domingo, 15 de dezembro de 2013

Exemplar

Sabia (não sou ingénuo) que o último post que publiquei iria suscitar reações. Escrevi-o com essa convicção (talvez mesmo com esse objetivo, devo confessar). Fiquei tão estimulado com alguns dos comentários suscitados que deixei que eles "pingassem docemente" por quase dois dias. Foi um interessante teste para se perceber melhor algum país que hoje somos. Leiam esses comentários (houve quatro que foram eliminados, porque, apesar de tudo, há limites para a linguagem admitida). É um exercício interessantíssimo. E exemplar! Por mim, diverti-me imenso, podem crer! E as "inscrições" sobre este tema ainda estão abertas até ao final do dia...

22 comentários:

Helena Oneto disse...

Senhor Embaixador,
Divertir talvez seja um "grand mot", mas o que alguns escreveram dá para perceber porque somos "o país que somos"!

Anónimo disse...

Que terá sido um exercício interessantissimo não duvido (também não sou ingénuo)

Anónimo disse...

Do que eu gostei foi do "pingassem docemente". O Senhor é um provocador único

Anónimo disse...

O representante diplomático do Pingo Doce dá o seu veredicto.
Adido de Embaixada

Anónimo disse...

Não haverá por aqui muita inveja pelo facto de uma empresa privads ter reconhecido no Embaixador Seixas da Costa as qualidades profissionais para o poder utilizar depois do nosso Ministério ter dado por terminado o seu excepcional trabalho ao longo de muitos anos ?

CSC

Anónimo disse...

Percebo porque saímos, (nobres e povo)nas Caravelas!

Os poucos que ainda trabalham e que ganham dinheiro sem depender do Estado,não devem ser obrigados a submeter-se ás ideias iluminadas de alguns "arbustos esquerdistas" que nunca produziram um centavo e que "proliferam" (não digo o modo ou maneira) neste Séc XXI em Portugal !

Haja muitos "Soares dos Santos" e mais economia privada, e menos fundações,observatórios e quejandos !


Alexandre






Portugalredecouvertes disse...

Oh homem que se enviem laranjas portuguesas para o mundo inteiro! aliás laranja diz-se "portugal" ou "burtural" coisa parecida em muitos países do redor do Mediterrâneo: arabes, romenos, etc...porque os portugueses traziam as laranjas doces da China
e faziam comércio com elas, diz a história

antigamente, no presépio do Natal algarvio colocavam-se as laranjas mais bonitas que tínhamos, com raminho e tudo, e depois essas laranjas eram oferecidas aos familiares e amigos

então símbolos não faltam,
e ainda há grande quantidade de produtores que se queixam que não conseguem vender os seus frutos, portanto se houver hipótese de dar uma ajudazinha às cooperativas para escoamento das belíssimas e saborosas laranjas algarvias e outras, de certeza que haverá gente a agradecer !

margarida disse...

"Mas um grande escritor possui uma equanimidade poética superior a qualquer convicção ideológica, mesmo que sinceramente professada, e sabe que a vida, ambivalente e contraditória, não conhece simplistas divisões entre bons e maus, inteligentes e estúpidos."

Claudio Magris, nos "Alfabetos" a falar de Turguéniev e eu, a usá-lo para falar do resto.

Anónimo disse...

Fez muito bem em ter provocado os seus leitores, Senhor Embaixador. Mas o resultado, se não é surpreendente, é decepcionante, porque mostra bem que a inveja é o grande sentimento que ao longo dos séculos tem caracterizado a mentalidade portuguesa. É já um lugar comum dizer-se que é por saber isso que Camões rematou o seu poema em que canta os nossos feitos com a palavra "inveja".
Que as pessoas pensem duas vezes antes de "vomitarem" impropérios contra compatriotas seus que fazem muito mais pelo seu País e pelos seus compatriotas do que esses invejosos medíocres, incapazes e ressentidos! Haja decoro e não se evoque ideologia e direito à opinião para insultar e apoucar aqueles que trabalham pelo progresso do País e o bem-estar dos portugueses, mesmo que daí retirem legítimos proveitos pessoais.
Como é possível, por exemplo, ter o descaro de caracterizar a iniciativa do Banco Alimentar como um negócio ao serviço dos supermercados, quando através dela são mobilizados milhares de portugueses para minorar um pouco as necessidades e carências de muitíssimos mais portugueses, que sem esse auxílio viveriam muito pior? Como é possível condenar essa "caridadezinha" tão criticada, já que o Estado e outras instituições não podem ou não sabem acudir capazmente a essas necessidades? Ao que parece, seria preferível esperar que as instâncias públicas garantissem a todos as condições mínimas de vida e, enquanto isso não acontecesse, paciência, que os mais carecidos fossem morrendo de fome! Mas eu ajudar o meu vizinho dando-lhe um pouco de arroz, de azeite ou umas latas de conserva, isso não, que estou a aumentar o negócio dos poderosos donos do Continente, do Pingo Doce e de outros tais! O infeliz que espere porque um dia, mais tarde ou mais cedo, o Ministério da Suprema Felicidade, criado à imagem e semelhança do recentemente instituído por Nicolás Maduro na Vemezuela, vai acudir às suas necessidades ou, na pior das hipóteses, garantir o seu funeral! Morram as pessoas, mas a ideologia sobreviva!
Leão do Amaral

