quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Ponto final

Já me tinha acontecido vestir fraque para, em conjunto com outros colegas diplomatas, apresentar cumprimentos de Ano novo ao chefe do Estado do país junto do qual estava acreditado. Mas nunca tinha previsto que isso me viesse a acontecer, como hoje sucedeu, junto do presidente da República do meu próprio país. O facto de ser diretor executivo do Centro Norte-Sul qualifica-me como representante do Conselho da Europa junto do Estado português. Não estive ali como português, mas sim enquanto chefe da representação em Portugal de uma organização internacional. Devo confessar que, pelo ineditismo da situação, achei graça à circunstância e àquele último passeio protocolar pelos espelhos e dourados de Queluz.
 
Salvo para algum casamento mais finaço, a minha labita entrou hoje, como o dono já estava, na merecida reforma. No final deste mês, por exclusiva vontade própria, vou deixar o cargo que tenho vindo a desempenhar, passado que foi um ano do seu exercício. Julgo que não poderia ter terminado essa função com uma nota mais curiosa. A cerimónia desta manhã acaba assim por ser o verdadeiro ponto final na minha ligação à diplomacia. Foram quase quatro décadas, muito interessantes. Mas, aqui entre nós que ninguém nos ouve, já não era sem tempo...

39 comentários:

Anónimo disse...

Senhor Embaixador
A sua ligação à diplomacia pode e deve manter-se, quanto mais não seja através das suas intervenções públicas, dos seus posts ou livros.

Aguardamos ansiosamente a publicação das suas memórias que vão de certeza ensinar muto a muitos diplomatas, políticos e não só.

LBA

Helena Sacadura Cabral disse...

Meu caro Francisco
Foi uma despedida em beleza. Mas, acredite, que eu sou melhor do que a Maya, ainda vai ter que adornar esse fraque.
À bon entendeur, salut!

Helena Sacadura Cabral disse...

Ah! Esquecia-me de dizer que será a primeira posse a que irei assistir na já minha longa vida!

Maria Helena Pinto Ribeiro disse...

Senhor Embaixador, se pudesse regredir, tornaria a aceitar o convite?
Poder aqui vir para o encontrar é muito bom.
Muito obrigada.

Anónimo disse...

Senhor Embaixador, never say never!

a) Diamantino da Mata, estudante de inglês e jovem com esperança que joga pelo seguro

Francisco Seixas da Costa disse...

Cara Helena: pode crer que não irá ter a menor hipótese de me ver tomar posse seja do que for. É uma decisão ponderada, tomada e para cumprir (aliás, em anos recentes, escrupulosamente cumprida em vários ensejos). Porém, sabendo o que o gesto significaria no seu caso, fico muito grato pela sua amiga intenção.

São disse...

Definitivamente afastado, é?

Se isso o faz feliz, que assim seja!

Mas fico esperando um livro de memórias e a continuação da sua presença assídua por aqui.

Os meus cumprimentos

Anónimo disse...

Há esye ditado: Nunca digas" desta água não beberei", mas se fosse vinho Convento da Tapada Reserva 2015?

Anónimo disse...

Lido no blog "31 da armada", texto impagável!:

"acabou-se a festa
por João Ferreira do Amaral, em 15.01.14

Numa conferência de imprensa, o inefável presidente Hollande quis convencer os franceses que tem soluções para os enormes problemas da França.
Tudo passa por um "pacto de responsabilidade" para o relançamento da economia por via do aumento de competitividade das empresas: Até 2017 vai reduzir a contribuição social a cargo dos empregadores e, para não transferir o custo para os trabalhadores nem agravar o défice, executará em simultâneo um corte de cinquenta mil milhões na despesa do Estado. Obviamente, como bom socialista que é, deixou para mais tarde a explicação do "detalhe" dos cortes.
Quem andava a cantar de galo enquanto os outros arrumavam a casa vai agora ter de percorrer o duro caminho das pedras para recuperar o tempo e a competitividade perdidos para os parceiros. É a vida. Quem manda os franceses persistirem nesse embuste chamado socialismo?"

Alexandre

Anónimo disse...

Sim escreva as memórias !


Alexandre

Anónimo disse...

