sábado, 16 de novembro de 2013

Vingado

Eu tinha sete anos. De visita a Lisboa, fui com o meu pai, primos e tios, ao estádio do Jamor. Portugal jogava contra a Suécia. Nada de muito importante, apenas um jogo particular.

Portugal, por esses tempos, andava muito longe das provas mundiais ou mesmo europeias. Pelo contrário, em jogos internacionais o nosso país tinha então um comportamento medíocre e levava "abadas" monumentais, de que (felizmente) já nos esquecemos, entretidos que andávamos com os paroquiais Sporting-Benfica, com o Porto então a levantar a cabeça apenas a espaços, nesses tempos em que o sr. Andrade (daí o nome de "andrades", sabiam?) pagava as bancadas do estádio da Constituição e o sr. Adriano Pinto ainda não tinha levado a gestão da arbitragem para locais à sombra do viaduto Gonçalo Cristóvão.

Como é óbvio, não tenho a menor recordação do jogo de 1955. Ou melhor, desde sempre mantive uma vaga ideia de que o mítico Matateu fazia parte da equipa. A minha precocidade futebolística nem sequer registou os dois golos com que (agora verifico) José Águas terá atenuado, na segunda parte, o seis "secos" que Costa Pereira encaixou.

Ontem, num hábil desvio de cabeça a um cruzamento precioso de Miguel Veloso, Cristiano Ronaldo vingou-me essa tarde de 1955, no velho Jamor. Embora agora fosse na Luz. Mas tudo está bem quando acaba bem.

2 comentários:

Carlos Fonseca disse...

Seis secos? Bem feito, quem mandou o seleccionador colocar o Costa dos frangos na baliza, quando tinha o Carlos Gomes - o melhor guarda-redes que vi jogar - à mão?

P.S. - Eu tinha onze anos quando o meu pai me levou, também pela primeira vez, ao Estádio Nacional (o velho Estádio de Alvalade, onde tive lugar cativo durante vinte anos, estava em construção), para ver o Sporting ganhar ao Porto. Creio que por 5-1.

Até aí só via o Sporting quando jogava em Coimbra.

Anónimo disse...

A minha "estreia" no Jamor foi em Março de 1949, tinha eu 8 anos, na companhia do meu Pai, para assistir a um Portugal-Espanha amigável. Até então Portugal só tinha ganho uma vez a Espanha (segundo a Wikipedia, dos 33 jogos realizados de 1921 a 2010 entre as duas equipes peninsulares, nós ganhámos 5, empatámos 12 e perdemos 18).
Daquela vez houve um empate a 1-1, mas poderia Portugal ter ganho não fosse o Octávio Barrosa, um grande defesa-direito do Sporting, ter falhado um "penalty", apesar de ser especialista na matéria.
Aliás, a única imagem que guardo do jogo é ver o Barrosa, deitado no relvado a chorar a sua má sorte. Barrosa esse que era uma pessoa "de posses", tendo dedicado a sua vida a negócios rendosos. Talvez por isso e por ser generoso por natureza, houve pelo menos um ano em que devolveu ao seu clube os prémios dos jogos que tinha ganho. Lembrando esse facto, presto homenagem a esse dedicado "leão", sendo eu uma "águia" desde que me lembro de existir.
Mário Quartin Graça