quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Joseph Crabtree

Estarei hoje presente num jantar no University College, em Londres, reunindo os cultores da memória de Joseph Crabtree. Desde 1954, existe na capital britânica a Crabtree Foundation, que congrega um grupo de cerca de 400 cidadãos que, uma vez por ano, na terceira quarta-feira de Fevereiro, se reúnem, numa solene refeição para a qual é obrigatório o uso de "smoking", para ouvir um deles falar de um dos diversos aspetos das extensas vida e obra de Crabtree.

Segundo os anais, Crabtree terá vivido exatamente um século - de 1754 a 1854. O seu percurso é o de um personagem quase renascentista, tendo sido escritor, viajante, político e uma multiplicidade de coisas mais, como os tempos recomendavam. Poemas por si assinados apareceram publicados em antologias de poesia inglesa. A admiração por este destino de eleição levou à gestação de um verdadeiro culto intelectual àquela figura, a que eu próprio acabei por não ser insensível.

Desde 1992, passei a ser um dos muito escassos "scholars" estrangeiros da Crabtree Foundation (não somos mais de uma dezena, entre centenas), para onde entrei então pela mão do Bartolomeu Cid dos Santos, com quem lancei as bases, com o Helder Macedo e o Luis de Sousa Rebelo, do "Portuguese chapter", que, há uns anos, realizou no Hotel Lawrence, em Sintra, um encontro dedicado a "Crabtree e Byron". E que proximamente vai ser revitalizado. Há dois anos, coube-me a honra de presidir à Fundação durante um ano, incluindo o jantar anual em Londres e nele anunciar o meu sucessor (escolhi uma sucessora) e designar o orador para o ano seguinte.

De Lisboa, Nova Iorque, Viena e até de Brasília, tenho procurado deslocar-me, com a regularidade possível, a esses jantares anuais em Londres. Em ocasiões passadas, fui de Paris. Agora, desloquei-me de Lisboa. "The great Man", como é saudado no brinde inicial, que anualmente é feito em frente do seu retrato (na imagem), e a sua fantástica obra merecem-no bem.

O leitor, menos familiarizado com estas coisas, talvez possa ter tido o azar de não estar informado sobre a insígne figura de Joseph Crabtree. Por isso, se estiver interessado, pode ler as "The Crabtree Orations", vol I (1954-1994) e vol II (1995-2004), ed. Brian Bennett & Negley Harte, The Crabtree Foundation, London, 1997 e 2004. Esses volumes acolhem aspetos da vida e obra de Crabtree, anotados através das conferências que figuras eminentes sobre ele produziram. Talvez me tenha escapado neste texto um pequeno, mas quiçá despiciendo, pormenor: Joseph Crabtree teve um contacto pouco intenso com a vida. Não tenho pejo em reconhecê-lo. Mas daí a poder dizer-se, como alguns insensíveis afirmam, que Crabtree nunca existiu vai uma distância equivalente à que separa a insídia do mito. Francamente!

11 comentários:

Defreitas disse...

O que parece certo é que se Einstein tinha ensinado com o método de Crabtree , não sei se teríamos herdado dos ensinamentos da lei da relatividade.

"His contributions to science were first noted by R.V. Jones, who pointed out that the majority of Crabtree's work in the scientific field "was oral," rather than literary, in nature and therefore "only survives" in the manner in which he influenced other scientists".

Mas ," For the most part, the orations are written in a light, style, only rarely descending into obfuscatory language."

Compreendo melhor o sentido da ultima frase do "post"do Senhor Embaixador, quando leio : " Actually, Crabtree is a fictitious figure, created by Sutherland for a "mock" session given at the college."

Os Ingleses são unicos na arte de criar ficção na qual muitos "crêem"! Os fantasmas dos velhos castelos escoceses e o monstro de Loch Ness, por exemplo! So British !
Bom apetite, Sir !

patricio branco disse...

foi mario claudio que criou e biografou um interessante personagem, um tiago veiga, algo assim como um crabtree mas português e nascido em 1900 e ainda quase sem seguidores e sem o jantar anual. que eu saiba, mas tambem mercecia o português tiago veiga ser lembrado e homenageado, mario claudio fez o que pôde e foi muitissimo, o senhor mercece agora a sua fundação e um jantar anual (no porto).

ignatz disse...

eu é mais lobstertree, mas sai-me do bolso.

Anónimo disse...

A very British cut on jacket?
antonio pa

opjj disse...

A roupinha não chegou a hibernar, quer dizer, em Londres nem verá o sol.
cumprimentos

Anónimo disse...

Insidiosas atoardas na realidade.

Duas breves notas: Todos temos saudades do ano em que ocupou a Presidencia, sim que nao e so presidir ao jantar anual. Outras coisas se passam durante 2012. Escolheu e muito bem uma mulher para Presidente (2013) que, por sua vez, foi "iluminada" e escolheu uma Oradora para 2014-Professor Nicola Miller-area America Latina. Grande antecipacao.

Espero agora que em breve um Presidente seja iluminado/a e o escolha a si como Orador. Era bom um Segundo Orador portugues, ja que o Bartolomeu foi o primeiro.

Mais nao digo. Como "Elder and Awful Guardian" manda o bom senso que guarde um ou dois gambuzinos no saco.

Saudacoes.

Ate logo no jantar

F. Crabtree

Mônica disse...

Francisco
Hoje que vi que já se passaram cinco anos deste blog!
Vou colar pra voce em um comentario o que escrevi lá.
O Jantar vai ser delicioso pois o senhor conhece a biografia deste escritor e vai se sentir em casa.
Junto com sua esposa lembre de sua amiga mineira que vai ser sua amiga eternamente, com os comentarios simplorios mas cheios de satisfaçao por le los.
com carinho Monica

Mônica disse...

Francisco
PARABÉNS PRA VOCE NESTA DATA QUERIDA, MUITAS FELICIDADES, MUITOS ANOS DE BLOG.

Eu fico tão feliz quando fico sabendo que voce me citou.
Ando procurando algum livro seu por todas as livrarias de BH e algum de Helena também, mas nao encontro.
Já nao tenho a mesma assiduidade pois agora faço outras coisas a nao ser ler e ficar bisbilhotando aqui.
Mas de vez em quando ainda encontro alguem que me conta que voce escreveu.
Minhas irmãs são tão fãs de voce quanto eu.
OBRIGADA MEU AMIGO Francisco.
Para mim voce será o meu embaixador sempre!
Tenho muitas amigas de Portugal e quero conserva las.
Eu vou fazer o possivel para ler mais vezes pois o senhor é para mim uma pessoa especial, de verdade!
Se souber onde vende seus livros aqui no Brasil me dê o endereço por favor.
Com o carinho de sempre
sua amiga Monica
Parabens a todos que leem este blog nestes 5 anos
Eu leio! Nao tanto quanto antes, mas leio sempre que posso!

Anónimo disse...

Incrível, Freitas! A forma como faz copy+paste só está à altura de grandes espíritos!

Anónimo disse...

Mas quem tem um autógrafo dele sou eu. Valiosíssimo. Posso passá-lo se pagarem bem e em libras. Há facetas dele que os seus apaniguados não conhecem: era um aguarelista de grande mão e traço ligeiro.Também tenho algumas aguarelas que me caíram em sorte por via de um ascendente britânico.E um livro de receitas como outro não conheço, onde poderiam, se vocês o tivessem, ir colher acepipes do melhor.Com a crise, penso levá-lo a leilão na NET.

Julia Macias-Valet disse...

Espero que tenham tido a delicada atenção de convidar o Bernard-Henri Lévy ;)