sábado, 7 de setembro de 2013

Os ódios e as ideias

A pretexto de algumas lamentáveis reações à morte de António Borges, a historiadora Maria de Fátima Bonifácio deu à estampa no "Público" um texto inqualificável, no qual, misturando deliberadamente os seus ódios com bugalhos alheios, deu uma expressiva nota da intolerância que afeta as mentes de certos setores políticos em Portugal. Ao lê-la, devo dizer que me percorreu um frio na espinha, sentindo o sopro de um vento ideológico que eu pensava amainado e enterrado no passado. Com a sofisticação de quem sabe o que escreve, a professora Fátima Bonifácio fez-me recuar aos tempos em que, noutros contextos, alguns intelectuais de mérito serviram de adubo pensante e justificador de certas barbáries. 

Devo dizer, com sinceridade, que mantenho respeito intelectual pela professora Maria de Fátima Bonifácio, com quem integrei, no ano passado, um grupo de trabalho, nomeado pelo governo, que produziu as bases para um novo Conceito Estratégico de Defesa Nacional. Reconheço-lhe a autoria de uma obra relevante, que, desde há uns anos, tem vindo a ser produzida sob o prisma de uma linha ideológica cada vez mais radical. Contudo, leio-a sempre com bastante proveito e continuarei a fazê-lo, a ela bem como aos restantes cultores de uma historiografia conservadora, alguma mais liberal que outra, que agora está um pouco na moda, que reconheço que é muitas vezes (embora nem sempre) servida por boa escrita e interessante investigação, que se apoia em setores universitários e em editoras que alimentam a mesma agenda ideológica, sendo também promovida com empenhamento por certa imprensa e blogues. 

Situando-me, com cristalina clareza e sem ambiguidades, no espetro das "sinistras" ideias diabolizadas no texto da professora Fátima Bonifácio, fica-me a dúvida sobre se o que aqui escrevi sobre António Borges, na ocasião da sua morte, também se enquadrará nos comentários por ela policiados.

33 comentários:

Anónimo disse...

Aqui no Golungo a senhora Engenheira admira muito o estilo da Professora Bonifácio e disse-me: "É assim mesmo! É dar-lhes! Quem não pensa como nós é um inimigo da liberdade e cá na minha opinião devia ser proibido de escrever, publicar, sair à rua ou mesmo assistir à cura de desintoxicação alcoólica do pai ou ir visitá-lo à prisão. É assim mesmo que se devem tratar os nossos opositores ideológicos. Essa senhora é que é uma verdadeira liberal, das que eu gosto. A propósito, quem era esse Doutor Borges?".

a) Feliciano da Mata, estagiário por correspondência da Goldemane Saques

Anónimo disse...

Não seria mais útil dizer-nos do que não gostou? Com que não concorda? Onde está a mentira do que a "vítima" escreveu?

Anónimo disse...

Penso que os seus comentários foram correctos.




Alexandre

Anónimo disse...

Em Portugal as pessoas estão-se a fechar cada vez mais nas trincheiras das suas ideias. É a confirmação da pobreza intelectual deste povo.

Joaquim De Freitas disse...

O Sr. Embaixador voltou ao tema da intolerância , das idéias e, agora, do ódio. Se a convivência profissional e talvez mesmo a amizade o levou a considerar Antônio Borges como merecedor do seu respeito e admiração, ninguém lhe pode contestar esse direito.

Que o alto nível de inteligência e de profissionalismo, e mesmo de fidelidade partidária a uma ideologia , tivessem dado a AB uma estatura mundial reconhecida, também não é contestável. Mas o que o Sr. Embaixador não pode contestar é que as idéias , a teoria econômica, as posições assumidas, e os conselhos propagados nas altas esferas do poder pelo Sr. AB foram , são e continuarão provavelmente a ser , por muito tempo, a causa de muita miséria para a colectividade humana.
E que por conseqüência, não tendo tido com AB, a mesma proximidade que o Sr. Embaixador, a maioria das pessoas que o conheceram e que sofrem hoje do resultado da teoria econômica mortal que ele defendeu e propagou, só possam lamentar que ele tivesse podido agir no nosso pais.

