sábado, 2 de novembro de 2013

Surpresa

O meu prezado amigo e antigo colega de governo, Daniel Bessa, diz hoje no "Expresso" que o "guião para a reforma do Estado" é uma "boa surpresa", um "documento com princípio, meio e fim". 

Tendo lido o texto com um cuidado quase masoquista, só posso concluir que, das duas uma: ou Daniel Bessa aguardava um texto indigente e "tudo o que vier à rede é peixe" ou, lá para o Norte, foi distribuída uma versão diferente. Mas numa coisa concordo plenamente com Daniel Bessa. O documento tem um "fim". Foi ontem.

18 comentários:

Anónimo disse...

Ah,ah,ah! Boa!

Anónimo disse...

Temos que concluir que tudo pelo o que estamos a passar é apenas função da nossa classe dirigente, e bem "informada", e não do povo como dizem... (Será que "guiou alguns parágrafos"?)
Ainda ontem, bem tentou M Crespo fazer com que Alberto Martins dissesse alguma "coisinha" sobre o que faria de diferente do que o que estes estão a fazer. Qual quê! Disse bem mais naquele minuto (histórico) ao Américo Tomás do que nesta extensa meia hora... Deve ser da idade...
antonio pa

António disse...

Caro embaixador

É isso mesmo. Parabéns...! Continua com a coragem que sempre lhe foi reconhecida. O mesmo não poderei dizer de Daniel Bessa...

Helena Oneto disse...

LOL! Rir com o dito é exercicio impossivel! Salvo aqui! Bem haja, meu carissimo Embaixador:)!

Defreitas disse...

Com ou sem "guião" , a social democracia já não faz sonhar ninguém e não pode fazer sonhar. Porquê? Porque o seu projecto económico e político não corresponde mais aos factos económicos que lhe permitiam de o realizar.. o capital é agora globalizado e escapa à autoridade dos Estados , portanto às condições que permitiam à social democracia de ter uma credibilidade.
A dominação económica da Europa e dos EUA, o facto que detinham quase sozinhos, a tecnologia, os capitais, os mercados, as competências, a força de trabalho adaptada.. davam um monopólio que permitia muitas coisas.
A morte da social democracia é de facto o fim das ilusões reformistas, isto é da crença na possibilidade de humanizar o sistema mercantil.
Ela morreu de" morte natural", quero dizer que ela correspondeu a uma "necessidade histórica" e que hoje não serve para nada, nem aos trabalhadores nem ao capital.
O que é que a social democracia mudou no sistema mercantil e o que é que resta do que ela fez ? Quase nada.
Hoje , esperamos que a BCE, o FMI e Bruxelas deiam o "la" . Estes são os verdadeiros "guiões" da sociedade ..

Isabel Seixas disse...

Basicamente porque tudo tem principio meio e fim, até o fim...

Anónimo disse...

Excelente.
Tinha acabado de ler o artigo.
Boa!Muito boa!

Carlos Fonseca disse...

Caro comentador António,

Daniel Bessa também continua a ter a mesma dose de coragem que muitos lhe têm reconhecido.

Porém, como nos restaurantes, há quem tenha uma dose, quem tenha meia dose, e mesmo quem se contente com um pratinho!

E, independentemente das doses, até há quem mude de "restaurante", se isso for da sua conveniência pessoal.

patricio branco disse...

sim, leve e muito vazio papel de ideias alinhavadas para finalmente se apresentar um guião que não guia, exercicio academico ou do secundario, ideias feitas,lugares comuns, o ponto foi assinado, o governo embora com atraso dirá que cumpriu, episódio sem qualquer relevancia para os momentos que vivemos, teve o seu fim como disse daniel bessa, cumpriu se tudo, mas porque não reduzem os deputados da ar para 181? era uma boa reforma, a constituição permite, paulo portas aceitou ser o arauto desta reforma e seu guião, o passos está satisfeito de ter sido ele e não p. ex maduro, pois aí vamos nós, este estado nunca se reformará, é assim mesmo, somos avessos a isso de mudanças, dá trabalho, mexe com muita gente, comodismos e atavismos, estes papeis como dezenas de outros vão prá gaveta das recordações, etc etc

Anónimo disse...

Como é "bonita" a "coragem" ancorada no estatuto, na abastança ou no apoio sectário...
(Einstein teve coragem de anunciar a T R aos 26 anos mas "só" muito mais tarde é que pôs a língua de fora perante uma de duas infinidades...)
antonio pa

Anónimo disse...

