sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

A sofisticação da História

Ao tempo do Estado Novo, tinha por hábito ler com atenção um determinado jornalista do "Diário de Notícias", que escrevia sobre política internacional. Era um homem estudioso, que caprichava em opinar sobre regimes políticos existentes em lugares recônditos do mundo, relativamente aos quais elaborava juízos definitivos, muito maniqueístas, colocando-os com grande simplicidade nas prateleiras dos "bons" ou dos "maus" da História.

Porque eu vivia num ambiente que era, em absoluto, simetricamente oposto ao daquele jornalista, quando ele "dizia mal" de algum líder ou regime, ele passava, de imediato, a cair-me no goto. E vice-versa. Era o tempo da Guerra Fria, e, no nosso caso, das guerras coloniais, o que autorizava a ditadura a zurzir tudo quanto soasse a favorecimento de regimes democráticos, com o "terceiro-mundismo" ou o apoio da União Soviética a serem o cúmulo da diabolização. Mesmo algumas atitudes dos Estados Unidos, quando acaso lhes dava para favorecer democracias, não escapavam ao crivo severo do escriba do jornal da avenida que ironicamente já se chamava da Liberdade. Ele era o "fiel" da minha balança ideológica, vista ao espelho. Era tudo tão fácil!

O mundo mudou. Já não há dois sistemas a polarizar as simpatias. O comunismo acabou, mas as democracias não fazem, nem de longe, o pleno do mundo. A tendência em geral prevalecente na opinião pública é, assim, mostrar simpatia pelos movimentos que possam pôr em causa os ditadores ou mesmo os líderes autoritários.

Foi assim no Egito. Todos "estivemos" na praça Tahrir, todos nos sentimos aliviados com a saída de Mubarak, todos saudámos as eleições livres. Depois, ao olharem-se os resultados, alguns de nós perguntaram-se se aquela imensa vitória islamista não poderia vir a ter consequências complicadas. Mas, c'os diabos!, era o voto, era a democracia, era a vontade do povo. Com o tempo, viu-se que essa vontade conduzia a uma radicalização islamizante com tons preocupantes, num afastamento da laicidade pública, a qual tinha, apesar de tudo, algumas vantagens para a vida coletiva de uma sociedade religiosamente tolerante. E, entre alguns de nós, a simpatia por um regime que estava a aproveitar a sua chegada democrática ao poder para criar uma hegemonia totalizante começou a esmorecer. Um dia, os militares reimpuseram o poder das armas. Entre nós, alguns suspiraram de alívio. A outros, começou a preocupar a nova ordem ditatorial, os generais que aí estão de novo. E, um destes dias, quando estes exercerem a violência e a repressão que lhes está na massa do sangue e na ponta das armas, alguns de nós (embora já não todos nós) "voltarão" à praça Tahrir. É a vida!

Porque é que me lembrei disto hoje? Porque, ao olhar para o simplismo com que o mundo ocidental está a reagir face à situação na Ucrânia, me dou conta de que ainda não se interiorizou que estas coisas já se não pintam a preto e branco e que a História, nos dias que correm, é uma coisa muito mais sofisticada. Na Ucrânia, na Síria, na Líbia e por aí adiante.

22 comentários:

Catarina disse...

o mundo é uma coisa muito mais sofisticada,e eu pergunto se os dirigentes do mundo estão á altura dessa sofisticação para evitarem o pior

Anónimo disse...

joão Coito, BINGO

Defreitas disse...

Não creio que "a primavera árabe" no Egipto de Moubarak , acossado pelo islamismo, que recebia dos EUA 2 mil milhões por ano para aplicar uma política de paz com Israel, possa ser comparada à "explosão" orquestrada pela UE e os EUA na Ucrânia, mesmo se as oligarquias corruptas que governaram até agora este pais , Yanoukevitch como Julia Timoshenko, libertada mas insultada pelos revoltados da praça de Maidan, estão na origem do descontentamento duma parte importante da população.

Porque não há dúvida nenhuma que o povo tem razão de queixa contra esta classe política corrupta que governa desde há muitos anos o pais, como na Rússia dos anos 1990, mas em pior. Porque estão todos à venda: parlamentares, administração, governos regionais, ministros e mesmo o presidente. Os oligarcas possuem tudo: medias, tribunais, policia, bancos e tudo o mais. A economia à deriva está arruinada.
Na Ucrânia, o jogo é mais complexo. Sem esquecer os 150 000 ucranianos que combateram ao lado dos alemães contra os russos durante a última guerra, dos quais um chefe reputado - Sefan Bandera- foi proclamado herói nacional pelos extremistas da direita de Kiev, que os Russos não esqueceram, não sei se toda esta gente é realmente democrática e corresponde aos valores que a UE e os EUA querem representar.