Helena Oneto disse...

Que coincidência! acabo de ler a mesma frase de Claudio Magris n'"A RONDA DOS DIAS", o excelente blog de Ivone Mendes da Silva, e pensei o mesmo que a nossa amiga Margarida.

margarida disse...

Não é coincidência, Helena, foi aí que fui 'beber' a ideia. Mas o livro existe. E a essência da ideia, propaga-se.

Anónimo disse...

Fiquei bem mais surpreendido com as reações da "intelectualidade" situacionista aos comentários óbvios (não de "algum" país menor) ao despudor reinante... Não há dúvida que os "capitalistas" "se servem" de qualquer regime (e do estado). E também fico desconfortável pela simpatia que nutro pelo Sr. Embaixador, porque estamos assistir ao triste espetáculo em que se considera que os nossos "capitalistas" são bons e os dos outros são maus.
Se tenho inveja das "laranjas" e das "rosas" desses conselhos de administração? Venham ver as minhas aqui no Riba Douro e tirem a prova se há pingo de doçura e de beleza melhor!
antonio pa

Defreitas disse...

(Continua)


Numa sociedade onde os direitos mais inalienáveis são transformados pelo artificio da ideologia cristã da classe que possui tudo, e mesmo oficial, que faz tudo para baixar os menos providos de tudo ao estado de favorecidos sem direitos, a caridade então subvertida em esmola não é nada mais que um pretexto de humanidade da besta estática.
Esta besta estática que paga por um lado - centenas de milhares de milhões a bancos em bancarrota porque demasiado pródigos em salários onerosos aos banqueiros crapulosamente hedonistas - e do outro, deixa que os mais ricos sejam ou se transformem no amparo dos desamparados perante a pobreza provocada pelos suas opções politicas.
Digamos que esta besta estática e os seus protegidos do grande capital que acusam os mais pobres de não saberem gerir a sua vida, obrigando a maioria da sociedade à precariedade económica, no mais imprudente vampirismo, inapto à caridade que é a justiça, é indigna de existir.

Assim, em plutocracia, é um Estado mafioso traindo o povo e desertando sem pudor o seu dever elementar de trabalhar para a felicidade de todos os seus administrados, preferindo abandonar à benevolência e à esmola caritativa os encargos mais ínfimos, que dirige a vida das nações.
O problema, Senhor Embaixador, não é o cabaz de esmolas, mas a justiça.

Defreitas disse...

Não sei se o Senhor Embaixador quis realmente provocar, e não vou acusá-lo que é a sua condição social de protegido da miséria ambiente, e o seu "jeton de présence no Conselho de Administração que lhe faz esquecer o verdadeiro problema da sociedade actual, e não só portuguesa, que é o da injustiça deste mundo tão desigual.

Os comentários no blogue permitem de constatar que a partir do momento em que alguém denuncia o caritativo como sendo realmente uma falta de justiça, porque se houvesse mais justiça, haveria menos necessidade de caridade (que, na verdade, é sempre melhor que nada), os arautos da moral vindos de horizontes políticos doutros tempos vêm imediatamente condenar a liberdade de opinião. Sim, porque a lê-los, ou se está de acordo que um grande grupo comercial só faz aquilo que o governo não faz, substituindo-o, por conseguinte, ou se é invejoso, maldizente, ideologicamente contaminado e incapaz de fazer tão bem como o grupo comercial, que oferece emprego barato e cabaz de miséria. Argumento fácil, usado por todos aqueles que, já bem repletos recusam de ver a crueldade da vida dos outros.
Eu sei que este género de critica a um grande grupo comercial, rico e poderoso, valeu uma acção em justiça a um jornalista que, noutro momento, ousou dizer a mesma coisa com outras palavras.