"A ruína não pertence em exclusivo aos sociais-democratas ou aos socialistas. Foi uma longa sociedade por quotas deste dois parceiros que ditou o rumo penoso de Portugal. O país vive o dilema do prisioneiro e não existe uma jogada que possa eximir as duas principais forças políticas das suas responsabilidades. Seria bom que soubessem, que nalguns casos, as laranjas e as rosas não se comparam - nem se cheiram." do blog "Estado Sentido".

Alexandre



EGR disse...


Senhor Embaixador : já ouvi dizer que o dito foi propositadamente elaborado com esse finalidade, ou seja, não durar mais que o momento da sua apresentação.
Claro que o autor não fugiu da sua habitual pose para nos tentar convencer que o momento tinha, de facto, importância.

Amândio Meira disse...

Prezado Embaixador, estamos plenamente de acordo!... O Dr. Daniel Bessa deve ter lido uma qualquer versão diferente, daquela que foi dada à estampa!... Caso contrário, penso que talvez só a medicina poderá resolver!... Continue, pois, meu caro, com toda a sua honra e verticalidade a comentar os "nossos" assuntos.

Defreitas disse...

Comentando as palavras de Alexandre - 21:14:

As "nuances" entre as duas cores são mais ténues que o que parece. Laranja ou rosa, a dependência de actores exteriores é a mesma nos dois casos. Esta dependência obriga a gerir a economia segundo os mesmos critérios : equilíbrio orçamental e menos Estado. Maastricht oblige ! Em caso de alternância, os problemas serão os mesmos. Só a posologia do tratamento poderá ser diferente.
Socialismo ou social democracia, o resultado desta imposição dos dois critérios leva inexoravelmente ao social liberalismo, ou, no pior dos casos, à direita ultra liberal tendo por fundamento ideológico o individualismo triunfante, veiculado pela cultura anglo-saxã.

O corolário é o enfraquecimento do Estado, a destruição dos serviços públicos, o desmantelamento da segurança social, a reforma das pensões, etc. O objectivo do "menos Estado", conduz a isto. A ideia do sistema de reforma por capitalização, por exemplo, está presente nos planos da Direita. Aqui se encontra uma das "nuances" onde a ideia socialista diverge da direita e mesmo de certos tenores da social democracia. Todas estas politicas contribuirão a destruir a organização centralizada do Estado e a solidariedade republicana para tornar o individuo responsável da sua própria condição.

E portanto, sejamos honestos, ir nesta direcção consiste a negar a ausência de igualdade de "chances" à partida, no nosso sistema. Ora, as desigualdades sociais são hoje mais que nunca incontestáveis.

Por isso mesmo, se existe uma influência "socialista" que gostaria de ver exercer-se na social democracia ( quanto à direita, não tenhamos ilusões !) é o combate ao individualismo, que consiste a passar por cima dum SDF , deitado no chão, diante da sua porta, considerando este pobre individuo como único responsável da sua situação, de pretender que ele deveria forçosamente ter podido desenrascar-se.

Infelizmente a educação democrática, se ela emancipou o individuo e corrigiu ( quando teve os meios para o fazer) marginalmente as diferenças, nunca conseguiu na realidade erradicar estas desigualdades naturais. Esta ideologia individualista é um flagelo culpado de desmantelar o nosso elo social, culpado de destilar uma miséria e uma precariedade intoleráveis que só a solidariedade pode combater.Basta ver como reagem os "nantis" do sistema (desportistas, entre outros !) quando se lhes pede um esforço de solidariedade

Se a sociedade individualista é a soma de todos os interesses individuais, a sociedade republicana e democrática é a do interesse geral, do bem comum e colectivo. Como preservar a coesão da nossa sociedade opondo os indivíduos entre eles?

ARD disse...

Meia dúzia de ideias mais do que repisadas, alguns truísmosl universalmente aceitáveis, umas frases a armar ao pingarelho como é timbre do autor, umas pitadas de Wikipédia, como apertadamente notou Teixeira dos Santos, letra e espaços grandes e toma que é p'ra portuga.
Mais uma pantominice.

Helena Sacadura Cabral disse...

Mas não foi Alberto Martins que, no tempo de Sócrates, foi por este encarregado de fazer a reforma do Estado? E que teve uns anos para a fazer?
Onde está o documento produzido? Já tentei encontra-lo na net e nem vestígio.

ignatz disse...

as tentativas de reforma do estado dos governos anteriores foram bastante contestadas pelo actual governo. lembro-me bem de gozarem com simplex, aquela coisa que o paulo portas redescobriu agora.

Anónimo disse...

Mas ainda a propósito de Daniel Bessa quais os motivos intrínsecos que o levararam a ter esta opinião??