quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Táxis

Há pequenas coisas que denotam a deterioração da autoridade do Estado.

Há uns anos, os táxis deixaram de ter as tradicionais cores verde-e-preto para passarem a uma cor amarela, tipo areia. À época, recordo-me de ter ouvido sólidos argumentos em favor da opção por essa nova cor. Agora, de há uns meses a esta parte, verifico que os táxis regressaram ao verde-e-preto. Imagino que haja outras luminárias a avançar especiosas razões favoráveis ao regresso a essas cores originais, seguramente contradizendo em absoluto as anteriores.

A minha questão é, porém, outra. Enquanto, na anterior versão verde-e-preto as cores eram únicas, agora o verde usado nos táxis parece ter sido deixado "à vontade do freguês". Hoje, durante alguns minutos no aeroporto, dei-me conta de, pelo menos, seis tons de verde utilizado. Alguns deles são, de forma propositada, tão escuros que quase se aproximam da cor preta. Outros vão desde evidentes espécies de azul ao verde claro "saloio", passando verde "elegante" (do Sporting, claro).

A minha pergunta é simples: é normal esta variedade ou trata-se de uma padronização falhada? Ou será que o Estado tem medo aos taxistas? Ou isto já é produto da doutrina liberal "in the making"?

22 comentários:

Anónimo disse...

Os governos têm obviamente medo dos táxistas. De outra forma estes seriam devidamente formados e educados e os carros deveriam ter no máximo dos máximos dez anos e ser sujeitos diariamente a limpeza exterior e interior. Também deveriam ser severamente punidos aqueles motoristas que se recusam a fazer serviços curtos-embora com a crise estes casos comecem a rarear- e sobretudo aqueles que para irem do aeroporto-principal lugar destes crimes-para, por exemplo, à Praça de Espanha, fazem o seguinte trajecto( já me aconteceu): Av.do Brasil, Campo Grande, Av.da República, Fontes Pereira de Melo, Marquês de Pombal, Joaquim António de Aguiar, Castilho, Marquês de Fronteira, deixando os clientes na esquina com a António Augusto de Aguiar, com o pretexto de que é proíbido virar à esquerda. Os leitores de Lisboa perceberão. Há casos piores que me foram contados.

ignatz disse...

deve ser para despacharem os usados, ninguém comprava charutos cremes em 2ª. mão. removem o autocolante verde e o estigma táxista desaparece.

Anónimo disse...

Trata-se obviamente da “doutrina liberal "in the making"” como diz. Mas isto já vem de longe. A questão dos táxis até é a que me impressiona menos. Neste aspeto sou adepto dos cabs, Quem não é?
Quando falamos de logotipos de serviços do Estado e Câmaras Municipais, é que vemos o “in the making” do liberalismo no seu melhor…
antonio pa

patricio branco disse...

o erro talvez tenha sido o inicial, mudar obrigatoriamente para creme, e porquê? choveram protestos, temos despesas em pinturas, etc, até que se decidiu que as 2 opções eram legais, à vontade do freguês, se bem que os táxis deem cor a uma cidade, a distinguem em fotografias, porque não liberalizar totalmente, como em londres, onde não há 1 cor única, afinal os táxis distinguem se por outros sinais...?
impor e depois desimpor já é habitual, é assim, menos com o irs, o iva, os cortes nos salários, as reduções, etc

opjj disse...

Caro Dr.S. da Costa, comparo isto ao acordo ortográfico.
Exemplifico: Ao fazer as traduções de; Ses subtiles saveurs sucrées e A sweet subtle taste. Em português será- subtil doce, que ao que parece vem nos dicionários internacionais que eu lido - sutil e não subtil.
Será ignorância minha?

cumprimentos

opjj disse...

Há uns tempos no Rio de Janeiro, meu filho apanhou um táxi e depois de dar umas voltas e ter atravessado a pé e temeroso uma favela, verificou que estava próximo do local pretendido e do local onde apanhou o táxi.Para compensar tanta delicadeza meu filho pagou ao taxista em dobro com gorjeta.

Cumprimentos

Anónimo disse...

Desde que não liberalizem, ainda mais, a bandeira nacional ... já fico contente ...

Tal é o meu estado de resignação ..

N371111

Anónimo disse...

Ao creme imposto pela UE prefiro esta confusão. Um dia voltaremos ao velho tradicional, verde garrafa e preto.

Anónimo disse...

O que me faz confusão é o desejo destes comentadores ditos anti liberais, começando pelo embaixador, que querem que o estado (com letra pequena) regule a côr dos táxis! Talvez também o uso do isqueiro, a cor dos sapatos etc. Haja paciência! O estado deve regular, sim … mas as coisas importantes, onde haja gente desprotegida que tenha que lidar com tubarões, o resto é o exercício da liberdade.
João Vieira

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro João Vieira : "quais" são as cores dos táxis em Nova Iorque?

Anónimo disse...

