terça-feira, 5 de novembro de 2013

França

Não deixa de ser preocupante para a Europa a situação que hoje se vive em França, muito em especial pelas implicações que esse estado de coisas pode ter no futuro do projeto europeu.

A França é um país-chave da equação continental. Por muito que alguns não gostem de reconhecer isto, devem-se ao eixo franco-alemão os passos mais significativos do processo integrador. É mesmo muito curioso observar que, sendo a França um país que tem "uma certa ideia da Europa", que passa bastante pela sua muito específica ambição em termos de poder no projeto continental - e que está muito longe de ser aquilo que se chama "europeísta", no sentido bruxelense do termo -, ela soube sempre dar uma contribuição que se revelou imprescindível para os grandes avanços que foram conseguidos. Sem a França não há projeto europeu - as coisas são tão simples como isso!

Ora a França atravessa um tempo difícil. É um país que, ao longo dos "trinta gloriosos" anos do pós-guerra, estabeleceu uma sociedade de bem-estar cujo património é hoje defendido em todos os setores do espetro político. Um modelo que obriga a que seja o país da União com a mais elevada percentagem de despesa pública face ao PIB. Esse modelo, com todas as virtualidades e vantagens que lhe estão associadas, torna-a fortemente resistente à mudança que os novos ventos financeiros europeus querem impor-lhe. 

A França tem um potencial económico e um tecido financeiro que parece colocá-la ao abrigo de colapsos como os que abalam hoje alguns dos seus parceiros mediterrânicos. Mas os números preocupantes do seu défice, a forte quebra da sua balança comercial, a perda de competitividade de muitas das suas indústrias e o agravamento de alguns outros indicadores (como o próprio desemprego) revelam que alguma coisa tem que mudar rapidamente no país. Acresce que, nos últimos anos, uma mutação significativa está a gerar na sociedade francesa clivagens e derivas preocupantes, nomeadamente pelo sucesso de algum populismo com laivos xenófobos e até racistas.

O drama francês é também o nosso drama. O apagamento, embora talvez conjuntural, do papel que a França desempenhava no centro do projeto europeu parece estar a conduzir a Alemanha a uma inédita "solidão", que Berlim pode ser tentada a atenuar através de novas alianças, cuja resultante está longe de corresponder aos interesses de um país como Portugal. Além disso, a França é a segunda pátria de muitas centenas de milhares de portugueses, sendo hoje uma das importantes fontes de remessas financeiras que compensam a nossa debilidade interna. Os portugueses em França, ou os luso-descendentes, não incorrem no menor risco por essa sua condição específica. Mas uma crise na sociedade francesa atingi-los-ia em pleno.

Por tudo isto, e também pelo que a França representa para a nossa maneira de estar no mundo, o seu futuro imediato não nos deve ser alheio.

21 comentários:

Anonymus disse...

No sábado vi este artigo no Expresso, reproduzido depois no jornal digital Diário do Distrito: http://diariododistrito.pt/index.php?mact=News,cntnt01,detail,0&cntnt01articleid=1267&cntnt01returnid=84
Porque não fazer um post sobre o assunto?

Anónimo disse...

Pois sim, a França é, para muitos milhares de portugueses, uma segunda quando não primeira pátria e o que se passa por aqui diz-lhes muito. Mas não sei se a "raia miuda" por aqui resisterá tanto ao sofrimento como em Portugal!
E não deve ser mesmo nada tranquilizador para os defensores desta ordem económica na Europa ver um "embrasamento" da França... com em sem barretes vermelhos!
José Barros.

Nuvorila disse...

A França é o seu passado.Sobressaltos revolucionários,prevalência dos conservadores.Respira-se lá um ar malsão,lembramo-nos da francisca de Miterrand...

Anónimo disse...

http://youtu.be/4E6sEetFfg0

a) Feliciano da Mata

Anónimo disse...

Infelizmente a França vai perdendo cada vez mais influência política e económica. Já nem a cultura francesa tem o magnetismo de outros tempos.

A situação económica francesa, com a aprovação da redução do horário de trabalho no tempo do PM Jospin, foi-se agravando cada vez mais e os sucessivos Governos franceses pouco fizeram para inverter essa situação.