Mas o facto é que toda e qualquer pobreza necessitando socorro propriamente caritativo em plena sociedade de abundância, procede de crime contra a humanidade do Estado. Na nossa sociedade de abundância, o caritativo institucional é uma abominável hipocrisia dos maus ricos, pretexto plutocrata para deixar crer no mito de humanidade dos monstros responsáveis e planificadores da miséria social mesmo planetária.

Quando vejo a amalgama que fazem as nossas sociedades falsamente humanas mas monstruosas nos factos e o diabólico Estado plutocrata, Estado-Moloch, dicotomisando o mundo das relações dos homens na sociedade e as internacionais dos estados, entre a "Caridade" que depende do bem querer ( ou du bon plaisir !) do caridoso que concede a esmola ao seu favorito e a "Justiça" que, ela, pertence ao direito inalienável do ser humano e dos povos, é sintomático do estado de espírito dos plutocratas visto a infrabestial e insidiosa propensão a desprezar e rebaixar os homens, pilhando-os legalmente, desprezando os seus direitos económicos pelo empobrecimento para assim melhor os mistificar, os humilhar e os pôr em escravatura.

Defreitas disse...

Num contexto onde a vitima, o excluído ( aquele que vai buscar a sua refeição nos caixotes do lixo do grupo comercial), o rejeitado, o marginalizado, o deprimido, é constantemente suspeito, vigiado, culpabilizado e acusado, compreende-se que os discursos ideológicos do Estado e dos seus representantes governamentais sobre a justiça, restarão insulto à inteligência e insignificante absurdo contra o bom senso, enquanto a justiça social não for no interior dos estados, a única preocupação dos governos.

Numa sociedade onde os direitos mais inalienáveis são transformados pelo artificio da ideologia cristã da classe que possui tudo e mesmo oficial que faz tudo para baixar os menos providos de tudo ao estado de favorecidos sem direitos, a caridade então subvertida em esmola não é nada mais que um pretexto de humanidade da besta estática.
Esta besta estática que paga por um lado - centenas de milhares de milhões a bancos em bancarrota porque demasiado pródigos em salários onerosos aos banqueiros crapulosamente hedonistas - e do outro, deixa que os mais ricos sejam ou se transformem no amparo dos desamparados perante a pobreza provocada pelos suas opções politicas.
Digamos que esta besta estática e os seus protegidos do grande capital que acusam os mais pobres de não saberem gerir a sua vida, obrigando a maioria da sociedade à precariedade económica, no mais imprudente vampirismo, inapto à caridade que é a justiça, é indigna de existir.

Assim, em plutocracia, é um Estado mafioso traindo o povo e desertando sem pudor o seu dever elementar de trabalhar para a felicidade de todos os seus administrados, preferindo abandonar à benevolência e à esmola caritativa os encargos mais ínfimos, que dirige a vida das nações.
O problema, Senhor Embaixador, não é o cabaz de esmolas, mas a justiça.

Anónimo disse...

Dizer que alguém é provocador não é um elogio. A provocação sempre foi uma técnica policial.

Fatima MP disse...

Se o povo português tivesse em capacidade re alização, metade da capacidade que tem de criticar quem realiza alguma coisa, seríamos um país bem diferente. Infelizmente, só blá ... blá ... blá ...

Anónimo disse...

"Haja muitos "Soares dos Santos" e mais economia privada, e menos fundações,observatórios e quejandos !"
E menos arbustos esquerdistas, Alexandre.
Mas quanto às fundações, não sei, Soares Santos tem uma.

Anónimo disse...

Há aqui uma curiosa divisão. Aqueles que defendem o autor do blogue são os que não gostam da esquerda, das ideologias, os que acham admirável a acumulação da riqueza e louvam o êxito comercial do Dono do Pingo Doce.
Leiam e vejam se não tenho razão.
Será por acaso?

Defreitas disse...

