quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Comparações

O meu pai, que tinha uma profunda aversão pelo regime ditatorial em que viveu mais de metade da sua vida, tinha a tese de que Salazar detestava os funcionários públicos e avançava, a esse respeito, com um conjunto de exemplos de medidas que, na sua perspetiva, testemunhavam essa atitude.

Ontem, dei comigo a pensar que, se acaso ele ainda fosse vivo nos dias que correm, era bem possível que relativizasse um pouco aquela sua avaliação. 

19 comentários:

Bmonteiro disse...

Portugal, é hoje, por si próprio e pelo ambiente externo, demasiado diferente do que era nos anos 80 e tempo da Guerra-Fria: economia e sociedade.
A Adm Publ, desempenhou um extraordinário papel no desenvolvimento do país: educação, saúde e segurança social.
Um conjunto de papéis que hoje deviam requerer uma outra e diferente AP.
A que deveria ser objecto de mudanças e transformações em conformidade.
Aqui está um tema, que pela 'falta' de tempo, ignorância e incompetência dos membros do XIX GC, vai ficar para as calendas: a famigerada Reforma do Estado de mr Portas.
Nem o 'prestigiado' académico Maduro, foi capaz de melhor do que a estúpida solução que teve para a RTP. De volta aos anos 60?
Claro: uma coisa era reformar a "Diplomacia" atrevo-me a dizer, com o contributo de diplomatas, outra coisa, fazê-la com os jovens 'especialistas' que vieram ocupar os gabinetes ministeriais.
E de modo semelhante nos restantes sectores. Refiro Segurança e Defesa, outra desgraça.

EGR disse...

Senhor Embaixador: não sou, nem nunca fui funcionário publico pelo que não me move qualquer interesse de classe.
Mas, não tenho dúvida que o senhor seu pai fosse vivo relativizaria a afirmação.
Na verdade aquilo a que se assiste é o mais despudorado ataque a tudo em que surja a palavra público.
E aí estão obviamente incluídos os funcionários.

Anónimo disse...

Independentemente do que se tem escrito sobre a 2ªRepública, gostava de saber quem criou as caixas de previdência, as casas do povo a FNAT?

Penso que o estado social não apareceu por obra e graça da mãozinha do Dr. Mário Soares.


Alexandre

Anónimo disse...

O meu comentário não tem que ver com o seu post. É apenas para lhe "oferecer" umas imagens da sua Terra. http://portugalfotografiaaerea.blogspot.pt/2013/10/vila-real.html
Os meus cumprimentos
MT

iseixas disse...

É ainda incomparável
enquanto houver eleição,
perder direitos de Abril
um retrocesso deplorável,
seguremos mesmo febril
a liberdade de expressão...

Anónimo disse...

Completamente de acordo!

Isabel BP

Anónimo disse...

Há duas atitudes que têm a mesma eficácia na degradação da função pública: uma é, tomar medidas como se todos os funcionários fossem bons e, a outra, tomar medidas admitindo que todos são maus.
Estou convencido que teve muito tempo para ter a reserva da tese a que se refere…claro, como teria, também, atualmente.
António pa

patricio branco disse...

na verdade, o funcionário publico sentia se seguro e estava no antigo regime, a própria segurança/previdencia social que foi criação em parte da altura, incluindo adse, eram estaveis, mas nunca se tem tudo, liberdade e estabilidade a coexistirem,antes não havia uma, agora não há outra, etc

Anónimo disse...

Salazar era um homem de Estado. Como todos os políticos que acreditavam no Estado, serviam o Estado ou até instrumentalizavam o Estado: como Roosevelt, Churchill, Beveridge, Estaline, Mussolini, Franco, ou, se a Madame preferir, Ferrero Rocher.

O politico da moda odeia o Estado e só ama de perdição os mercados, querendo até, no início da sua funesta paixão, ir o amador ainda mais longe do que a coisa amada.

Os funcionários públicos são a face visível, o rosto humano, desse odiado Estado.

Muito obrigado pela atenção.

a) Feliciano da Mata, filósofo

Anónimo disse...

Relativizaria, relativizaria... Salazar era um tacanho! Via tudo em ponto pequeno.
Os de hoje vêm as coisas em grande!
José Barros

Anónimo disse...

O nosso drama é, acima de tudo, a lamentável crise de valor e de valores que afecta toda ou quase toda as classes políticas actuais e que tem as piores consequências para o País e para todos nós.
No meio desta confusão, desta histeria, desta imoderação de comentários que nem figuras muito respeitáveis têm resistido a fazer, consola e dá gosto registar a serenidade, a independência, a seriedade intelectual de uma pessoa como Luís Amado, para além da sua enorme capacidade de fazer um discurso muito articulado e fundamentado em todas as suas intervenções públicas. É de gente como ele que nós precisamos!
Leão do Amaral

Anónimo disse...

Partindo do principio, todo ditador é odioso, não seria diferente a esse.
Que já foi tarde, mas deixou sequelas profundas, antes não tivesse nascido.

opjj disse...

Dinheiro quem o arranja?! Meu Pai com mais de 60 anos, foi a salto para França para pagar uma dívida.Para a viagem pediu emprestado 7 contos. Tinha 9 bocas.
Portugal tem 10 milhões de bocas e não produzem para comer.Déficit.
Números são o que são e não mentem.Portanto nenhum governo faz milagres e a prova aí está desde o 25 Abril.Claro, com a dívida tudo melhorou sobretudo a liberdade. Tanta que até dá para maltratar o próximo.
BH

Anónimo disse...

"30 anos de Cultura
e de Caixas Sindicais,
30 anos de censura,
arre, porra, que é de mais"

Defreitas disse...

Ao Sr. Feliciano da Mata, filósofo

O Estado é o mais frio dos monstros frios. Mente friamente e a
mentira mais comum é : "Eu, o Estado, sou o Povo".
E vê-se bem que é ao mesmo tempo um complot que tem por objectivo não somente a exploração mas também a corrupção do cidadão. E se quer um conselho, caro filosofo, não espere que o espectáculo tenha acabado para o apreciar plenamente. Os sobressaltos desta época são as contracções que precedem um parto. E ele será glorioso.

Anónimo disse...

Uma simples nota para memória futura:, do blog "Impertinências":

"Pro memoria (139) – E se de repente um primeiro-ministro da direita dissesse o que disse o «chefe democrático que a direita sempre quis ter»?
«Sócrates sobre o BPN: "Não sabia o que aquilo era"»
«… mas o meu grupo de conselheiros são sempre as mesmas pessoas e é um grupo muito restrito …nunca me ocorreu que aquilo fosse o que é». (teaser do Expresso para a entrevista a publicar amanhã)

Se, em vez do «chefe democrático que a direita sempre quis ter», fosse um primeiro-ministro de direita cairia o Carmo e a Trindade, os tambores do jornalismo de causas rufariam, o PS incendiar-se-ia de indignação, os comunistas e os bloquistas convocariam manifestações, as 20 criaturas que compõem o Que Se Lixe a Troika berrariam, os movimentos de reformados cantariam a Grândola."

Alexandre

Rui C. Marques disse...

Certamente que relativizaria.

Anónimo disse...

Os futuros são sempre radiosos e os amanhas cantam caro Defreitas

a) Feliciano da Mats

margarida disse...

Estou apaixonada pelo Feliciano da Mata, confesso.