem como o desafio ontem feito ao presidente da República, com a re-apresentação ao parlamento do projeto legislativo de aumento das prestações para a ADSE, revelam estarmos perante uma pessoa que tem uma incontrolável pulsão para a vertigem do risco, um sentimento que explora, com frequência, os limites do seu poder, coisa que, pelos vistos, é tolerada no seio da sua família partidária, por muito que nela possa incomodar alguns. Outros factos, já ocorridos no passado, parece confirmarem plenamente esse perfil, onde se vislumbram traços que combinam uma atitude provocatória, de uma arrogância quase adolescente, com uma espécie de tentativa de emulação virtual do "sá-carneirismo". 

A questão que me coloco é de natureza política. É a interrogação sobre a compatibilidade entre este recorrente modelo desafiante, que parece comportar na sua matriz um certo deslumbre do poder, com a sua posição de principal responsável executivo por uma das situações mais delicadas da História contemporânea do país. Para ser mais claro: será que o dr. Passos Coelho, nas graves decisões externas que comprometem o país e o seu futuro, assume também este mesmo perfil decisório?  

10 comentários:

Inquieto disse...

E a resposta será: Aposto que não!

António Pedro Pereira disse...

Caro Senhor Embaixador:
Certamente conhece aquela pequena história do indivíduo a quem a vida corria mal.
No emprego, em casa (vivia só), ainda por cima era viciado no jogo e no álcool, pelo que o parco ordenado acabava por volta do dia 10.
Mas tinha um gato em casa a quem dava com um pau.
Ao menos no gato mandava ele.

Anónimo disse...

Com a devida vénia, Vexa parte de uma premissa errada: procurar explicar um comportamento a partir de uma tipologia de personalidade.
A ressureição de uma figura detestada é, no caso em apreço, o pagamento do dízimo, do tributo da criatura ao criador. É porém difícil distinguir ambos, embora um pareça mais inocente e o outro mais perverso. Mas são ambos uma e a mesma face da mesma moeda. "E não se podem exterminá-los"?(Dario Fo).

Isabel Seixas disse...

Ó se os olhares Matassem
os sobrolhos franzidos inibissem
os insultos saneassem
e os deuses de facto existissem
não haveria pulsão
atos que redimissem
ou sequer direito a perdão
dos homens que ao povo mentissem...

Aliás nem em relvas nem prados
nem a passos ou a saltos
os mentirosos desnaturados
mesmo nos mais respeitados palcos
devem é ser condenados e excomungados...

Anónimo disse...

Desculpe-me, mas esta história da ADSE parece-me muito mal contada. Os grandes de Portugal aprovam que se mantenha a ADSE a preços acessíveis para gente que, na sua maioria, ganha mal, muito mal. Adivinhe quem são esses grandes? Tudo isto se transformou num espetáculo ridículo, muito bem encenado e treinado.

Sobre o passos, está a ser demasiado lisonjeiro.

Anónimo disse...

Pelo menos o FMI, a BCE e a UE, tecem-lhe os maiores elogios. A frase "Portugal está financeira e economicamente melhor" assentou bem nesses meios. O pior é que a situação dos portugueses é pior. Há nisto, qualquer coisa de esquizoide.

EGR disse...

Senhor Embaixador: francamente que o traço mais relevante da postura do PM é o de um adolescente que chegou ao poder pelos métodos que, há tempos, foram evidenciados na revista Visão com base em testemunhos de alguém conhecedor,por dentro, de todo o processo e até se reclamava de o haver liderado.
O que,a ser verdade, não me parece abonatório da personalidade do PM.
Mas, o que se me afigura claro é que o PM tem uma aflitiva falta consistencia,chamemos-lhe por comodidade,cultural que se espera exisitir num PM.
E, não deixa de ser curioso que ninguém até hoje se tenha dedicado a investigar o percurso académico do Dr.Passos Coelho.
Talvez o Correio da Manhã se pudesse dedicar a tarefa.
Certamente que fora do país o Dr. Passos Coelho deve, apesar de tudo, ter consciencia das suas limitações e aí abandonar a postura que adopta internamente.
Finalmente se, por acaso, o Dr. Passos Coelho pretende qualquer comparação com o Dr. Sá Carneiro de quem nunca fui apoiante, mas cujas dimensões dimensões intelectual, cultural, e política eram indiscutiveis, então o problema é mais grave.
Porque isso significa que o Dr. Paasos Coelho não tem noção das distancias.

Defreitas disse...