Ninguém pode admirar-se que os Ucranianos desejem a prosperidade, a segurança, o reino da lei, as oportunidades económicas, os meios de desenvolvimento pessoal, social, profissional e espiritual. Fundamentalmente, aspiram à mesma coisa que não importa qual ser humano : condições de vida decentes. Não será isto alias o mesmo desejo de todos os povos?

So que o problema actual é este: Uns vêm a UE como a melhor esperança para atingir este objectivo, e outros consideram a participação a uma união económica com a Rússia, a Bielorrússia e o Kazakhstan como uma bem melhor opção.

As proporções exactas não são verdadeiramente importantes, por uma razão simples e largamente ignorada: os cidadãos ucranianos não contam neste conflito, porque não são nada mais que piões utilizados por todas as partes.
A UE tem necessidade deles como escravos, como os Romenos, os Búlgaros, etc., os EUA como piões, e a Rússia precisa de estabilidade na Ucrânia. Tudo uma questão de geoestratégia. Os EUA visam o caos, fácil a realizar e financiar . A experiência do Chile e da Venezuela actualmente prova-o.
Se os Ucranianos são estúpidos e cegos pelo seu nacionalismo para compreender , então pagarão caro a folia. Se são inteligentes, que deixem a Rússia ajuda-los e sobretudo que não imaginem que os Russos invadirão e ocuparão a Ucrânia independente. Para eles basta-lhes fazer agir a parte oriental, e assegurar a sua presença na Crimeia, que nunca aceitarão de abandonar. Para lá disso, "wait and see": Esperar que uma força viável retome o poder em Kiev, ou que a Ucrânia se destrua.

Defreitas disse...

Na sequência do meu comentário precedente, faltou frisar o ponto seguinte: A UE vive uma crise sistémica, económica, social e política, e procura desesperadamente novas oportunidades para se salvar da sua lenta derrocada. Para a UE, a Ucrânia é antes de mais um mercado onde vender os seus bens e os seus serviços. A Ucrânia é também um meio para dar à UE uma entidade maior, mais poderosa e mais pertinente.
Os objectivos dos EUA na Ucrânia são completamente diferentes dos objectivos da UE, o que se nota bem nas tensões existentes entre os seus diplomatas e a UE , que o Senhor Embaixador notou com ironia quando relatou a expressão de Madame Nuland : que a UE "aille se faire f...!".
Por outro lado, fala-se de 5 mil milhões de $ como sendo a soma investida pelos EUA no golpe ucraniano, para atingir os seus objectivos.

patricio branco disse...

talvez o melhor modelo fosse ainda o da guerra fria, coexistencia pacifica como se chamava, cada um dos lados controlava a sua zona.
aparentemente as coisas vão sempre para pior, talvez houvesse mais estabilidade interna e internacional com mubarak.
mubarak não estava mal, vendo bem. já kadafi era uma aberração.
entretanto apareceram outros fenómenos que cresceram no novo terreno propicio, terrorismos, fundamentalismos, etc
mas a marcha da historia e das nações será que se pode controlar ao nosso gosto? não se pode, basta rever o que se passou de mudanças, pacificas ou armadas, guerras,desde a instauração e queda do imperio romano.
há hoje paises que nunca tiveram a minima estabilidade, fronteiras, população, paz.
no caso da ucrania, seria um erro a ue querê la para o seu lado, aquela zona é da russia e bem bastam os problemas que a ue tem internamente. quem diria que ia ser assim na ucrania, ainda se vai dividir em duas...

Francisco Seixas da Costa disse...

Não era João Coito

Defreitas disse...

Peço desculpa, Senhor Embaixador, de introduzir este texto, apesar de não ser o tema do "post". Quem poderá ter a gentileza de me informar sobre o assunto ? Verdade ou desinformação?

