segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Revisitar o Memorando

O "memorando de entendimento" firmado pelo demissionário governo socialista, em maio de 2011, e subscrito pelo PSD e pelo CDS, contém um conjunto de medidas de política cuja execução deverá terminar em meados dos próximo ano.
 
Sem intuitos "politiqueiros", pergunto-me se não seria útil alguém qualificado proceder a uma análise, cuidada e rigorosa, sobre o modo como a realidade acompanhou, ou não, o que estava previsto nesse texto (aqui publicado).
 
Pode ser que eu esteja enganado, mas tenho a sensação de que há muitas coisas que acabaram por não sair do papel e julgo que talvez fosse importante perceber as razões por que isso aconteceu. Esse exercício ajudar-nos-ia, em especial, a aquilatar da qualidade da presciência da "troika".

7 comentários:

gherkin disse...


Meu caro,
Grato pelo envio do ºdocumento de entendimentoº. Muito útil e que irei estudar em detalhe, como sugere.
Abraço do
Gilberto Ferraz

Defreitas disse...

Dois problemas previsiveis, Sr. Embaixador :

1° " O objetivo é que a "desalavancagem" do empréstimo decorra de modo a não bloquear o crescimento económico, uma vez que o êxito deste programa depende das reformas estruturais, no sentido de tornar a economia aberta e competitiva"

Com o remédio de cavalo prescrito - cortes nos salàrios e pensoes, aumento do IVA, aumento das taxas e impostos e todas as outras medidads,absolutamente opostas à recuperaçao da economia, que supôe investimentos e nao baixa do poder de compra dos consumidores, como era possivel respeitar o 1° ponto ?

2°- O compromisso de Portugal foi de atingir um défice de 5,9 por cento em 2011 (contra os 4,6 por cento anteriores), 4,5 por cento em 2012 e 3 por cento em 2013, quando a meta anterior era de 2 por cento.

Quando se conhecem hoje os défices da Espanha, França, Reino Unido, Holanda, Itália e não falemos dos USA, em tempos de crise, como foi possível que os feiticeiros da "troïka" não tivessem previsto que a alquimia proposta não daria resultado, ou antes pelo contrário, que tudo estaria errado. Era realmente a pesquisa da Pedra Filosofal que devia trazer a riqueza e a abundância mas que resultou na miséria que se sabe.

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Eu já comecei a revisita ao Memorando. Ainda estou a um quarto do texto. Mas já anotei a quantidade de coisas que caíram (ou deixaram cair) que me pergunto se o que estamos a sofrer (ainda) terá que ver com o dito cujo.

Valha-nos Nossa Senhora do Agrela, que não há santa como ela...

Anónimo disse...

"Como o Estado gasta o nosso Dinheiro"-Carlos Moreno-Juiz Jubilado do TC.

Está lá tudo, não vale a pena "perder tempo" a escarunfunchar....deixem-se disso !

Deus, pelo menos não dorme !

Alexandre

EGR disse...

Senhor Embaixador : seria realmente muito interessante que alguém fizesse um trabalho de comparação entre o memorando e a sua aplicação.
Já me tenho perguntado porque motivo isso ainda não foi feito, nomeadamente, pelos partidos da oposição-particularmente pelo PS- de forma a tornar claro em que medida o governo se tem aproveitado para levar a pratica a sua politica de devastação.

Anónimo disse...

Alegremos-nos! Deus é português, não dorme e chama-se Carlos Moreno-Juiz Jubilado do TC!
Suspiro de alívio! Bem haja, Preclaro Alexandre.
xg

Anónimo disse...

Lido no blog "A Montannha Sisifo"


O Doutor Bambo

Posted on 22 de Outubro de 2013 by Carlos Guimarães Pinto

"O doente está com cancro, diagnosticado tarde e más horas. O paciente não quis saber de tratamento até os sintomas se fazerem sentir com força. O tratamento teve que começar à bruta, quando o doente desmaiou a caminho do hospital.
Desde essa altura, perdeu o cabelo todo, deixou de sentir a mão esquerda e anda agarrado às máquinas. É difícil distinguir o que são os efeitos do tratamento dos efeitos da doença não tratada. Não é certo que sobreviva.
A dona Fátima organiza um debate. Para alimentar o debate, monta-se um desfile de familiares do doente
.
Os familiares estão tristes por o doente já não parecer a mesma pessoa, pela deterioração do seu estado de saúde e da sua capacidade física.
O filho queixa-se que a mesada baixou, o irmão que já não tem um amigo para ir para os copos e a mulher de ter que arcar com todas as responsabilidades domésticas.

Todos eles concluem o mesmo:
gostavam bastante mais do doente antes de ele ter desmaiado à porta do hospital e começado o tratamento. A culpa dizem, é dos médicos, que ele nos dias antes do tratamento ainda ia para os copos e ajudava lá em casa. A dona Fátima convida para o debate um médico e o Dr Bambo. O médico é insultado, culpado pela deterioração das capacidades físicas do doente, mas a única resposta que pode dar é de que a alternativa é deixar o doente morrer. O médico sabe que, mesmo com o tratamento, o doente pode acabar por morrer e ele arcar com as culpas, mas prefere tentar. Do outro lado o Dr Bambo ouve e simpatiza com as pessoas, está do seu lado. Segundo o Dr Bambo, o que os médicos estão a fazer, retirar o doente do convívio da família, é frio e desumano. O Dr Bambo diz que é possível curar o doente sem o obrigar a passar pelas dores do tratamento. O Dr Bambo acredita no efeito do pensamento positivo, que se o doente voltar para os copos com os amigos, o cancro curar-se-à por si mesmo. Um chá de asas de morcego teria bastado, diz ele, perante o aplauso da família. A família gosta do Dr Bambo. O Dr Bambo é um covarde irresponsável."

Alexandre