segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Algo de novo?

Depois da infindável saga em que se transformou a formação do novo governo alemão, esperar-se-ia que o resultado final desse laborioso exercício trouxesse algumas novidades. Em especial, muitos "espetadores comprometidos" (para usar a expressão consagrada de Raymond Aron), olhando da estranja, estariam curiosos para saberem se a entrada dos social-democratas na "grande coligação" acarretaria alguns efeitos na política europeia que mais imediatamente nos interessa. 

A aquilatar por aquilo que se sabe, as resultantes do acordo de governo têm incidências essencialmente internas, quer nalgumas políticas mais emblemáticas para o SPD, quer na distribuiçào de lugares. A verdade é que temos de nos resignar a uma realidade que sempre emerge nos executivos das maiores potências: eles projetam essencialmente os seus interesses nacionais, respondem perante os seus cidadãos e, com alguma naturalidade, "estão-se nas tintas" para os interesses de quem olha de fora. É assim agora na Alemanha, foi sempre assim no caso dos Estados Unidos. O que há de novo é que esta terá sido a primeira vez que os resultados de uma eleição alemã foram aguardados com tanta expectativa, o que só prova a crescente relevância da Alemanha na vida europeia, isto é, nas nossas vidas.

Agora, resta esperar. Desde logo, pelas primeiras declarações de Wolfgang Schäuble, o "novo" ministro das Finanças. Imagino que, para os lados de S. Bento, devam estar a matutar se ele ainda se lembra daquela curta conversa com Vitor Gaspar - gravada incautamente por uma televisão portuguesa -, cujo teor recomendo que seja regularmente revisitado. Eu, pelo menos, volto a ela com regularidade, porque entendo que, mais do que qualquer declaração, ela explica, melhor que tudo, grande parte das ações e das omissões do governo português nos últimos dois anos e meio.

4 comentários:

Cunha Ribeiro disse...

Vim aqui mui respeitosamente à procura de um sábio e bem redigido Post - como são quase todos - que informasse se o Sr Comandante nomeado para um posto estranho mas muitíssimo bem remunerado na Embaixada parisiense foi bem ou mal "encaixado" no dito.
A mim à primeira vista parece-me um lugar fictício arranjado à pressa para um cargo fictício... E um atentado ao pudor público e privado de muitos portugueses que vivem mal por erros e crimes políticos de governantes com nome mas sem palavra...

Anónimo disse...

Tentando responder, por conta própria, à pergunta posta pelo Senhor Cunha Ribeiro, direi que, a ser verdadeira a informação dada pelo MAI, trata-se do preenchimento de um cargo decorrente da pertença de Portugal a um projecto de segurança G4, que envolve também Espanha, França e Marrocos.
Mas cabem várias perguntas: Existindo o projecto já há anos, por que é que só agora Portugal nomeia alguém?
O salário divulgado, superior aos actuais vencimentos de qualquer funcionário diplomático português, é determinado por Portugal ou decorre de alguma exigência do projecto? E se a decisão foi nossa, porquê essa discrepância com a grelha de retribuições dos diplomatas e equiparados?
No contexto actual, em que cargos diplomáticos essenciais estão por preencher, como o de conselheiro cultural, não seria prioritário prover algum desses cargos em vez do oficial de ligação junto do G4?
Finalmente, sem pôr de forma alguma em causa as qualidades profissionais da pessoa nomeada, não teria sido mais sensato escolher outra pessoa, quando o assunto da sua recente exoneração do comando da PSP é ainda um tema "quente"?


opjj disse...

Concordo Naturalmente com o que diz, Mas quanto ao ministro Schauble,penso que Vitor Gaspar tinha um amigo e oxalá Maria Luis caia no goto dele.
V.Exª. fez-me lembrar uma passagem entre 2 primas com uns 50 anos.Uma que se considerava muito pretendida em Lisboa(mantém-se solteira) e a outra vivia na aldeia e lhe perguntou;Ó Maria tens tantos namorados como moscas atrás dum camião de petróleo,não? Ó prima e tenho. Ora como se sabe as moscas fogem do petróleo.Os afectos contam.
Cumprimentos

patricio branco disse...

claro que a posição alemã em relação a grecia, portugal, chipre, ue, etc, não vai mudar 1cm, seja que partidos estiverem no governo...