"Assunto: A MARCHA PARA A DITADURA

*AMBIENTE DE INTIMIDAÇÃO POLICIAL NA NOITE DE LISBOA -
Testemunho de PEDRO BAPTISTA-BASTOS*

*16 de Fevereiro de 2014 às 11:29*



*Em todos estes anos de noite lisboeta, assisti a uma cena impressionante:
o Corpo de Intervenção (CI) fechou o perímetro entre o Arco da Rua Augusta
e a Rua da Prata. Estava a regressar a casa com o Gonçalo Pina* *e três
tipos do CI * pedem para atravessarmos o passeio. O aparato era
impressionante: quatro carrinhas do CI, três carros da PSP, dezenas de
agentes sob os arcos desse perímetro em três linhas de formatura,
totalmente armados.*
*Ambiente de intimidação.*
*Alguma coisa se estava a passar, ou ia acontecer ali. Ficámos à espera
para ver o que iria suceder.*
*Nisto, a primeira formatura atravessa a rua e manda parar os autocarros
que saíram do Cais do Sodré e iam para a zona de Oriente - Odivelas.*
*O CI pára três autocarros e mandou sair uma série de passageiros,
alinhá-los sob as arcadas e revistá-los.*
*Toda a gente calada e encostada.*
*Dentro dos revistados, turistas alemães e brasileiros - os primeiros a
saírem, confusos e assustados.*
*Nunca vi um alinhamento de revistados assim.*
*Ao voltarmos de táxi para casa, o taxista disse que o CI começou a fazer
este género de operações de há duas semanas para cá.*
*Este tipo de demonstrações de força e intimidação não são normais em
Portugal.*
*Espero que isto não seja um prenúncio de outras coisas mais graves que
possam estar latentes, ou prestes a explodir no nosso País, e digo isto com
toda a sinceridade.*
*Critico duramente o Cavaco e o Governo - mas estas situações são outra
coisa.*



** CI, Corpo de Intervenção*

JM Correia Pinto disse...

Nem mais!É isso mesmo: é tudo muito mais complicado.

patricio branco disse...

havia o João coito ou couto, mas havia outro com voz pastosa e cara redonda, mais velho e gordo, muito diferente fisicamente do coito, eu até ouvia de vez em quando o couto, outro, o ramiro valadão era intragável, mas o comentador de que gostava nos meus 13 ou 14 anos era o correspondente josé augusto de paris, as suas cronicas na emissora nacional, tinham certo estilo europeu, boa dicção, etc

Anónimo disse...

Das "capoeiras" da IIªRepublica (dito "Estado Novo"), para os Ipads do Sec XXI e dos drones vai uma evolução maior do que da Idade da Pedra á Idade Média!

A Natureza humana, sempre a mesma, aproveita a facilidade de criar, enganar e alterar o discurso conforme as "orientações" financeiras de meia dúzia.

A cupidez humana é uma grande "virtude" !

A UE, o que é isso ? , um clube de golf ou um aquário para peixes exóticos ?

Alexandre



Anónimo disse...

“O PCP votou contra a condenação, pela AR, dos crimes contra a humanidade perpetrados pelo regime da Coreia do Norte.”
Muito sofisticado…
antonio pa

Anónimo disse...

Quanto ao jornalista, atrevo-me a pensar que talvez fosse Moraes Cabral, tio do ilustre Embaixador do mesmo apelido.

Anónimo disse...

As coisas com o fascismo eram mais claras. E os jornalistas também se compreendiam melhor. Nem que tivessemos de ler o texto ao espelho. Agora é tudo muito complicado.
E até já há quem diga que era melhor beber um café, à mesa do café, de bico calado, com medo que o palerma ao lado fosse um bufo, do que não poder hoje beber café.
Isto começa a ficar muito complicado !
José Barros

Helena Sacadura Cabral disse...

Defreitas faz, a meu ver, uma análise bastante inteligente da situação.

Mônica disse...

Boa noite Francisco que bom te ver aqui. Ando atarefada. Mas hoje deu um tempinho pra rever voces.
com carinho Monica
Já estou no ritmo do carnaval. Moro em frente a uma pracinha e nela estão todos os carnavalescos. Minha noite será de brincadeiras de carnaval mas so ouvindo.
Hoje vou enviar este texto pro meu irmao!
Uma aula de cultura que nunca tinha visto.
Um texto para ser propagado por todos em todos os paises.
O BRASIL que o diga!
com carinho Monica

João Pedro disse...

Caro Defreitas, a sua explicação peca por clara preferência à Rússia. Conheço a Roménia e a Bulgária e posso garantir-lhe que preferem ser "escravos da UE", como diz, cuja bandeira, e a da NATO, exibem com visível orgulho, a qualquer relação com os russos, que aliás só lhes desperta sentimentos de raiva e pavor. É natural que muitos ucranianos sintam o mesmo, sobretudo se pensarmos no genocídio autêntico de que foram objecto nos anos 20-30, o que explica porque é que tantos se aliaram aos nazis. Já agora, não esqueçamos que a Rússia não teve pejo em intervir militarmente na Geórgia em 2008. E se a UE e EUA podem ter responsabilidades nos actos de uma das partes, a Rússia não tem menos noutra (por exemplo, os arruaceiros titushkas, amealhados na Crimeia, não são uma invenção). Não há inocentes nos confrontos entre blocos (embora prefira muito mais viver no meu e no de Portugal, o ocidente).