Diga-me: ao apertar a mão ao PR, disse-lhe o quê? "Muito prazer"?

patricio branco disse...

há uma certa melancolia no post, o velho fraque, a despedida de diplomata,a porta que se fecha mas não sem antes se ter entrado num novo terreno, tambem há ironia, humor, mesmo indirecto, p. ex. eu imaginei como fica o nosso presidente de fraque, e o que teria dito aos diplomatas no salão de queluz, ainda o usará mais 2 vezes antes de o escovar e arrumar
pois a diplomacia não se deixa, presumo que se entranha e haverá outras formas da exercer, artigos, livros de memórias ou outros, missões pontuais, etc etc

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Anónimo das 16.01: não se revelam os conteúdos das conversas com o chefe de Estado.

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Patrício Branco: pode crer que não tenho mais leve melancolia, nem nenhuma nostalgia, do tempo da carreira. Tudo teve o seu tempo. Quanto a escritos, não tive ainda tempo para nada, no afogadilho da vida que levo.

Helena Oneto disse...

Senhor Embaixador,

E mais uma das muitas missões que levou, com brio, a cabo!
Ficamos anciosos à espera da que se segue.

Um grande abraço

Catinga disse...

Escreva um livro de receitas! E até sugiro um nome "A rosa e o garfo"

opjj disse...

Mudar de vida, são as etapas que todos temos que percorrer.Haja saúde.
Cumprimentos

Anónimo disse...

Para última cerimónia de "cumprimentos de Ano Novo ao Chefe de Estado" tinha-lhe desejado outro alto dignatário. Mas enfim...

Anónimo disse...

Fico "anSioso" quando alguém escreve "anCiosos"...

Defreitas disse...

Caro Alexandre: O "post" é o Adeus às Armas, do Senhor Embaixador , que espero, pessoalmente, que continuará a assegurar a existência deste espaço de liberdade e d'"échange"!

O Adeus às Armas de François Hollande será para mais tarde. E contrariamente àquilo que escreve, não foi o "embuste" socialista que pôs a França com uma divida colossal de 600 mil milhões e um défice comercial extravagante. Foi sim o "embuste" conservador do partido que governou durante os últimos dez anos, que falou muito, deu espectáculo, mas não reformou.

A viragem de Hollande para o social liberalismo só poderá ter uma "chance" de sucesso se a economia mundial fizer também ,dentro em pouco, a mesma viragem. A impunidade daqueles que pretendem acabar com a França social não está garantida. E de qualquer maneira, qual é o resultado do social liberalismo no resto da Europa? Não há futuro sem justiça social.

Anónimo disse...

Pois é, mas quem é que em Janeiro de 2016 estará em Queluz ao lado do Presidente da República na cerimónia de cumprimentos do Corpo Diplomático? Cettamente o Ministro dos Negócios Estrangeiros dsignado pelo primeiro-ministro do PS. E quem é que esse primeiro-ministro, seja ele quem for, escolherá?
Olhe que a Helena Sacadura Cabral e o mítico Diamantino da Mata raramente se enganam... e sabem dizer nas entrelinhas tudo o qu'il faut dire.

Anónimo disse...

Sr.DeFreitas:

Também espero que este blog conserve a sua escrita e independência.

O narrador/escritor deste blog, salvo algumas discordâncias de cariz político, é uma pessoa que pode servir Portugal com inteligência e bom senso.

Alexandre

gherkin disse...

Meu caro,
Foi um excelente e oficial caír de pano. Porém, sabendo como é, ativo como tem sido, embora um merecido descanso professional, não creio que irá ficar de mãos cruzadas!
Mais uma justificação para não perdermos o que pode deixar<de ser apenas "Duas ou três coisas". ESPERAMOS POR MAIS.
Abraço,
Gilberto Ferraa

Guerra disse...

Viva sr. Embaixador.
Que o sr. diga que o fraque não estará presente em nenhuma cerimonia (tomada de posse) eu acredito piamente. O mesmo não direi relativamente ao dono do fraque. Quase apostava a um bolo de bacalhau na Luisa no Lameirão.
Cumprimentos cá da Bila.

Helena Oneto disse...

Ao anonimo das 17:30
Eu não fico "anSiosa" com comentarios anonimos!

Anónimo disse...

Mal acomparado: Salazar também mostrou desapego inicialmente para chegar ao poder ao colo, com o pessoal a pedir o seu regresso. Com o MNE em cacos, depois de o último ministro bom que por lá passou ter sido Gama, bem precisariam as Necessidades de ter uma personalidade à sua frente com espírito de liderança, visão e incutidora de motivação.
Seixas da Costa, que o destino quis que com ele nunca me cruzasse nem em Bruxelas nem em Paris pode é não querer, o que é legìtimo. Mas Portugal ficaria a perder.