Estou de acordo, que a intolerância é uma das tendências mais autoritárias e mais opressivas da natureza humana. Ela parece ter a mesma idade que a sociedade. Desde o conformismo estreito da tribo selvagem , até às formas mais odiosas do dogmatismo religioso, nunca as sociedades quiseram reconhecer o direito individual à liberdade. E, no nosso mundo "civilizado" e "democrático" , este direito é ainda restrito. E por isso mesmo, quando a miséria ponctua a vida do dia a dia dos cidadãos, não se pode dizer que a liberdade existe.

Chefes religiosos, reis, chefes de guerra, políticos ou tiranos econômicos, fazem evidentemente passar a preocupação das suas ambições e dos seus privilégios antes do interesse da colectividade. E pouco lhes importa que a sociedade vegete ou retrograde. Ao contrário, esta tirania só pode ser favorável à expansão do seu despotismo.

Hoje, vemos bem os economistas da mesma escola, impor a teoria que consiste a fazer aceitar, em bloco, os olhos fechados, um Credo ou um Evangelho, com as suas formulas de miséria, uma "religião" que só considera os mais desfavorecidos como "culpados" de pecados imaginários, enquanto que os mais ricos, esses, serão isentos de esforços porque não sendo pecadores!

AB agiu sempre em favor destes últimos. Não é de admirar que aqueles que não tiveram a mesma convivência ou não praticaram a mesma "religião" não estejam, hoje, dispostos a dar a sua absolvição.
Afim de combater a intolerância do ponto de vista social, é preciso portanto lutar contra o "dogmatismo" econômico e contra o autoritarismo daqueles que o impõe.

opjj disse...

Ele há cada cromo! Pena é que não se possa fazer experimentar estes ideólogos na Sibéria ou mesmo Cuba. Há mesmo gente fora do sentimento e da realidade.Pois, como estão no bem bom!

BH

Anónimo disse...

Caro colega, permita-me a ousadia, sou o novo embaixador das Ilhas Laquedivas em Portugal e tenho reparado, confesso que com algum desagrado ( nos la nas Laquedivas somos muito respeitadores e bem educados) , que aqui neste pais, alias encantador, se fala desabridamente mal de tudo e de todos, ante a bonomia e a tolerância geral. Ate se insulta impunemente o Chefe do Estado e um tal Antonio fez uma caricatura ignóbil de Sua Santidade o Papa! Agora parece que disseram mal ( eu nem dei por isso) de um Senhor Doutor Borges, que eu nao sei quem era, porque nao vem na lista diplomática, vejo que morreu muito novo e lamento, mas nao entendo, caro colega, porque tanta indignação por alguém ousar criticar o Doutor Borges, quando nos vossos jornais todos os dias se insultam torpemente as mais altas figuras da Republica. Esclareca-me, caro colega, o nosso amigo embaixador das Maldivas em Ulan Batror recomendou-me muito que nao deixasse de falar consigo. Cumprimentos cordiais

Brahmashivavishnu da Mata

Jose Silva disse...

Dr. Seixas da Costa:
Leitor fiel deste seu blog, aproveito a ocasião para agradecer-lho. Escrevo-lhe, por lealdade, perante este seu texto, que me surpreendeu (!) - a gota não joga com a perdigota. Não concorda com a Dr. Fátima Bonifácio? Tudo bem, desde quando diferentes espectros políticos impedem o diálogo? Diga-nos pois, por favor, onde não concorda, como, porquê? Mas, o que vejo são adjectivos mais adjectivos, a via mais fácil e expedita, ultimamente tão em moda no nosso país. Permita-me terminar citando o falecido Fernando Gil (Impasses): A prática do insulto e da degradação do opositor, particularmente visível na discussão política, é velha como o mundo. O insulto político foi bem teorizado em 1907 por Lenine. Segundo ele, a frase política insultuosa é "concebida para evocar no leitor aversão e desprezo em relação às pessoas que cometeram tais acções. Uma tal frase é concebida não para convencer, mas para dissolver as fileiras do opositor, não para corrigir o erro do opositor, mas para o destruir".

