quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Futurologias

Talvez porque as pessoas já andem muito "escaldadas", tenho a sensação de que são cada vez menos populares as "previsões" feitas no início de cada ano. Lembro-me que, não há muito tempo, éramos inundados por diversos "videntes" domésticos, que nos anunciavam coisas várias para os 12 meses seguintes. Isso parece ter-se atenuado. Confesso que não sou muito atento a estas temáticas, mas esse "pelouro" parece-me que surge quase cativo da esticada Maya, uma espécie de bruxa social de serviço, com ar cada vez mais "asiático", que me surge em "zappings" e capas de revista.

Mas o mercado não está fechado: ontem, nos Restauradores, um africano estendeu-me um papel publicitário de um tal "professor qualquer coisa", que, entre outros "poderes", se declarava vidente e capaz de prever o futuro. Só o meu crescente ceticismo, adubado por meses de previsões para o país que nunca (mas nunca!) acertaram, é que me levou a dar ao papel o destino que espero para todos os videntes deste jaez.
 
Há, contudo, outro modelo de antevisão que se pretende mais sério e credível. Estou, em especial, a lembrar-me da publicação de "The Economist", no início de cada ano, intitulada "O Mundo em ...". Há uns tempos, em férias, encontrei duas dessas publicações, referentes a anos idos, e, por uns minutos, entretive-me a fazer uma comparação entre o que nos havia sido antecipado como possível futuro e a realidade dos factos que vieram a acontecer. Nem imaginam a diferença! Mesmo uma das revistas mais bem informadas do mundo - e talvez a melhor publicação que conheço, independentemente da sua orientação político-ideológica - revela-se incapaz de prever o curso das coisas.
 
Isto não significa que a edição do "The Economist" tenha interesse. O modo inteligente como as principais questões são selecionadas e colocadas é já meio caminho andado para nos ajudar a pensar melhor o que aí virá. Porém, daí a acertar em matéria de previsões vai uma grande distância. A realidade é sempre muito mais imaginativa que os homens.

9 comentários:

Anónimo disse...

Não gostámos da maneira como se referiu à astróloga Maya, senhora respeitável, entendida em astros e que tem feito previsões bem mais prudentes e acertadas do que as dos economistas, que não olham para os astros nem para coisa nenhuma. Protestamos!

a) Marcolino, Diamantino, Francelino e Felismino da Mata

PS - E quanto a próteses, Senhor Embaixador, veja os dois mais populares concursos da televisão...

Anónimo disse...

"A politician needs the ability to foretell what is going to happen, and the ability to explain why it didn't happen." Churchill

n381111

Unknown disse...

É apenas uma impressão, nada de muito fundamentado, mas estou com o pressentimento de que está em preparação uma mudança de ciclo em termos europeus porventura com pretensões de influenciar o mundo. Os juros baixam por todo o lado, o desemprego desce, o crescimento económico é revisto em alta, as agências de “rating” desvanecem-se em prognósticos favoráveis e elogios, arrumam-se acordos à pressão, ensaiam-se “transparências” inesperadas, anunciam-se indicadores positivos à fartazana… Sintomático é também as liliputianas figuras do microcosmo português, se agitarem, se esticarem nas pontas dos pés e perorarem intermináveis loas bacocas que encontram eco nos nossos prestimosos “me(r)dia” …

Ou muito me engano ou já está em preparação um primeiro teste dessa mudança: As eleições europeias de maio próximo. O espectáculo não pode parar mas é preciso afastar uma previsível pateada monumental. Para começar tratar-se-á duma mudança de cenário e adereços, com retoques nas falas, nada de grande coisa. Entrarão em cena, claro está, alguns novos actores para refrescar o espetáculo. Tratar-se-á duma mudança para não mudar nada, ou, dito de outra forma, duma mudança que assegure que o essencial não mudará.

Já lá dizia Lampedusa: “Para que as coisas fiquem iguais é preciso que tudo mude”. Cá por mim vou tratar de reservar um lugar. Receio que a lotação se esgote.

Anónimo disse...

Pode ser com o "Novo Rumo" as coisas se advinhem mais cor de rosa !!!!


Alexandre

Anónimo disse...

... e as televisões já começaram a dizer hoje, que as medidas do Gaspar estão a dar frutos, segundo as agências internacionais...

Anónimo disse...

entre as medidas do gaspar e as medidas do jardim...

cumprimentos

Anónimo disse...

O "africano" era de que tipo?

Isabel Seixas disse...

Ó, o futuro não será mais que réplicas de excertos do passado que se desgasta em modelos de alternância o conceitos entre:

Democracia é quando nós mandamos
"Precisamente quando mando em ti"

Ditadura quando somos mandados
Precisamente quando mandas em mim...


será também futuro, diferente do presente similar passado saudade onde quase tudo era melhor...

ó...
A ver vamos, com a serenidade possível sem perder estribeiras...

Anónimo disse...

Eu prefiro ler o que Friedman escreve. Para além disso no final do ano fazem o balanço do seu forecast