sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O discurso da "troika"

Há momentos tristes na vida de um país. 

Um deles é ver, com a óbvia cumplicidade (senão mesmo a pedido) das autoridades nacionais, um grupo de credores institucionais externos expressarem, de forma ostensiva, uma pressão sobre um órgão de soberania como o Tribunal Constitucional português. Leia-se isto:
"No caso de algumas destas medidas virem a ser consideradas inconstitucionais, o Governo teria de reformular o projeto de orçamento a fim de cumprir a meta do défice acordada. Tal, contudo, implicaria riscos acrescidos no que se refere ao crescimento e ao emprego e reduziria as perspetivas de um regresso sustentado aos mercados financeiros."
Pergunto-me sobre a reação que, em outros países, um tipo de declaração desta natureza teria desencadeado. 

19 comentários:

Helena Oneto disse...

Temos um país triste, "governado" por tristes que só tem feito tristezas!
Não é de admirar que a triste "troika" também venha com discursos tristes!

São disse...

Noutro país o Presidente da República e o Governo reagiriam a sério e com toda a razão.

Mas como em Portugal no Poder está um bando de garotos mimados e incompetentes, que não se importam rigorosamente nada nem com o país nem com as pessoas, e , para nossa desgraça , com toda a protecção de um reformado que se limita a fugir de todas as responsabilidades...nada acontece(rá).

Se o Tribunal Constitucional alemão é respeitado porque motivo se atrevem a tratar assim o nosso?! Porque não têm à frente ninguém com dignidade!

Aliás, neste momento , ninguém conseguirá dizer o que vem dos credores e o que vem do Governo, que se porta como mero representante destes.

Boa noite

Anónimo disse...

Uma vergonha e um perigo para a democracia. Os fedelhos que nos (des)governam deviam começar a ler os livros de História. Espero que o Tribunal Constitucional não tenha medo.

Anónimo disse...

Perfeitamente inaceitáveis este tipo de pressões sobre o Tribunal Constitucional que tem desempenhado correctamente as suas funções de guardião da Constituição e dos Direitos Fundamentais.
É lamentável que a bancarrota a que o Governo Sócrates conduziu Portugal, nos tenha imposto o controle por parte da troika, com uma diminuição da nossa soberania. Esperemos que tudo termine em 2014.

Anónimo disse...

Com vossa licença, estou convencido que os reponsáveis do país, falo dos responsáveis nacionais, não compreenderam a formulação do texto. Se compreenderam é tão grave como se não tivessem compreendido.
José Barros

patricio branco disse...

as pressões sobre o tribunal constitucional, externas e internas, são fortissimas e inaceitaveis democraticamente. quase parece que o governo está mesmo apostado em encostar o tc à parede, fragilizá lo, fazer o orgão sentir se mal, provocá lo, passar para ele os problemas decorrentes. quanto à troika, no caso de portugal não lhe interessa que haja entraves democraticos ao pacote, que se lixe a democracia em portugal, noutros paises sim, aqui há que respeitar constituições, etc, aqui não, aliás é um país fraquinho,estamos à vontade, etc etc

Anónimo disse...

mas é verdade!

margarida disse...

Uma afronta, o que vimos verificando dos forasteiros que possibilitam que o país mantenha uma actuação a aparentar normalidade. Ousam decidir termos e condições para nos continuar a conceder crédito e permitem-se ser inflexíveis com o que é seu. Inaudito. Uma nação soberana e exemplar, orgulhosa dos seus feitos pretéritos e obras actuais, não tolerará quaisquer directivas - subliminares ou manifestas - sobre as suas mui nobres instituições. Jamais!
Inadmissível o que aparenta ser uma investida sobre a sacrossanta criação que defende a anquilosada matriz legal que nos orienta no caminho do calvário; mas essa mão-cheia de clarividentes saberá opor-se com denodo às soezes artimanhas de tão ignóbeis criaturas.
Como contesta quem é versado na habilidade, as dívidas não são para pagar ou, na mais delirante das hipóteses, sê-lo-ão um dia pelos vindouros que ainda nem se sonham.
Outrossim, é pelo sonho que vamos, como diz o poema, e sendo essencialmente um país de fantasiadores, haveremos de lá chegar.
Com gente susceptível não se brinca, senhores da ‘troika’, vejam lá que ainda se arrependem. Mais.

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

Tristissimo ler esta passagem, revolta mesmo. Mas pergunto : Podemos fazer alguma coisa ou temos de nos sujeitar? Quais seriam as consequências de reagir?