Anónimo disse...

A propósito do seu artigo, relembro-me do "slogan" com que o barrosismo (ele anda aí)nos tentava reescrever uma bela página da nossa história, eventualmente com o apoio das fátimas, dos rui, dos antónio e dos franciscos, gente toda ela tão na moda: "Abril não é revolução, é evolução".


António Nunes

Anónimo disse...

Estamos a voltar subtilmente ao essencial.

A luta de classes.

Com o agudizar das distancias economicas e qualidade de vida não é difícil prever o que aí vem.

Guilherme.

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Feliciano: eu sei que a "Forbes", por estes tempos, não é uma bíblia para a senhora engenheira, mas talvez conviesse lembrar-lhe que António Borges foi, um dia, capa da revista.

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Anónimo das 20.34: um blogue não é um ensaio. Não acredito que não entenda aquilo com que discordo. Não tenho tempo para ser mais claro.

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Joaquim de Freitas: eu não tenho, como quem me lê sabe, uma qualquer proximidade com as ideias de António Borges. De quem não era amigo, apenas conhecido. Apenas falei da morte de uma pessoa, coisa que sempre me toca.

Anónimo disse...

A historiadora Maria de Fátima Bonifácio é mais uma das muitas que não sabe distinguir factos e ideologias.

Não obstante ser a minha área de formação académica, não aprecio o seu estilo demasiado "vendido" ao poder político enquanto que historiadores como José Mattoso ou António Hespanha, entre muitos outros, conseguem "libertar-se" das suas ideologias sem esta obsessão de denegrir os que não pensam da mesma maneira.

A mim, educaram-me que aos mortos dá-se descanso. Considero deprimente, e até doentio, que se publique um texto com esta amargura.

Isabel BP

P.S. Para que conste, não era minimamente apreciadora do estilo do António Borges... mas impõe-se o respeito porque deve ser para os familiares estarem a viver o luto no meio deste "folclore".

Manuel Leonardo disse...

Bastantes de no's esquecemos que tambem muitos que por ca vamos continuando a ficar ,estamos a morrer aos poucos com as teorias deste senhor defunto, nao li nenhum pequeno "lamurio" ainda , comentario nem titulo de caixa alta . Que ele esteja la no ceu que bem merece , no's e as nossas Familias na terra , vamos ficando com o nosso inferno que segundo nos dizem bem o merecemos .
Manuel Joaquim Leonardo
Peniche Vancouver Canada
P.S.
Sr, Embaixador tive o atrevimento de me dirigr em carta pessoalizada,que chegou a' sua caixa de correio . Nao tinha reparado que andava por fora . Possivelmente nao teve conhecimento ainda dessa minha missiva '

Anónimo disse...

Dizer-se que não se entende que os outros não percebem o que dizemos ou que não temos tempo para mais é uma maneira bastante básica de fugir à questão. No fundo, é uma espécie de toca-e-foge.

ignatz disse...

não é admirador do broges, mas continua a promover-lhe missas do 7º dia e no poste seguinte defende a honra de mais um aldrabão de serviço ao orçamento nacional. falta de pontaria ou deixou-se seduzir pela pantomineirice direitola?

Anónimo disse...