É necessário uma reforma séria da economia francesa, que retome a competitividade da economia, sem ser à custa da sobrecarga dos impostos. Algumas das reformas de Jospin terão de ser eliminadas.

Só depois de por a casa em ordem do ponto de vista económico é que será possível que a França possa retomar o seu lugar como motor da Europa.

Anónimo disse...

Entretanto em Macau:

"O atraso do vice-primeiro-ministro Paulo Portas a uma receção oficial organizada pelo consulado de Portugal em Macau está debaixo do fogo da imprensa macaense.

De acordo com o jornal «Hoje Macau», o atraso do governante português foi um ato «inenarrável», sem direito a pedido de desculpas por parte deste, tendo já metade dos convidados ido embora quando Portas chegou sem apresentar qualquer justificação.

Fonte contactada pela TVI, presente na cerimónia, desdramatiza o atraso, mas confirma-o. Paulo Portas chegou «um pouco atrasado», facto que levou «sete ou oito» chineses a saírem da sala, pessoas que «habitualmente não esperam por ninguém».

Um empresário português radicado em Macau, citado pelo jornal, alertando que «os chineses consideram este tipo de atraso como uma ofensa e uma falta de consideração», considerou: «É incompreensível esta atitude que basicamente tirou face à nossa comunidade. Uma vergonha! Inenarrável!», disse ."


Alexandre

Anónimo disse...

O anónimo das 12,04 ainda não compreendeu que a economia atirou já com demasiada gente para o desemprego e que aumentar os tempos de trabalho aumenta aquele fenómeno do desemprego e miséria e que são as consequências deste desespero que faz agir a revolta por enquanto só com barretes vermelhos... que grita a altos pulmões que já nada terem a perder.
José Barros

Anónimo disse...

Que José Barros tem razão ainda consigo dizer... O resto... que se deixa fazer passar por ai, não sei se é mesmo necessario, se é por conveniência de alguns. Quem sabe tudo o que se faz hoje às pessoas, até é para evitar uma Guerra com maiuscula, aonde morreriam muitos. e, muitos problemas se resolvriam?! E sempre uma aberração, o assassinato de alguns paises, seja porque razões forem. Cada vez estou mais atento para perceber o que se passara de facto. E a unica verdade que se me afigura neste espelho social do nosso pais! Tentar perceber... Haja, quem nos acuda com honestidade democratica!

Defreitas disse...

Excelente "post"e diagnostico de quem conhece bem o "doente"! Não creio , entretanto, que seja realmente o problema "só" da França. Creio antes que por culpa das politicas impostas pela UE aos seus membros, a Europa é pouco a pouco um navio em perdição e, helas o seu naufrágio, se nada de brutal ao nível das instituições europeias não se verifica, o seu naufrágio é inevitável. Ao contrário das economias asiáticas que se industrializaram e inovaram a um ritmo mais que surpreendente, ela estagna, recua. Num século de promessas extraordinárias, a Europa é a que perde mais.
Os novos países industriais possuem, hoje, 80% das reservas planetárias de liquidez. Em 2011, as exportações ultrapassaram os 50% do PIB mundial, contra 30% há 30 anos. A China é a primeira economia mundial e a sua influência estender-se-a a todos os continentes dentro de alguns anos?
As consequências das deslocalizações são visíveis: a maioria dos países industrializados passaram por um terrível processo de desindustrialização que se traduziu numa queda do emprego. Os EUA e a França não escaparam.
A desindustrialização do espaço europeu não é ressentida da mesma maneira em todos os países ocidentais mas o fim das grandes indústrias europeias é incontestável.
A paragem do crescimento nas economias da Europa com a excepção da Alemanha, é a consequência das políticas dos governantes europeus e dos tecnocratas de Bruxelas.
Desde a queda do muro de Berlim, a mão de obra das ex-republicas soviéticas , ao penetrar no espaço europeu, fez irrupção na economia global. Qualificados e baratos, sem direitos, os trabalhadores de leste foram os grandes favoritos no mercado alemão. Depois foi a China e as novas economias asiáticas que substituíram as ex-republicas soviéticas e se transformaram no eldorado do capital rapace.
Praticamente, todos os grandes grupos transnacionais ocidentais lá instalaram as suas unidades de produção. Toda a produção mundial de bens essenciais à sobrevivência das nações avançadas é executada agora no oriente. Não foi Motorola que eliminou Nokia, mas Samsung ! Vai sobreviver na Microsoft... talvez!
A falta duma legislação do trabalho internacional assegurando aos trabalhadores, no mundo inteiro, um mesmo salário mínimo e direitos do trabalho, estimulou a exploração das populações asiáticas, precipitando para sempre no desemprego e na pobreza a mão de obra da Europa, da América e de muitos países ocidentais.
Se continuarmos assim , um dia na Europa não haverá trabalho.