É por estas e por outras que eu nunca poderia ser membro do governo pois rasgaria o documento à frente deles.

Francisco Seixas da Costa disse...

Cara Margarida.
1. A Constituição não é sacrossanta, pode ser mudada quando os deputados que você e eu escolhemos assim o decidirem. Enquanto existir, tem de ser respeitada por todos os órgãos de soberania, desde logo por quem foi nomeado para a fiscalizar. Se é impossível de cumprir, compete ao governo colocar essa questão à AR, explicando porquê.
2. Quanto à dívida, e como bem saberá, nenhum país a paga na totalidade, razão pela qual está nos manuais que 60% de dívida sobre o PIB anual é um valor razoável com que qualquer Estado vive. Os Estados nunca pagam a totalidade da sua dívida, "reciclam-na" contraindo novos empréstimos, de preferência a juro mais baixo, para ir amortizando os que, no passado, foram contraídos a juro mais alto.

Anónimo disse...

No money no clowns !



Alexandre

Anónimo disse...

Esses países que reagiriam a esta afronta não elegem gente deste quilate.

margarida disse...

"sacrossanta criação" pretendia classificar o TC; "anquilosada matriz legal", o compêndio que tão pressurosamente teve a sua defesa, com a qual, aliás, concordo: altere-se, porque está desajustadíssima.
Reciclem-se as dívidas a gosto, mas honrem-se os acordos. E reflicta-se com seriedade, antes de se gastar o que se não tem.
Justo, também, dividir-se irmamente os custos e as penas; chega de penalizar os que menos podem, sobretudo queixar-se. E ele há aí bastantes 'graúdos' onde cortar muito mais.
Mas é preferível viver a pão e água do que sob vergonha. Pelo menos, fui criada assim. Será um defeito, mas orgulho-me disso.
Os outros mandam em nós? E nós não nos pusemos a jeito, homessa?
A independência é linda, mas há que a merecer. O patriotismo é belo, mas tem de ser justo.
De qualquer forma, é apenas a minha opinião, que não vale nada.
Cordiais cumprimentos.

Anónimo disse...

Estamos todos os dias mais nas mãos dos credores até porque muita gente pensa que isto ainda é a brincar. Não acredito que outro governo se conseguisse libertar tão facilmente e passasse a distribuir euros ao pessoal. Veja-se Obama que o não deixam aumentar a dívida.

Helena Sacadura Cabral disse...

O problema é que, como explicou Bagão Felix na quarta feira, os grandes credores são os bancos. E os credores dos bancos são os depositantes.
E se os bancos não forem pagos os depositantes é que ficam a arder porque são os últimos na escala dos credores. E claro, os mais fracos!

EGR disse...

Senhor Embaixador: estou convencido que essa pressão é feita a pedido de Passos Coelho já que corresponde ao profundo desejo do PM de devastar tudo quanto seja o estado social em nome das sacrossantas conceções liberais(?) não esqueçamos o projeto de revisão constitucional que ele encomendou a Paulo Teixeira Pinto, que apresentou antes das eleições mas abandonou face as reações então desencadeadas.
Passos Coelho, com a cumplicidade dos que o acompanham, apenas tenta chegar lá aos "bocadinhos".
Tal como Helena Sacadura Cabral também ouvi Bagão Félix afirmar o que refere.
Mas também vi a demonstração que fez do arrepiante assalto fiscal que este governo tem levado a cabo e das devastações económica e social que tem provocado na nossa sociedade.
Na verdade impressiona que ainda se não tenha dito basta! e que continue permanecer a "tacheteriana" ideia de que não há alternativa.

Joaquim De Freitas disse...

A democracia permitiu a muitos seres de baixo quilate de chegar a posiçoes de relevo na direcçao do pais. Eleitos por cidadaos que sao eles mesmos abaixo do nivel necessario para escolher governantes. Isto é nada mais que um circulo vicioso do qual nunca sairemos. A nao ser que ....

Anónimo disse...

De acordo com esta apresentação http://www.igcp.pt/fotos/editor2/2013/Apresentaaao_Investidores/IGCP_October.pdf do IGCP nomeadamente as páginas 76 e 81 a maioria da dívida portuguesa está nas mãos de estrangeiros e pelo perfil de outras do último leilão, não serão bancos...

Isabel Seixas disse...

É pungente sr. Embaixador