Pode ser um texto um tanto ou quanto hiper-realista, mas não vejo ódio! E o seu post não é minimamente apontado! (o mesmo não digo de muitos comentários).
É engraçado que eu nem tenho as suas ideias políticas nem as que são conotadas a AB, o qual nem sequer considero político!

patricio branco disse...

admito que se escrevam e publiquem trabalhos reflectindo um pensamento, uma visão, desde que não se entre na mentira, na calunia, no ofensivo agressivo e inutil.
é um facto que a sociedade portuguesa em ambientes ideológicos, partidários, jornalisticos, profissionais está cada vez mais dividida e antagonica, sector publico contra o privado e vice versa, um jornal contra o outro, o governo contra outros sectores partidarios ou de cidadania e vice versa, mas quem o quiz assim? quem deu 1º o exemplo e o estilo? os conflitos e as dissenções, as polemicas, são por vezes uteis, resta nos esperar e ver...

Anónimo disse...

Fátima Bonifácio limitou-se a dar um tiro em cheio no coração da esquerda usando o método do “rei vai nú”. O que é absolutamente extraordinário é que um ilustre representante dessa esquerda, o embaixador Seixas da Costa, acuse a recepção do ataque bramindo que não há o direito (como se sabe só a esquerda tem) de empunhar a arma e nem sequer aponte um simples argumento contra a apontada nudez dos factos!
João Vieira

patricio branco disse...

apreciei o comentário de joaquim freitas na sua maior parte, o falecimento de ab não impede que nos pronunciemos sobre o que conhecemos publicamente dele (não digo o intimamente ou pessoalmente de quem assim o conhecia)e exprimirmos a nossa antipatia (ou eventualmente simpatia ou indiferença) pelo sr e as ideias que teve o privilégio de exprimir e assim impor na tv e jornais...

ignatz disse...

"eu sei que a "Forbes", por estes tempos, não é uma bíblia para a senhora engenheira, mas talvez conviesse lembrar-lhe que António Borges foi, um dia, capa da revista."

então tamém deve saber quanto custa uma capa da forbes e se não for ingénuo sabe quem a anda a pagar.

ignatz disse...

"A historiadora Maria de Fátima Bonifácio é mais uma das muitas que não sabe distinguir factos e ideologias."

não vejo onde está a diferença, factos e ideologia coincidem, borges foi o agente do liberalismo económico em portugal, com os resultados que conhecemos. primeiro endividou o país e quando entrámos em falência correu a salvar os credores, traidor é o mínimo que se pode chamar a este pantomineiro, quer a família goste ou não.

Anónimo disse...

“Apenas falei da morte de uma pessoa, coisa que sempre me toca”. Que frase mal pesada! Assim sendo, concluo que a morte de pessoas como Hitler, Pol Pot, Estaline, etc, também o tocam.
Quanto ao Borges do Goldman Sachs e que ganhava uma barbaridade paga pelo governo de Passos Coelho, 225 mil euros livres de impostos, enquanto aqueles que ele propunha a Passos para arrasar (pensionistas, funcionários públicos, trabalhores da privada, etc) viam as suas pobres vidas a andar para trás - que a terra lhe seja pesada!
Foi uma das piores e mais sinistras figuras do PSD.
E vai você repescar este indíviduo que todos julgavamos já morto e enterrado!
Daquia 1 ano cá estaremos a falar dele outra vez, por ocasião da missa anual!
Tiago Silveira

Carlos Fonseca disse...

Caro comentador (e estagiário por correspondência) Feliciano da Mata (só com um t?):

Tem a senhora Engenheira toda a razão.

Já dizia Santos Costa "cabo de ordens" de Salazar, graduado em general:

"Quem não está connosco, está contrannosco!"