Defreitas disse...

A Alemanha parece safar-se melhor. No contexto das regras impostas pela Comissão europeia, ela é agora a locomotiva económica europeia. A "sua" formula é, entretanto, um atentado aos direitos dos trabalhadores alemães. As "leis Hartz" são o quê? Não existe salário mínimo, baixa radical das subvenções dos desempregados de longa duração, criação de mínimos com um salário máximo de 400 euros por mês mas pode descer a 1 euro à hora...
Os capitalistas alemães souberam estruturar durante os últimos 30 anos a fortaleza económica, graças às nações periféricas dependentes comercialmente e facilmente exploráveis.
As empresas francesas da agro agricultura que hoje fecham em série na Bretanha, são esmagadas pelos 4 euros/ hora pagos aos búlgaros e outros romenos que trabalham na Alemanha.
A directiva Bolkenstein é largamente explorada pelos países de leste. Vir trabalhar da Polónia em França, com um salário polaco é possível! Há hoje em França 200.000 trabalhadores sob contrato estrangeiro, vivendo em condições miseráveis, explorados por empresas estrangeiras. Mesmo Portugueses. Um amigo meu, contratou no Porto há algumas semanas uma equipa de construção civil, vinda em avião "low cost" , paga com um salário "low cost : 60% mais barato que o orçamento francês mais baixo Sabe-se porquê !
Então, quando se fala de produtividade, é preciso saber que a francesa é entre as mais elevadas dos países industrializados. Mas os encargos sociais são , claro está, superiores.
Não creio que o povo francês aceitará de nivelar o seu nível de vida a partir da base, afim de resistir à concorrência asiática. A UE cessará de existir no dia em que estas condições lhe forem impostas pela finança internacional. A UE deverá ser reconstruída sob outras bases.
Todas as nações da Europa se enterrarão na falência económica, prólogo dum cataclismo social, bem mais trágico que a Grande Depressão.
Como é possível não ver, por trás de todas estas manobras do poder do capital, um plano para desfazer a velha terra da Europa das liberdades e da solidariedade? Habilmente manobrada pelo FMI, escondendo os estragos reais da globalização sob o nome da crise da divida soberana, traça as três etapas que trarão as populações de rejeitados ao inferno do terço-mundo : empobrecimento, marginalização, ghettoïsaçao.
As populações ocidentais foram sacrificadas aos imperativos da globalização : o controlo total das forças do trabalho, baixando ao máximo o seu custo e alongando os horários e os anos de trabalho, supressão da protecção social e dos direitos do trabalho! Numa palavra : A escravatura, como na China e no Bangladesh.

Defreitas disse...

O Sr. José Barros tem razão : O anónimo das 12:04 ainda não compreendeu que não é fazendo trabalhar uns mais horas, quando o trabalho não chega para todos, como o prova os 3 milhões de desempregados (12%), que se resolve o problema. Aliás, se a anulação da lei Jospin fosse "inteligente", a direita conservadora que o substituiu teria-o feito imediatamente. Mas em vez disso, viveram dois mandatos com essa lei!

Anónimo disse...

Relativamente aos comentários de Barros e DeFreitas, quero assinalar que uma dos principais erros que teve a legislação aprovada por Jospin foi coartar brutalmente o recurso à utilização de horas extraordinárias por parte das empresas, mesmo quando os trabalhadores as queriam fazer, dentro da tal lógica menos horas para todos, mais trabalho para todos...
O resultado foi o que foi e a lei foi modificada no Governo Sarkozi, não tendo contudo sido suficiente para impedir a manutenção da competitividade francesa.