Ésse Gê (sectário-geral) disse...

Barradas de Oliveira. Também ia à RTP.

Defreitas disse...

Caro João Pedro : A expressão "peca", que utiliza, diz muito sobre uma mentalidade do passado em Portugal. Foram tempos em que só o facto de pronunciar a palavra "Rússia" podia levar ao Tarrafal. Não é "pecar" de ter uma opinião.

Reivindico o direito de considerar que a Rússia tem obrigações de grande potência que é, sem por isso apreciar o regime politico e ainda menos a personalidade do seu dirigente máximo, nem todas as iniciativas deste.
Mas se em tempos passados me situei claramente do lado dos EUA de John Kennedy, quando este recusou à União Soviética o direito de instalar os seus mísseis em Cuba, a 150 km de Miami, também hoje considero que a Rússia tem o direito de considerar como acto ofensivo de colocar os Pershing da Nato à sua porta, como o eram os que esta aliança militar queria colocar na Geórgia. Mesmo se já se encontram na vizinha Polónia.
Creio que a paz do mundo tem esse preço. E eu sou pela paz e não pela expansão dos interesses dos EUA, que são em muitos casos opostos aos da Europa.

A Nato soube bombardear a Sérvia e largar milhares de toneladas de bombas sobre o Kosovo, 10.000 km2, mas não soube ajudar o esforço francês na África ( Mali e Chade) onde se bate contra Al Qaida! Foi rápida para intervir na Líbia ( ah o petróleo), mas tarda a vir em Centre Afrique!

Por isso apreciei desde sempre a política de De Gaulle, que manteve a França fora da Nato, evitando assim de pôr a sua força de dissuasão nuclear sob o comando dum general americano. E lamento que o ex-presidente Sarkozy, mais "americano" que os americanos, como se apresenta, tivesse integrado o rebanho dos satélites europeus.
Como fui contra a cimeira dos Açores, na qual os lacaios de Bush (Aznar, Durão Barroso e Blair) deram o seu aval à invasão dum Estado , o Iraque, acto que custou a vida a centenas de milhares de homens, mulheres e crianças, só porque os EUA, o Ocidente, como diz, estimava que as AMD cairiam sobre Londres em 10 minutos! Quando sabemos bem que só o petróleo interessava os EUA e justificava a invasão.

Como o Senhor, também eu prefiro viver no nosso bloco "ocidental", com os seus "valores", mas que não são sempre os meus. O que não quer dizer que prefiro os da Rússia actual.

Enfim, os crimes da expansão soviética dos anos trinta na Ucrânia, não podem justificar a traição dos valores ocidentais da parte dos Ucranianos, que tiveram a triste reputação dos mais ferozes carrascos às ordens dos nazis nos campos de concentração . Os deportados preferiam os alemães aos Ucranianos. O que não impede que hoje devemos defender os Ucranianos e a sua independência.

Quando utilizei o termo "escravos" para a mão de obra dos países de leste na UE , sei do que falo. Estive várias vezes na Dàcia-Renault, na Roménia, e conheço bastante bem como é tratada esta mão de obra na Alemanha. Se a Renault fez baixar os salários de 20%, em Palência , na Espanha, é porque paga salários mais baixos ainda na Roménia. Torna-se necessário compreender isto, para poder compreender os estragos da globalização na sociedade ocidental.

E se Merkel foi obrigada a criar, enfim, um salário mínimo e descer o limite para a reforma das mulheres de 67 para 62 anos, foi porque foi obrigada a constituir um governo com os socialistas alemães do SPD, que impuseram esta condição. Mas antes, graças aos escravos vindos de leste, pagavam o que queriam e é preciso conhecer a lei Hartz para saber do que se trata.

Anónimo disse...

Só uma achega para corroborar o comentário de João Pedro. Eu, que não tenho as "horas de voo" de Vexas, na visita à Polónia, achei estranhíssimo o ódio que têm aos russos, ao ponto de recusarem sequer falar a língua, conhecendo-a bem, em contraponto com um simples encolher de ombros, quando se perguntava: então os nazis?
Depois de visitar um campo de concentração "a coisa" é simplesmente ininteligível, mesmo tendo em conta o tempo passado.
antónio pa

Defreitas disse...