Manuel Leonardo disse...

o ANONIMATO A ARMA VALIOSA DOS QUE LUTAM POR IDEIAS QUE MUITOS DELES LUTAM MAS QUE SAO SO'DINHEIRO gANHEM CORAGEM ,MOSTREM E PROVEM QUEM SAO .
SE ALGUEM OFENDE ,E' QUEM DEFENDE E OFENDE OS OUTROS PORQUE SAO DE UMA IDOLOGIA POLITICA E SOCIAL DIFERENTE DAS SUAS MAS QUE DEIXAM MUITO A DESEJAR ,OS SEUS ALTRUISMOS HUMANOS .
PARA QUEM NAO SABE ,APRENDI APOS 84 ANOS DE IDADE ,DE LUTA QUE AS PESSOAS DE ESQUERDA CONSEGUEM PASSAR A BARREIRA DO CU DA AGULHA COM MAIS FACILIDADE QUANDO CHEGAM A' PORTA DE SAO PEDRO .
Excia : Estou agora com um grave problema pois nao sei como o deverei designar com titulo social : Ex Embaixador ?. Embaixador ? Exmo Senhor ? Amigo e Senhor ?
COM os MELHORES CUMPRIMENTOS PARA TODOS -ESPECIALMENTE AQUELES QUE SE ASSINAM COM NOME VERDADEIRO - , sou o Manuel Joaquim Leonardo
Peniche Vancouver Canada
fielamigodepeniche.blogspot.com

P .S .
E se os ANONIMOS fossem excluidos de Comentar? seria uma ditadura?
Tenham hombridade , responsabilidade e moralidade eticamente ,Para parecerem pessoas de bem ...

Anónimo disse...

Cheguei agora à conclusão de que todos os anónimos são de direita!... O AB era um extremo anónimo!...

EGR disse...

Senhor Embaixador: também li o artigo da Prof. Bonifácio e, a medida que ia avançando na leitura, mais indignado me sentia.
De facto é lamentável que uma pessoa com sua formação escreva aquela diatribe, ignorando deliberadamente o contributo que muitos situados noutros quadrantes ideológicos deram para que, bem vistas as coisas, a Prof. Bonifácio goze da liberdade que lhe permite publicar textos daquela natureza.
Quantos aos comentários que o post boa parte deles são elucidativos do que, passe a imodéstia, referi aquando do post que o Senhor Embaixador escreveu por ocasião da morte do Prof. Borges, ou seja: estão instaladas tais clivagens que cada vez mais é difícil a lucidez aparecer.
Reafirmo a minha total rejeição a tudo quanto ideologicamente representava o Prof. Borges.

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Senhor embaixador, caríssimo Francisco

Não gosto da Prof. Fátima Bonifácio, nem, naturalmente, do que ela escreve. Mas, esta afirmação pessoal encarna, julgo eu, aquilo que para mim é essencial e incontornável: a Liberdade. E também a Democracia.

Não gostava do Dr. AB, ponto. Nem dele, nem do seu estilo emproado, muito menos das ideias que defendia; mais dois pontos para o Lisgás.

Por isso, acho que houve extremos na apreciação da figura dele. E, já agora, também não gosto de extremismos. E fundamentalismos, nem pó.

Mas, ainda e também, não vou à bola com os ditos anónimos, que, nas entrelinhas dizem quem são. Por isso não os aceito nos meus dois blogues.

Resumindo: como o meu caro Amigo um dia escreveu, mas por outras palavras, naturalmente, há (quase) sempre uma adversativa que espera por nós. E não é desconhecida.

Logo, não gosto, mas aceito.

Isabel Seixas disse...

O problema é ficar refém dos ódios e das ideias, principalmente nos ensaios constantes sobre a obtusidade de ambos em aproveitar-se das diferenças para provocar desigualdades...

O problema são aqueles (que com a capa ténue e mais permeável que o buraco de ozono) se aproveitam com toda a soberba de pôr no mesmo prato da balança um Deus para eles e um diabo para os outros...Sendo que eles são o diabo a subverter autoritarismo em assertividade convencidos que são os deuses a que temos de ser tementes e subservientes...

