quinta-feira, 3 de outubro de 2013

O futuro da PT

Escrevi aqui um dia que, cada vez mais, só emito opiniões firmes sobre questões relativamente às quais julgo possuir conhecimentos suficientes para formular um juízo minimamente consistente. Quanto ao resto, posso ter vagas ideias, mas elas não dão mais do que para uma mera conversa de café.

É este último sentimento que tenho face à questão da fusão da PT com a brasileira Ói, que por uns dias vai dominar o debate público e que, com toda a certeza, irá ser objeto de tomadas de posição, definitivas e enfáticas, por parte dos nossos conhecidos "tutólogos" - essa originalidade nacional que nos dá o privilégio de possuir um mão cheia de figuras que falam e escrevem de cátedra, sobre tudo o que "vem à rede", desde o desporto à economia, da saúde às obras públicas, passando naturalmente pela política, área em que são ases deste baralho de bisca lambida que nos calhou em rifa.

Por coincidência, e ao tempo em que era embaixador português no Brasil, tive o ensejo de participar em conversas que Henrique Granadeiro manteve com entidades oficiais brasileiras, com vista a apresentar-lhes o modelo estratégico que a PT tinha em perspetiva para aquele país. Não podendo entrar aqui em detalhes, porque a reserva profissional a isso não me autoriza, posso contudo dizer que esse modelo procurava associar, de forma criativa, valências empresariais dos dois países, com a finalidade de obter importantes ganhos de escala, com impactos pretendidos no espaço global da língua portuguesa, numa lógica que excedia em muito as meras comunicações para se prolongar na futura gestão de conteúdos. Era um formato que, ao tempo, parecia coerente e com perspetivas de ser uma boa aposta para o futuro.

Muita água correu, entretanto, sob as pontes. As alianças da PT no Brasil acabaram por ser algo diferentes das que, à época, pareciam ser as mais desejáveis. Foram, com certeza, as possíveis e é nesse novo quadro que o modelo agora anunciado se concretiza.

Como disse, não tenho a menor opinião sobre a bondade da opção seguida. Tenho, porém, duas certezas. A primeira é a de que Henrique Granadeiro é uma personalidade que, ao longo destes anos, maturou e mostrou uma leitura estratégica para a PT, feita de uma grande experiência e de um evidente acumular de sucessos. A segunda é de que Zeinal Bava é, nos dias que correm, reconhecido como um dos mais brilhantes gestores mundiais na área das telecomunicações. Só podemos esperar que a decisão que ambos tomaram - e que, do lado da PT, cabe essencialmente aos acionistas avaliarem - tenha sido a melhor.

9 comentários:

ignatz disse...

o acumular de sucessos e de brilhantismo deu o mesmo resultado da edp, endividamento colossal e venda ao desbarato para manter cargos de direcção e dividendos aos accionistas, tudo pago pelo cliente e pelo contribuinte, como é hábito da casa. assim tamém eu era um ganda gestor.

Anónimo disse...

Do blog "Impertinências":

"CASE STUDY: Um minotauro espera a PT no labirinto da Oi (10)
[Outras esperas do minotauro: (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8) e (9)]

A PT e a Oi vão fundir-se, ficando os accionistas da PT com 38,1%. Estava escrito nas estrelas, pelo menos desde as negociatas, envolvendo Sócrates e Lula, para vender a Vivo à Telefonica, comprar uma participação minoritária na paquidérmica Oi e pagar com os sobejos um dividendo especial aos accionistas da PT com as tesourarias secas.

A fusão de um porco que dá o presunto com uma galinha que põe os ovos e tem como resultado ovos mexidos com presunto, é boa para quem?

Talvez para a ambição de Zainal Bava e a vaidade de Granadeiro.

Para os accionistas portugueses da PT que de uma participação de controlo na PT e outra minoritária passa a uma minoritária no elefante que resultará da fusão, é duvidoso que o resultado seja melhor do que a soma das partes.
E tudo porquê? Porque não estamos a falar de uma operadora líder no mercado mundial, de uma empresa competitiva e inovadora, estamos a falar de uma vaca marsupial semipública infestada de aspons petistas (assessores de porra nenhuma do PT) controlada por accionistas do regime do lado de lá e do do regime do lado cá do Atlântico.

Gostaria de estar enganado e a dupla Bava-Granadeiro conseguir transformar o paquiderme numa multinacional competitiva e inovadora contra a minha expectativa. Se isso acontecer, virei pôr a corda ao pescoço num post desta série."

Alexandre


Carlos Fonseca disse...

Gostei de ler o seu post.

Mas gostei ainda mais de ler o texto do comentador Alexandre.

Posso estar enganado, mas daqui por uns anos - poucos, presumo - vamos concluir que ele acertou no alvo.

Anónimo disse...

Sr. Carlos Fonseca:

O post pertence ao blog "Impertinências", que transcrevi por parecer-me bastante adequado á situaçâo !


Alexandre

Helena Sacadura Cabral disse...

Esperemos, então, com ou sem impertinências!

Anónimo disse...

“Babei” de rir com as “impertinências” de Alexandre.
antonio pa

ignatz disse...

oh alexandre! se metesses uns submarinos na história não levavas tantos aplausos.

Carlos Fonseca disse...

ignatz,

Olhe que da minha parte levava.

Aplaudiria ainda com mais força e durante mais tempo.

Anónimo disse...

Tutólogos ou Tudólogos? Linha erudita ou linha popularucha?