O problema da Ucrânia, para além da justa revolta do povo ucraniano contra a corrupção das elites de todos os bordos que governaram até agora, comporta um parâmetro que pode ter a sua importância para a paz do mundo : a interferência do Ocidente , Nato e EUA incluídos.

Putine, que começou uma longa marcha, após Eltsine, para dar à Rússia o lugar que ele pensa dever ser o seu no mundo actual, após a queda do Império soviético, utilizará todos os meios para o conseguir. Para contrariar ou pelo menos canalizar esta política, o Ocidente joga a sua carta forte : a NATO.

A acção da NATO na Ucrânia, coordenada pelos EUA , vem de longe.

Depois da queda do Pacto de Varsóvia, seguido da queda da União Soviética, em 1991, foram 15 Estados que surgiram no lugar de um.

Em 1999 a Nato demoliu a Jugoslávia , obstáculo da expansão para leste, e com ela caíram os países do Pacto de Varsóvia: Polónia, Chéquia, Hungria, e mais tarde, 2004 a 2009, a Estónia, Letónia, Lituânia, Bulgária, Roménia, Eslováquia, Eslovénia , Croácia e Albânia.

Entre a NATO e a Rússia existe então a Ucrânia, atravessada pelos corredores energéticos entre a Rússia e a UE.

Em 2002, o "Plano de Acção NATO-Ucrânia" é adoptado e o presidente Kuchma anuncia a sua intenção de aderir à NATO.
Em 2005, o presidente Yushchenko é convidado à cimeira da NATO em Bruxelas. Em 2009 Kiev assina um acordo permitindo a passagem de abastecimentos militares americanos para a NATO no Afeganistão.

Entretanto, oficiais superiores ucranianos participam aos cursos da NATO no Defense College em Roma e em Oberammergau (Allemagne), sobre temas como "integraçao das forças ucranianas na
NATO".
E como só existe o que se vê, a NATO teceu nos meios militares e civis na Ucrânia um dispositivo certamente importante.

O tom da mensagem do secretário geral da NATO, de 20 de Fevereiro, às forças armadas ucranianas diz tudo : " Fiquem neutras, senão as consequências sobre as nossas relações serão muito graves"". A missa está dita !

A NATO sente-se com poder suficiente para englobar provavelmente a metade da Ucrânia, continuando ao mesmo tempo, como no passado, a "gritar" contra os estereótipos ultrapassados da guerra fria. Depois de Hilary Clinton, é agora John Kerry que passa muito tempo em Kiev.

Todos estes ingredientes são mais que suficientes para provocar uma deflagração mundial, se os "cozinheiros" teimarem em passar pratos indigestos àqueles que não têm apetite.

Defreitas disse...

Ao Senhor António pa: A sua "achega" tem uma explicação: A Polónia está entalada entre as duas potências que fizeram e desfizeram a Nação polaca no passado.

Os Russos nunca perdoaram aos Polacos de terem sido os mestres de obra da reacção militar contra a revolução de Outubro 1917, que procuraram estrangular à nascença com o apoio do Ocidente. E os Polacos, por reacção, sempre se opuseram ao expansionismo imperial e soviético.

A operação sonhada pela Polónia duma grande federação incluindo a Polónia, a Lituânia , a Bielorrússia e outros estados da Europa Central, proposta por Pilsudski, e ... a Republica da Ucrânia, levou os Polacos até Kiev. Esta guerra deixou traços profundos nos Russos.
A Polónia vai paga-lo mais tarde, severamente, e será partilhada entre os Russos e os Alemães. Compreende-se, portanto, esta animosidade latente entre Russos e Polacos.

O facto que mais me impressionou na Polónia, curiosamente, é o anti-semitismo visceral deste povo. A Igreja Católica sendo muito influente neste pais, mais de 90% da população, custa-me mais a compreender o anti-semitismo a todos os níveis, ( a história do escândalo de Auschwitz é lamentável para a Igreja Católica) que o sentimento anti-russo histórico, e mesmo a atracção que a Alemanha pode exercer sobre os Polacos, apesar dos sofrimentos que esta lhes infligiu durante a guerra.

Helena Sacadura Cabral disse...

Mônica que bom saber que se está preparando para o Carnaval e assumindo o ritmo. Ainda bem que aqui passou e deixou a sua alegria.
Abraço