O Senhor Alexandre tem alguns problemas com a arboricultura! Aparentemente não aprecia os arbustos plantados à esquerda! Mas à esquerda de quem e de quê?
Se os membros da assembleia constituinte , em 1789, se tivessem sentado do outro lado do hemiciclo, creio que o Senhor Alexandre detestaria os arbustos plantados do outro lado, isto é, do lado direito!
Finalmente há tantas esquerdas como há tantas direitas.
Entre a social democracia, socialismo, marxismo, comunismo, trotskismo, anarquismo, o painel é pletórico. Até mesmo os Americanos liberais são da esquerda, segundo dizem!
Por vezes põe-me no grupo dos "sans-culotte"; outros no grupo dos "reformistas", outros no grupo dos pragmáticos, onde me encontro bem, outros no grupo da esquerda moral, mas quem não é pelos direitos do homem, e contra a precariedade?

Só há um grupo de detesto: é a esquerda caviar! Essa elite que aproveita o acesso ao poder para se promover socialmente e que utiliza o descontentamento das massas para realizar os seus próprios objectivos. Mas serão eles realmente de esquerda?

Quando os capitalistas promovem a caridade para suprir à falta de justiça nos salários, porque fica mais barato, pois que a caridade uma vez no ano custa menos que o salário decente 12 vezes no ano , eu só sei que se pudesse os mandava todos para o inferno, acompanhados da elite caviar.

Anónimo disse...

Tenho pena, muita pena, de não ter tempo para poder intervir mais nestes debates que me interessam sobremaneira...
Mas leio quase sempre tudo que por aqui se escreve e quero dizer que estou muitas vezes de acordo com o Sr. Defreitas que levanta o nivel da reflexão. O seu ponto de vista sobre a caridade, assim refletido, mesmo se vai a contra corrente, é pertinente. Ainda que no meu dia a dia seja levado a aceitar, até como interveniente, a prática da "caridade", não posso estar mais de acordo com a forma como o Sr. Defreitas aborda a questão.
As nossas sociedades entraram numa gestão dos Estados em que o único ângulo de visão é o lucro a muito curto prazo em desprezo do social. A economia acabou por retirar a cidadania a milhões de pessoas e atirou-as para a borda deixando-as ali num quase abandono completo.
Ontem fui Jantar ao restaurante português "A Saudade", com amigos tão empenhados como eu no combate à miséria, aqui em Paris, e o Jantar foi delicioso naquele confortável restaurante. Mas para lá chegar, a centena de metros que percorri pelo passeio da cidade, encontrei em cada dez metros pessoas deitadas pelo chão onde ali ficariam sem outro abrigo que uns cartōes e sem outro alimento que um pão e uma garrafa de vinho que iam despejando à gargalada furto da mísera caridade.
Já na noite anterior, noite fria, muito fria mesmo para pernoitar na rua, quando vinhamos para casa, pelo caminho quase gelado, encontramos um homem deitado contra um poste elétrico na "nossa" Vila de "banlieu". Paramos o carro e fomos ver se estava vivo. Estava, mas não conseguia levantar-se. Excesso de alcool.
O alcool, contudo, não resolvera o seu problema. Talvez lhe permitisse olvidá-lo por alguns momentos. Naqueles momentos em que a embrieguez durava, de certo, até da sua própria existencia de homem, o homem se esquecia...
Perguntamos-lhe se queria que chamassemos por socorro.
- O problema é vosso, vocês é que sabem o que devem fazer - diz-nos ele com aquela hesitação de bêbado mas no fundo sábio.
Pois claro! O homem até tinha razão. Isto era uma questão pessoal de solidariedade.
Chamamos por socorro e ficamos ali até o socorro vir.
Depois fomos para casa, para o nosso almofadão confortável, ao calor do fogão e com a televisão ligada para nos distraír e que se lixem os bêbados caídos na rua.
O que é preciso é fazer confiança aos homens e mulheres (agora as mulheres também ajudam) para resolver esta crise. E não é porque há umas quatro dezenas de anos que eles se batem para a sesolver sem sucesso que vamos deixar de lhes fazer confiança.
E viva a crise, que ajuda as grandes fortunas.
José Barros

Anónimo disse...

Cheguei atrasado a esta pequena querela, mas li com atenção e não reparei/associei o comentário delicioso do "pingassem docemente"`.

Obrigado ao anónimo das 21.45 (15) pela chamada de atenção .. realmente todos os textos neste blog têm de ser lenta e labidamente lidos.

N381111