The top 50 of the 147 superconnected companies
1. Barclays plc
2. Capital Group Companies Inc
3. FMR Corporation
4. AXA
5. State Street Corporation
6. JP Morgan Chase & Co
7. Legal & General Group plc
8. Vanguard Group Inc
9. UBS AG
10. Merrill Lynch & Co Inc
11. Wellington Management Co LLP
12. Deutsche Bank AG
13. Franklin Resources Inc
14. Credit Suisse Group
15. Walton Enterprises LLC
16. Bank of New York Mellon Corp
17. Natixis
18. Goldman Sachs Group Inc
19. T Rowe Price Group Inc
20. Legg Mason Inc
21. Morgan Stanley
22. Mitsubishi UFJ Financial Group Inc
23. Northern Trust Corporation
24. Société Générale
25. Bank of America Corporation
26. Lloyds TSB Group plc
27. Invesco plc
28. Allianz SE 29. TIAA
30. Old Mutual Public Limited Company
31. Aviva plc
32. Schroders plc
33. Dodge & Cox
34. Lehman Brothers Holdings Inc*
35. Sun Life Financial Inc
36. Standard Life plc
37. CNCE
38. Nomura Holdings Inc
39. The Depository Trust Company
40. Massachusetts Mutual Life Insurance
41. ING Groep NV
42. Brandes Investment Partners LP
43. Unicredito Italiano SPA
44. Deposit Insurance Corporation of Japan
45. Vereniging Aegon
46. BNP Paribas
47. Affiliated Managers Group Inc
48. Resona Holdings Inc
49. Capital Group International Inc
50. China Petrochemical Group Company

Defreitas disse...

Leiam bem: Eles são os verdadeiros Mestres do mundo, os patrões dos políticos de todos os países, quaisquer que eles sejam. A única diferença reside na personalidade daqueles que servem os Mestres. Na sociedade liberal, os políticos não são vigiados nem são sancionados se abusam de privilégios abusivos .

Se um dia o sistema escandinavo fosse imposto em Portugal, ninguém aceitaria de se apresentar às eleições. Só espíritos nos quais a democracia foi ensinada desde a escola elementar aceitam as responsabilidades e o controlo da lei. A auto disciplina existe e o culto da personalidade é inexistente. A exemplaridade é uma virtude politica necessária. Mas onde?

Há muitos interesses e vantagens (benesses) em jogo, financiados pelo dinheiro publico, sem falar da vantagem do "braço longo", privilégios e notoriedade da função.
Estes privilégios são a principal motivação dos políticos. Por isso se combatem uns aos outros nos partidos políticos para "lá" chegarem. A traição entre correligionários é coisa comum.

Uma vez chegados ao poder, há aqueles que se apressam a cumular os benefícios pessoais o mais rapidamente possível, sabendo que, para o momento, ainda existe uma remota possibilidade de serem enxotados do poder pelo povo. Por isso , paralelamente à função que consiste a aplicar as instruções dos Mestres, preparam cuidadosamente o ponto de queda do após poder politico. Banco , firma ou instituição publica, um lugar ao sol está-lhes automaticamente reservado pelos Mestres, que eles bem serviram.

Então, não precisam de grande inteligência nem grandes capacidades de gestão. Os "poleiros" são de natureza passiva; requerem uma assinatura por baixo, nos Conselhos de Administração e nada mais. A política é ditada ao nível superior, pelos accionistas. Não são nada mais que um bando de amigalhaços que se fizeram, fazem e farão favores uns aos outros um dia ou outro.

O espectro do politico corrompido e submetido ao poder dos diversos lobbies que nos assassinam paira sobre a democracia.

O trabalho fornecido com entusiasmo e eficácia para o bem do povo, é inversamente proporcional ao trabalho miseravelmente produzido pelos homens do poder que se enriquecem à custa dos cidadãos honestos. E o que é pior ainda : Estão acima da Justiça.

Hoje, pelo menos no Ocidente, a impressão geral é que o mundo caminha para uma catástrofe global, ainda mal definida mas sem duvida tão destrutora para as civilizações como teria sido uma guerra nuclear que foi o grande temor da segunda metade do século 20.

Os fortes do momento ( ver a lista não exaustiva) exploram a fundo as suas vantagens sobre os fracos, sem se preocupar do futuro do mundo. Mas como se trata de homens e não de vegetais ou de animais, que se deixam massacrar sem protestar, os fracos, estão cada vez mais tentados de recorrer a acções destrutoras para se fazerem ouvir. Isto pode muito bem radicalizar os afrontamentos e provocar catástrofes devido à difusão dos meios de destruição massiva. Entretanto, são os valores fundamentais da democracia e da sociedade que se desmoronam todos os dias.

Anónimo disse...

Sr Embaixador,

Aposto que sim.

O PM não tem noção!