Depois a morte encarrega-se de nos fazer todos iguais de bons e insidiosamente tentar apagar memórias de engolir em seco o direito à indignação de muitos em detrimento da satisfação só de poucos, tapando as dores eternamente latentes de feridas que não cicatrizam com pensos de deixa lá já passou, oh coitado o mundo é assim...

E pior deixam a semente da promoção da indignidade da gula como exemplo nobre a seguir a qualquer preço...


Anónimo disse...

Eu continuo sem perceber (o Doutor Borges tambem nao consta do Who's Who e a Forbes e uma revista que nos nas Ilhas Laquedivas nao temos dinheiro para assinar) e o meu caro colega sem me responder. Ainda publico a sua fotografia de turbante quando daquele passeio as Maldivas... Nao se faz isto a um colega!

a) Brahmashivavishnu da Mata, embaixador das Ilhas Laquedivas na Europa, Ásia e África

Freire de Andrade disse...

Depois de ter manifestado no meu blog a minha concordância com o texto que Fátima Bonifácio escreveu há dias no Público, dei com a opinião fortemente negativa do Embaixador Seixas da Costa sobre o mesmo texto. Esta opinião e o modo como foi exposta surpreendeu-me muito. Leio com alguma frequência o blog de Seixas da Costa, "duas ou três coisas", e quase sempre concordo com as ideias que expressa. Pelo menos nunca discordei frontalmente de qualquer artigo como aconteceu agora. Seixas da Costa viu no texto de FB "um texto inqualificável, no qual, misturando deliberadamente os seus ódios com bugalhos alheios, deu uma expressiva nota da intolerância que afeta a as mentes de certos setores políticos em Portugal". Não foi o facto de Seixas da Costa escrever conforme o AO90 que me leva a discordar, foram palavras que me parecem completamente desajustadas como "ódio" e "intolerância". Reli o texto de FB e não encontrei nada de ódio nem de intolerância (e depois li o meu próprio texto, não fosse encontrar nele também ódio ou intolerância). É certo que FB critica com alguma violência a excessiva tolerância que certos sectores políticos em Portugal têm para com a Esquerda, mas refere-se expressamente aos comunistas e só de leve , no parágrafo final critica "a Esquerda socialista ou não alinhada" a quem acusa, talvez um pouco injustamente, de partilhar com os comunistas, "embora mais discretamente, a aversão pela Liberdade tal como os liberais a entendem" e ainda, neste caso com toda a justiça, ao que me parece, de abominarem o regime capitalista. Seixas da Costa, segundo revela na sua crítica, ficou ofendido por estas acusações à sua posição política, a tal ponto que lhe "percorreu um frio na espinha". Talvez Seixas da Costa não seja dos que tem a tal aversão pela Liberdade, no sentido preciso que FB define, e mesmo não abomine o regima capitalista, mas não deve ignorar que muitos dos seus camaradas socialistas têm estas posições. De resto, este último parágrafo que se refere à "Esquerda socialista ou não alinhada" é para mim um pormenor que não retira o mérito da exposição de FB sobre a "condescendência generalizada ... de que os comunistas beneficiam". Lembrar que a comiunistas, como Trotski, Lenine e Estaline não repugnava "sequestrar crianças, matar pais e filhos e avós, dizimar populações inteiras à custa de fomes deliberadamente provocadas, prender, torturar, executar e deportar milhões de pessoas" será exprimir ódio? Citar a Coreia do Norte ou "Cuba, esse paradisíaco santuário dos pobres" será intolerância? Porque se indigna um socialista por isso? O texto de FB que Seixas considera "inqualificável" foi por mim qualificado como justo e oportuno. Continuo a pensar assim.

Catinga disse...

Típico. Escrevem, escrevem, escrevem e não "dizem" nada. Em vez de se debruçarem sobre o conteúdo do texto da historiadora, refugiam-se em conversas de chacha sobre "anónimos".

É bastante mais confortável do que ter de rebater o que ela escreveu.