Não tenho conhecimentos especiais sobre as cores dos táxis e as suas razões. Imagino que em Nova York são amarelos por tradição e para chamar a atençao. Em Portugal a tradição ditaria que fossem verde e pretos cores, qualquer que seja o tom do verde, indiscutivelmente ligadas a táxis na nossa memória. Um palerma qualquer determinou que passassem a cremes, com protesto geral. Tal e qual como os carros do estado deixaram de ser todos pretos em prejuízo da dignidade da função e em benefício dos malandrecos que quiseram abusar em benefício próprio.
Mas é isto um assunto que mereça conversa?
João Vieira

Portas e Travessas.sa disse...

Caro Embaixador

Opino, que côr dos táxis, seja uma unica côr e que esta, seja vermelho vivo - como os "Bus" de Londres

Vermelho vivo, embeleza, Mais, a minha Lisboa.

Lisboa? é alegria

Olisiponense dos 7 costados

Anónimo disse...

O regresso dos táxis à cor preta e verde deveu-se simplesmente ao problema de haver carros particulares com a mesma cor dos táxis (um bege bastante claro), o que confundia os potenciais clientes. Recordo-me, na minha juventude em Lisboa, haver táxis das mais diversas cores, o que dificultava quem aguardava numa via por um.

Anónimo disse...

Os carros creme têm a mesma côr que os táxis da Alemanha. Assim, escusava-se de mudar de côr quando se comprava por lá um Mercedes, um Passat, ou outros, em segunda ou terceira mão. Há "circuitos" organizados que tratam de tudo. Desde a escolha na Alemanha até à entrega da chave em Portugal.

Anónimo disse...

A passagem, há uns anos, dos táxis de preto e verde para creme, foi ao que me disseram no único interesse das fábricas, sobretudo a Mercedes, não necessitando de os pintar daquelas cores, enquanto o creme é uma das cores que saem habitualmente das linhas de montagem.
Mas dado o ano em que isso aconteceu não foi, neste caso, nenhuma imposição da senhora Merkel...

Anónimo disse...

Sr. Embaixador,

Os comentários de quem por aqui passa estão cada vez mais estranhos e desajustados! Vou passar a ler apenas os posts.

Sofia

Anónimo disse...

A "cor dos swaps"

Do blog Impertinências", com a devida vénia:

"«Arquivada queixa do Governo sobre manipulação de documentos swaps. Ministra das Finanças perdeu a batalha.» (título do Expresso)

A queixa da MF foi quanto às «discrepâncias (que) serviram para introduzir, como segunda página do documento na posse da comunicação social, um organigrama inverosímil, que não consta da apresentação original, com o logótipo do banco com um grafismo diferente. É neste organigrama, e apenas nele, que aparece o nome do secretário de Estado do Tesouro.»

E o que apurou o MP? Que o «organigrama inverosímil» era um organigrama legítimo? Não.

O MP apurou que havia «três versões de documentos que incluem a aludida proposta de contratos 'swap' feita pelo Citigroup ao Estado Português», e «em todas as versões se constata que os termos contratuais são exatamente os mesmos» e, portanto (um silogismo que Aristóteles não aprovaria), «não resultam indícios de que o documento exibido pela SIC tenha sido adulterado ou modificado, tendo em conta a confirmação dos factos e a existência de vários documentos de trabalho com características próprias».

Poderia o MP ter a gentileza de se deixar de fintas à volta dos «termos contratuais», que não estavam em causa na queixa, e explicar se o «organigrama inverosímil» com o nome de Joaquim Pais Jorge constava ou não da «apresentação original» que é esse o objecto da queixa da MF?

Poder, podia, mas não era a mesma coisa porque talvez entalasse a SIC e mostrasse mais uma manipulaçãozinha do jornalismo de causas."

Alexandre

Cícero Catilinária disse...

Já agora, se o Dr. Seixas da Costa me permitir,gostava de perguntar ao "comentarista" Alexandre (22:59, o que é que o cú (a cor dos táxis, terá a ver com as calças (os swaps)?

Antonio Cunha disse...

Estou farto de procurar como era a côr do tejadilho dos taxis nos anos 60, e só me falam da cor verde, ou beje, mas eu estou recordado que nos anos 60, o tejadilho era vermelho alguem está de acordo comigo? ou é só imaginação?

Anónimo disse...

Não discuto a cor, apenas constato, com alguma desilusão, que somos o único país (por vezes as cores são definidas pela autarquia também) onde cada um usa a cor que lhe parece melhor. Do que conheço do mundo, não conheço nada igual e neste aspeto nada podemos elogiar, muito menos a instituição que devia regular esta balburdia.

D. Lopes disse...

O Táxi deve ser um veículo distinguível, e à distância, dos outros veículos em cada cidade.
A variedade de tons de verde não é admissível. Se há omissão na regulamentação, ela deve ser suprida, com vista à uniformidade.
Se, a partir do momento em que passou a ser facultativo, o preto e verde regressou em força, o que dizer?

Anónimo disse...

o importante antes de punir os que não cumprem o padrão verde é mais produtivo e construtivo divulgar o código da tinta verde.
sim tem que ter código!! quem sabe o maldito código???
LS