O resultado dessa imposição do regime das 35 horas foi por exemplo o encerramento de unidades fabris como a Peugeot, com o consequente desemprego dos seus trabalhadores.

Só quando o realismo retornar à classe política francesa é que esta pode voltar a progredir e desenvolver-se e não ser uma locomotiva atolada, sem conseguir avançar.

Anónimo disse...

Em França os prognósticos são cada vez mais reservados.
Agora até já falam de uma "direita tradicional" (UMP) e de uma "extrema direita" (Le Pen). De esquerda não há nem extremas, nem tradicionais.
No entanto é em França que se vai dar a "tempestade perfeita" para acordar a Europa. Os franceses e os impostos deram origem à revolução francesa. Wait and see.

Defreitas disse...

O Senhor Embaixador, aborda no seu "post" o perigo potencial do populismo e mesmo da xenofobia e do racismo em França.
Acho que tem muita razão: O perigo existe, e, mais uma vez, mesmo na Europa, e os partidos ditos de governo preparam inconscientemente tal eventualiodade.
Se o quadro actual constitui um muro contra o qual se desfará toda veleidade transformadora e que não é possível de derrubar antes dum certo tempo, e com a condição de se saber primeiramente com que o substituir, creio que não será possível evitar "un bras de fer" com as instituições europeias. que pode ir até certas formas de desobediência . Mesmo com o risco de abrir uma crise maior na Europa.
O que a Grécia não pôde fazer, um pais fundador como a França pode fazê-lo. Seria o momento de criar uma Europa alternativa àquela dos mercados, que nos põe de tanga! E preservaria a necessidade de soberania que tanto nos afecta.
A ameaça de saída da Europa deve ser brandida. Uma arma de dissuasão, em principio não tem vocação para ser utilizada, mas seria bem melhor que deixar o tal partido populista fazê-lo como ele já o prometeu. Tanto mais que ele não quererá mais Europa nenhuma.

Defreitas disse...

Ao anonimo das 17:56:

Absolutamente falso.

1° As 35 horas traduziram-se por um aumento do crescimento, a criação recorde de empregos e uma subida do poder de compra.
2° Segundo Eurostat, entre 1999 e 2001 o aumento da criação de empregos foi de 50%.Mais de 350.000 empregos foram assim criados, graças às 35 horas no período de 1998-2002.
Excepto as dificuldades nos hospitais, as 35 horas foram implementadas sem problema.
Não houve custos salariais suplementares para as empresas graças à reorganização do trabalho, que permitiu melhorar a produtividade, e a redução das cotizações salariais que acompanharam a passagem às 35 horas.
Quanto à produtividade, a França obteve em 2002 , por cada hora de trabalho , uma produtividade de 125,6, contra 106,5 para a Alemanha e 110,2 para o RU. Hoje , em França, caiu a 121,4.

Apesar das 35 horas, a França classificava-se nessa época, 2002, em 3° lugar na atracção de investimentos estrangeiros, depois dos EUA e da China.

As reduções dos encargos sociais das horas suplementares da lei Sarkozy, além do custo para o Estado, permitiram aos patrões de utilizar as horas de trabalho suplementares em vez de criar os empregos que deveriam ter criado se essa lei não existisse.

Para mais, essa lei era imoral, porque impedia muitos trabalhadores de recuperar um emprego,deixando-os a cargo dos contribuintes, enquanto outros ganhavam mais e não pagavam cotizações nem impostos, graças às horas sup. o que , para a S. Social, era prejudicial.

Conhecendo todos os sites de produção Peugeot em França e mesmo no estrangeiro, gostava que nos dissesse quais ateliers fecharam por causa das 35 horas.
Se Peugeot hoje sofre, foi mais por falta de visão do mercado, e de insuficiências de gama.

Fui eu mesmo confrontado a essa lei, que apliquei na firma que dirigia, levando-me a empregar mais alguns trabalhadores para me adaptar às circunstâncias e reorganizando o trabalho. Sem problema.

Anónimo disse...