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

Senhor Embaixador

"Never say never" e se o País lhe pedir um dia mais uma vez para o servir, espero que não recuse.

O que eu gostava mesmo era de um dia o ver de fraque a apresentar cumprimentos de Ano Novo ao Senhor Dom Duarte .

Francisco Seixas da Costa disse...

Caros amigos: para quantos deixaram votos de "posses" futuras e coisas similares, garanto que "podem tirar o cavalo da chuva". Essa água já passou sob a ponte. Há gente mais nova, muito bem qualificada, para essas futuras tarefas. De qualquer forma, obrigado pela confiança.

Anónimo disse...

"DO" que eu gostava mesmo

Guerra disse...

Viva sr. Embaixador,
A minha proposta continua valida.
Qual de nós vai pagar o bolo de bacalhau no Lameirão (caso aceite a aposta) eu não sei, tivesse eu a mesma confiança nos números que escolho para jogar no euromilhões.
Aceito qualquer resultado desde que seja eu a ganhar e o dono do fraque a pagar.
Cumprimentos cá da Bila.

Anónimo disse...


Senhor Embaixador
Espero que, chegado o momento, não recuse mais um serviço à Pátria, se lho for pedido. Eu sei que há gente mais nova e muito bem qualificada - pouca mas boa - nos quadros do MNE. Mas temo muito que as escolhas recaiam na classe política e aí escasseiam as pessoas capazes de assumir tais funções, por falta de preparação e por falta de humildade para reconhecer as suas limitações. E depois tornam-se nuns tiranetes, com os seus assessores improvisados em diplomatas, a mandar e desmandar na estrutura profissional das Necessidades.

Anónimo disse...

Sr. Embaixador: mande bugiar os que o querem empurrar para um novo e importante cargo. Assim, teremos tempo para almoços mais demorados, pois na sua lista há alguns bons restaurantes que não constam (porque não aparecem no jornalame ou no revistame. Esperam-nos uma espantosa massada de peixe e um cabrito de rebentar as pedras. Não digo onde, porque quero ter lá sempre lugar.Este restaurante não anda nas publicações da socialite. Só tem, para si,um contra: dono e funcionários são todos de um clube na zona do Colombo. Quanto ao livro, vamos fazer a selecção, se quiser ajuda. Um benfiquista de gema disposto a dar a mão a um lagarto de gema, também. A bem do humor e da lucidez!!!!!! Antes, era a bem da Nação. Agora...

Anónimo disse...

Meu caro,
Goze a vida calmamente, mande ás malvas a política, dedique-e aos amigos, família, aos livros, à boa gastronomia, acompanhado de um bom vinho, passeie, ou viaje, desfrute com mais vagar o seu Trás-os-Montes, que o resto é conversa. Saúde!

Anónimo disse...

Senhor Embaixador, lembre-se que já não há decisões "irrevogáveis"....

Guilherme Sanches disse...

É uma idade difícil, meu caro. No trabalho, acham que somos velhos, devíamos reformar-nos. Reformados, acham que somos jovens e devíamos estar a trabalhar.
É hora de curtir a vida e fazer o que nos apetece. Claro! Mas que é um desperdício, lá isso é...
Um abraço

Só um detalhe (lapsus linguae, seguramente) - labita e fraque são peças diferentes, para ocasiões diferentes. A jaqueta com cauda é a labita. O redondo, "morning suit" é o fraque. Deformação profissioanl...

Anónimo disse...

A ler,no blog Malomil, António Araújo, "a direita portuguesa contemporânea", "itinerários socioculturais" a partir dos anos 80.

Alexandre

Anónimo disse...

Sr. Embaixador.
Atenção ao anónimo das 15,44.
Não é de fiar.
É um autêntico Valécula.
Ai se eu digo o nome do massal e cabrital restaurante lisboeta...
Não há lagartos de gema mas Leões de juba alta.
Lá estaremos dentro de dias.

Saudações.

Guilherme.

Anónimo disse...

À promessa da Exma. Senhora Helena Sacadura Cabral eu não resistiria!
antonio pa

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Guilherme Sanches: tens toda a razão! Eu usei "labita" no sentido simplificado e pouco rigoroso. Na realidade, estava a lembrar-me da frase do António Silva em "A Canção de Lisboa" quando, para uma função qualquer de emergência, pediu "de empréstimo" a "labita do padre Januário"