domingo, 20 de outubro de 2013

O erro de Deauville

A jornalista Isabel Arriaga e Cunha, uma das grandes especialistas em matérias europeias na nossa imprensa, escreve hoje no "Público" um esclarecedor artigo, cuja leitura vivamente recomendo. De uma forma muito clara, ela explica como uma decisão da chanceler alemã, Angela Merkel, acolitada pelo então presidente francês, Nicolas Sarkozy, contribuiu num só dia para o agravamento súbito da crise financeira. Faz hoje três anos.

O  compromisso então firmado em Deauville por aqueles dois líderes políticos, que passou a prever a participação do setor privado no perdão das dívidas públicas do Estados, lançou a partir de então "fogo" em toda a zona euro e, não obstante pequenos ajustes posteriores, figurará para sempre na História como uma das mais desastradas decisões políticas do passado recente.
 
Leia aqui.

9 comentários:

Alcipe disse...

Eles acharam na altura que não tinham alternativa. Há dirigentes assim...

Anónimo disse...

É bom falar depois! não é?!
antonio pa

Anónimo disse...


Alguma novidade: no artigo não se culpabiliza o povo por falta de produtividade,endividamento, etc..

extrato de um comentário: a verificar se é verdade por quem entende das leis da economia:

http://www.lepoint.fr/reactions/economie/commentaires-sur-pourquoi-le-portugal-ne-pourra-sans-doute-jamais-rembourser-sa-dette-12-07-2013-1703436_28?p=2

""
Le ton a été donné dès 1973.
La loi Pompidou-Giscard du 3 janvier 1973
Les banquiers placent des hommes au cœur des Etats et privatisent la
création monétaire. George Pompidou était banquier avant d’être
président, il travailla au sein du gouvernement français et continua
plusieurs années à travailler au service de la banque Rotschild (1954 à
1958 et de 1959 à 1962).....La loi Pompidou-Giscard serait ainsi à l'origine de la dette des états qui n'a cesser de croitre à partir de cette date......Article 123 du Traité de Lisbonne ou l'article 104 du traité de Maastricht qui sont reprennent exactement la même loi mais pour tous les états membres cette fois. "

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Antonio PA. Claro! Só que eu não tenho a responsabilidade das decisões. Quem as tem tem obrigacao de responder por elas

Defreitas disse...

A Alemanha, nem a França não aceitarão de financiar outros Estados como numa federação US ou Alemã. A Europa não é uma nação.

Eles tinham pensado proibir os bancos de vender a divida soberana do Estado em dificuldade.
A única coisa que conta é quem vai pagar a factura quando um pais abre falência ; os bancos ou os estados? Os alemães já conhecem a resposta.
Os estados não criaram a crise da divida soberana. Foi o comportamento dos bancos, dos grandes bancos internacionais, sobretudo americanos, que provocaram a crise que engendrou a crise da divida soberana.

Anónimo disse...


"CASE STUDY: A pátria do capitalismo é o inferno dos capitalistas (14)
Anjos caídos recentemente: (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10), (11), (12) e (13).

Parece estar próximo de um acordo entre o ministério de Justiça americano e o maior banco americano JPMorgan Chase o valor das multas e indemnizações por conduta ilegal relacionada com o «empacotamento» de hipotecas subprime. A acordo deve ser na região dos USD 13 mil milhões (incluindo 4 mil milhões de indemnizações aos proprietários de casas em dificuldades), mais do que o défice orçamental tuga e mais de metade dos lucros do banco no ano passado. Pior do que tudo, o acordo não abrange os eventuais processos criminais contra funcionários da JPMorgan Chase que estão a correr em alguns Estados americanos.

Compare-se o pragmatismo da justiça americana, procurando acordos com os acusados em que estes admitem a culpa e aceitam pagar multas e indemnizações, com a burocracia da justiça portuguesa que vai coleccionando resmas de papel entremeadas com violações cirúrgicas do segredo de justiça durante anos, muitas vezes até à prescrição."

Lido No blog "Impertinências"

Alexandre

David Caldeira disse...

Por um destes dias passou na RTP2um documentário retratando, ainda que brevemente, a vida (também privada, mas principalmente política) da chanceler alemã, com a participação da mesma.
É quase doloroso pensar que os destinos da Europa estão - principalmente - nas mãos daquela pessoa.
Nada nela é inspirador; educada por um pai pastor, cultivada num regime comunista, revela uma fé inabalável nas virtudes do capitalismo, que arrasta a Europa para anos de pobreza inimaginável.
Essa pobreza vai ser paga também pela Alemanha, país onde também ocorrerá um enorme retrocesso demográfico, ao contrário da França, que se tornará a grande potência europeia (já em 2045 estes países terão a mesma população - 73 milhões).

Defreitas disse...

Em Francês, teríamos dito aqui : " Quelle sacrée bonne femme" !

Vamos ter Merkel e Hollande até 2017. E creio que são capazes de se entender. Hollande aceitará o "leadership" fatal de Merkel, porque corresponde à situação económica dos dois países. E não está prestes de mudar. Um procurará construir mais Europa, e a outra mais estabilidade. Se Hollande conseguir fazer compreender a Merkel, que a austeridade tem limites, e que prosseguir neste caminho pode fazer desmoronar o edifício alemão, então Hollande terá feito um bom trabalho. E Merkel salvará o seu mandato. Imaginemos o que será feito da Europa se os dois fracassarem!

Merkel , em casa, será obrigada a "compor" também com os socialistas, se quiser governar tranquila numa grande coligação. Graças à injecção SPD , os Alemães conservarão e obterão algumas vantagens : a economia social de mercado prosseguirá o seu caminho, como o partenariado entre patrões e sindicatos; os salários e os empregos miseráveis e descartáveis da reforma do grande socialista Scchröder serão revistos e um salário mínimo será obrigatório; os salários dos metalurgistas, graças ao seu potente sindicato, aumentarão ao mesmo tempo que os benefícios. Na Europa, alguns sonham de reduzir os direitos sindicais ou o seu estatuto. Que diferença ! Também é verdade que nem todos têm o mesmo grau de profissionalismo!

Merkel, inteligentemente, abandonou o nuclear, os Verdes jubilam, e "tant pis" para as emissões mortais de carbono, que se exportam bem ! e aqui os Verdes não dizem nada.

Entretanto, a amizade com Putine , grande fornecedor de energia e grande cliente para as exportações alemãs, é intocável! E "tant pis" para os direitos do homem!
Merkel é pragmática. Os Alemães sabem que ela se oporá a novas ajudas financeiras à Europa do Sul. Os Alemães apreciam.

Merkel tem entretanto um problema para resolver: Como explicar aos Alemães que para continuar a exportar alguém deve importar e que continuar a viver dos défices dos outros países europeus não é possível. O excedente alemão corresponde aos défices dos outros.

Vender submarinos à Grécia e a Portugal, por exemplo, quando estes países estão de tanga, é imoral. Isso foi ontem. Mas favorecer créditos ou empréstimos garantidos e investir nestes países poderá ser a solução para o futuro... da Alemanha.

Quem não votaria numa mulher destas se fosse Alemão ? A continuidade na acção, impondo uma realidade económica que , para o momento, lhe sorri?

Fernando Correia de Oliveira disse...

Continuo a achar pornográfico - não consigo encontrar outro termo, peço desculpa - o argumento de que a culpa do que nos está a acontecer é da Alemanha e da Chanceler Merkl. Nunca aprenderemos? Provavelmente, nunca...