A França está como no fundo sempre esteve: descontente e bem. Nada na Europa se fará sem ela e não será ela a salvar a Europa. Tem a Chanel, o Café de Flore, o Romanée-Conti, a baguette, o comté, a Joconda e as paisagens urbanas, marítimas e campestres. A Europa será na melhor das hipóteses o museu do Mundo e a França o museu da Europa. Há coisas que não se poderão mudar. É melhor assim.

Portugalredecouvertes disse...


Grandes desafios se colocam aos países europeus,
mas parece que com o "cada um para si" será a Europa realidade ou utopia?

Anónimo disse...

a magnifica frança o pais onde todos vivem dos subsidios até as vacas

que controlou a pac

que nunca fez nada por se adaptar a europa, bem o contrario

da esquerda fumarolas do maio de 68 da france afrique das vendas de armas aqui e ali

a que deitou abaixo o khadaffi para depois andar
a caçar terroristas no norte de africa

a frança amiga do qatar

a franca burguesinha dos bairros chiques de paris a frança dos banlieues pobres e ghettizados como nao ha em portugal


que tenham problemas, pois... é normal... ja era tempo...


Anónimo disse...

Que dirá os brasileiros da situação que se encontram!
O Brasil acaba de importar 6 mil médicos.
Vê-se que a saúde não anda boa, não só para a França, estão perdendo e muito dessa situação!

Anónimo disse...

Comentário a DeFreitas:

Só não vê, quem não quer ver...

A decadência económica da França e a consequente perda da competitivade foi essencialmente derivada das aprovações do Governo Jospin.
Desde essa data a França entrou em perda, que não será recuperável se não se modernizar.

Ao nível global a França cada vez mais se vê reduzida à sua impotência, que é derivada da sua fraca prestação económica desde as referidas mudanças.

Defreitas disse...

Ao anónimo das 14:14

Realmente, só quem não quer ver é que ... não vê ! O crescimento médio dos 5 anos do governo Jospin, foi de 3%. E menos 900.000 desempregados . O desemprego caiu para 8,8%, houve excedente comercial de 17 bilhões de dólares e o PIB do país deu um salto de quase 3%,
O crescimento médio da Europa durante o mesmo período foi entre 2% e 2,5%.
Durante os governos da direita, de Balladur e Juppé, o crescimento médio foi de 1,5 % e mais 200.000 desempregados
Depois foram 10 anos de Chirac e Sarkozy. O resultado está à vista. Há um ano, quando Hollande chegou ao comando, 600 000 milhões de dividas esperavam-no .O desemprego tinha subido durante os últimos três anos e continuava. Dezenas de planos de licenciamento estavam prontos nos cartões, alguns foram retardados para depois das eleições.
A direita teve 10 anos para fazer a reforma fiscal, que não fez. E portanto ela era necessária. Preferiu-se o "pacote fiscal" para os ricos, viram-se contribuintes irem a Bercy buscar os cheques de "trop payé" de impostos!, reduziu-se o ISF, não houve a coragem de eliminar as 35 horas, que se guardou como álibi, e para aumentar a complexidade e o custo do trabalho, continuou-se a subvencionar as empresas para as 35 horas e ainda mais: subvencionou-se as mesmas empresas para as horas suplementares.
Quando o consumo é forte, porque se apoia sobre importantes criações de empregos como foi o caso de 1997 a 2002, graças às 35 horas e aos empregos jovens, o crescimento e mesmo o investimento podem resistir às quedas conjunturais. Ora, este motor do emprego está hoje totalmente em pane em França.
O credo liberal habitual foi o credo dos dois mandatos precedentes, acompanhado da convicção que, de qualquer maneira, não havia nada a fazer , perante uma conjuntura mundial que determina muito largamente o crescimento do pais.
Acrescentemos a este panorama os disfuncionamentos da UE e os estragos da globalização, e temos a explicação da situação actual. O governo actual é obrigado a recuperar os 10 anos de imobilismo de Chirac e Sarkozy, e não é por outra razão que os tenores da direita exigem eles mesmos um inventário deste 10 anos perdidos, aos seus próprios leaders.
A França tem um potencial intelectual, cientifico , industrial e económico, que lhe permitirá de recuperar. mas a tarefa será árdua. A grande diferença em relação aos outros países é que ela procurará sempre uma via mais solidária , no respeito do pacto social.