segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Espírito Santo

Portugal tem poucas "marcas" internacionais. Ao longo de toda a minha vida profissional, testei as imagens que o nosso país foi fixando nos outros. Fui avaliando o modo como elas se revelavam identitárias, a sua solidez, a sua permanência no tempo. Através do olhar estrangeiro, medi a sua importância para o "retrato" que de todos nós foi sendo desenhado.

Dentre as poucas que Portugal deixou pelo mundo, a marca "Espírito Santo" surgiu-me sempre como sendo tido por um "valor" seguro. Nunca tive a mais remota relação com o grupo, nem sequer fui depositante do banco. Mas habituei-me a ver o nome "Espírito Santo" respeitado e admirado. E isso não é indiferente a quem, como eu, levou a vida a tentar sustentar a imagem de Portugal no estrangeiro.

A família Espírito Santo, com algumas outras, pagou, no pós-25 de abril, a circunstância ter sido um importante suporte da ditadura que nesse dia terminou, bem como o facto de ter beneficiado de um regime colonial cujo prolongamento no tempo foi fonte de muito sofrimento, em Portugal como em África. Com dignidade, respeitando as novas regras, o grupo Espírito Santo conseguiu retomar o seu papel no âmbito da economia portuguesa, aproveitando a lógica de mercado consensualizada em democracia. Até o conseguir, o grupo foi apoiado por amigos que, no exterior, confiaram na palavra e na honorabilidade dos seus membros. E isso não é coisa pouca nos dias que correm.

Por todas estas razões, e não obstante as culpas próprias do presente, recuso-me a comungar dos sorrisos irónicos, de origens bem diversas, de quantos olham para o momento menos bom que o grupo Espírito Santo hoje atravessa.

8 comentários:

Anónimo disse...

A família Espírito Santo sempre esteve colada ao poder, de Salazar a Sócrates e Passos Coelho ( é verdade que, se este tem poder, tal ainda está por provar, mas foi administrador de uma empresa ligada ao grupo). Recordemo-nos das fotografias de Salazar com Ricardo Espírito Santo e do apoio que Ricardo Salgado deu a Sócrates mesmo até ao fim. Só por uns tempos, após o 25 de Abril, é que tal não aconteceu.

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Alexandre: este espaço de comentário destina-se a cada um colocar ideias próprias, não a ecoar as ideias dos outros.

Anónimo disse...

Acredito, as comparações ás vezes provocam uma enorme alergia!

Alexandre

patricio branco disse...

sim, que a marca se continue a afirmar pela positiva, dentro e fora, um banco familiar como o bes faz falta, que as quezilias da familia terminem em bem e não precisamos de saber como lavaram a roupa se ela continua limpa...

Anónimo disse...

Isto em Portugal, para um não politizado como eu, está a ficar cada vez mais interessante. Ele são os partidos a lançarem flechas incendiárias uns aos outros e.... agora as famílias tradicionais, com mais poder económico no país, degladiam-se nas praças públicas. Tudo isto me leva a pensar que este regime domocrático não criou uma cultura política de jeito. Vamos ver no que isto dá com tanta radicalização, mas espero que não dê em miséria.

Anónimo disse...

Marca “Espíto Santo”? Os problemas internos da banca, seja ela o BES, BCP, BPI, etc, etc, são irrelevantes. São entidades parasitárias, em termos de produção de riqueza e aumento do PIB, embora contribuam para a criação de postos de trabalho, o que já é louvável. Mas, continuam a beneficiar de facilidades fiscais que ninguém mais usufrui e do escudo protector do Estado (e da Comissão, BCE, FMI, etc) caso precisem de ser resgatados.



Anónimo disse...

Vejo o Dr. Portas, na sua versão feiras, na fotografia...
Porque será?

Anónimo disse...


Percebo agora, melhor do que antes, a razão que levou o meu filho a abandonar Angola há oito meses, ou mais propriamente o BESA.

Não foi coincidência!